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Como evitar e tratar as picadas de mosquito

Picadas de mosquito: o que fazer para evitar e tratar

Nesta altura do ano os mosquitos e melgas podem ser um problema, sobretudo ao fim do dia e à noite. Com o calor é difícil não ter as janelas abertas e portanto um ou outro mosquito é regra em qualquer casa portuguesa.

É difícil evitar que os nossos bebés sejam picados e as reações podem ir de uma simples borbulha, até um inchaço de grandes dimensões; com a comichão as crianças podem sobreinfectar as borbulhas.

Portanto o que fazer para prevenir as picadas?

1 – As redes mosquiteiras

Podem ser compradas para adaptação às janelas e, neste caso, protegem toda a família ou podem ser utilizadas para o berço ou alcofa, em dossel ou como cobertura do berço.

Algumas alcofas já incluem rede mosquiteira no ato de compra. Se não tiver uma rede mosquiteira, pode adquirir uma em qualquer loja de mobiliário de criança.

2 – Os repelentes para aplicação na pele

Os repelentes atuam protegendo a pele da picada de mosquito; a duração dessa proteção depende dos seus constituintes. Podem ser utilizados como spray, roll on ou pulseira.

O componente mais comum dos repelentes para crianças abaixo dos 2 anos é o citrodiol; neste caso necessitam de aplicação de 3 em 3 horas (o que, à noite, pode ser problemático). Estes repelentes podem ser utilizados a partir dos 3 meses.

Os repelentes compostos por dietil-meta-toluamida (DEET), que é um inseticida, estão indicados a partir dos 2 anos (apesar de que, segundo a Associação Americana de Pediatria, são seguros a partir dos 2 meses de idade).

Se utilizados em crianças abaixo dos 2 anos, as concentrações devem ser iguais ou inferiores a 10%. Estes repelentes devem ser aplicados 1 a 2 vezes por dia.

Os repelentes também podem ser aplicados na roupa.

3 – Os repelentes elétricos

Para os bebés abaixo dos 2 anos de idade existe a opção de repelentes ultrassónicos que libertam essência de Eucaliptus Maculata Citrodiora. Estes repelentes podem ser utilizados no quarto em que a criança se encontra, sem necessidade de ventilação. Há que ressalvar, no entanto, que diversos estudos mostraram a sua ineficácia.

Para os bebés acima dos 2 anos podem ser utilizados inseticidas em aerossol com base no DEET ou derivados como a praletrina. A ausência de recomendação abaixo dos 2 anos não tem a ver com a deteção de efeitos adversos, mas sim com a escassez de estudos nestas idades.

Em países como os Estados Unidos da América, em que os mosquitos são responsáveis por doenças graves no ser humano, o DEET é utilizado sem restrição de idade.

A concentração de inseticida nestes difusores é muito baixa (cerca de 1%) e muito inferior à dose que pode causar toxicidade. Uma opção segura é utilizar estes produtos em locais ventilados (janela ou porta aberta) e desligar antes da criança entrar no quarto.

4 – Utilizar roupas leves e claras que cubram a maior superfície corporal possível

Os mosquitos tendem a picar em áreas do corpo livres, sem roupa. Por isso a utilização de mangas compridas e calças com pé ou babygrows é a melhor roupa para a noite.

As roupas devem ser claras porque é mais fácil ver os mosquitos.

5 – Evite manter recipientes com água parada em casa

Procure evitar manter vasos com água parada.

Se tem plantas em casa, molde uma esponja própria de jardinagem ao prato do vaso; dessa forma a água fica retida na esponja mas não permite a reprodução dos mosquitos.

E depois da picada o que fazer?

1 – Aplique gelo

A picada de mosquito induz uma reação alérgica local, desencadeando a libertação de histamina por parte das nossas células de defesa.

A reação alérgica é uma forma de inflamação e a aplicação de frio pode diminuir essa inflamação. Por este motivo sentimos alívio quando aplicamos gelo.

2 – Limpe as borbulhas

Limpe com soro fisiológico pelo menos uma vez por dia e tente evitar que a criança coce. Claro que evitar que coce é mais fácil na criança mais velha.

Se coçar, não vale a pena preocupar-se, é raro haver complicações.

3 – Pode utilizar um anti-histamínico oral

É muito comum a utilização de anti-histamínicos tópicos, como o dimetindeno (FenistilⓇ gel). No entanto esta forma de aplicação está contra-indicada porque foi comprovado que hipersensibiliza a pele, podendo agravar a reação.

Os anti-histamínicos podem, sim, ser utilizados oralmente e vão desde anti-histamínicos de primeira geração, como o dimetindeno (aprovado para utilização sem restrição de idade) e a hidroxizina – AtaraxⓇ (aprovado a partir dos 2 anos), a anti-histamínicos de segunda geração como o cetirizina (ZyrtecⓇ), a loratadina (ClaritinⓇ) ou a desloratadina (AeriusⓇ), que estão aprovados a partir dos 2 anos.

4 – Procure observação médica apenas em caso de sinais de alarme

Estes sinais de alarme consistem em:

  • Infeção da zona da picada, que pode acontecer por bactérias da pele que entram na picada, sobretudo quando a criança coça; alguns sinais são inchaço ou vermelhidão que ultrapassa a zona da picada (por exemplo de metade da cara, do braço, de toda a mão), líquido amarelado a sair da picada, dor e/ou febre
  • Reações alérgicas generalizadas, que são raríssimas; alguns sinais são dificuldade em respirar, vómitos, borbulhas por todo o corpo, inchaço da boca ou da face

As picadas são comuns e estas medidas não as resolvem, apenas permitem a recuperação, que usualmente leva 5 a 7 dias.

É importante perceber que a resolução da picada em si é um processo efetuado pelo nosso organismo e que não é desencadeado nem acelerado pelo tratamento médico.

Se vai de férias para zonas tropicais estas medidas são especialmente importantes e deve informar-se sobre as doenças que podem ser transmitidas em cada área e como as evitar; algumas doenças implicam tratamentos específicos e observação numa consulta do viajante.

Diga adeus aos mosquitos e aproveite ao máximo o Verão com o seu bebé!