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Como guardar leite materno

Como retirar e conservar leite materno

Para as mães preocupadas com o regresso ao trabalho e com o momento em que vão deixar de ter todo o tempo disponível para o seu bebé, retirar leite materno pode ser parte da solução. Pelo menos garantimos que temos leite disponível para aqueles dias em que é impossível estarmos presentes.

Para retirar leite materno existem várias formas:

Expressão manual

É adequada quando queremos retirar pouca quantidade de leite, nomeadamente em casos de subidas de leite dolorosas, encaroçamento ou mastites mas é lenta e pouco eficaz quando o objetivo é armazenar leite.

Expressão com bomba manual

A bomba manual é mais barata mas também implica que sejamos nós, mães, a mexer na bomba para que ela funcione; para algumas mães pode funcionar bastante bem e permite adequar a sucção da bomba ao conforto da mãe; a desvantagem é a necessidade de um “operador”.

Bomba manual. Imagem digital. Fit pregnancy and baby. Web. 12 de Agosto de 2017. <www.fitpregnancy.com>

Expressão com bomba elétrica

Estas bombas apenas necessitam de uma ligação à eletricidade para funcionarem; a maioria tem várias velocidades e forças de sucção; devemos escolher a que melhor se adequa ao nosso conforto.

Bomba automática. Imagem digital, What to Expect. Web. 12 de Agosto de 2017. <www.whattoexpect.com>

Com que idade do nosso bebé devemos começar a retirar leite?

Usualmente começamos a retirar leite a partir dos 2 a 3 meses, dependendo também de quando será o regresso ao trabalho. No primeiro mês e meio a produção de leite é dirigida ao bebé e a quantidade adequada à quantidade de vezes que se alimenta e à quantidade de leite que ingere. Nesta fase retirar leite pode ser feito quando há encaroçamento mas fazê-lo sem ser neste contexto pode levar a sobreprodução de leite e a dor mamária.

Com que frequência devemos retirar leite?

Esta frequência não está definida. Quando o bebé não está a mamar por um período superior a 3 horas (quando estamos no trabalho, por exemplo), podemos retirar de 3/3 horas.

Se o bebé ainda está a amamentar exclusivamente podemos retirar 2-3 vezes por dia, começando por uma vez e aumentando o numero de vezes progressivamente, para permitir a adaptação da produção de leite. Podemos retirar leite durante 10-15 minutos em cada mama, mantendo sempre presente que no início retiramos pouco mas vai aumentando a quantidade que conseguimos retirar.

Devemos esterilizar os componentes da bomba?

Idealmente, sim, as tubuladuras da bomba devem ser esterilizadas após a utilização. Caso sejam utilizadas mais do que uma vez por dia, podem ser conservadas no frigorífico e lavadas e esterilizadas no fim do dia.

A lavagem usualmente é fácil e não são necessários esfregões ou escovilhões, porque é raro haver depósito solidificado de leite nas paredes. Pode ser utilizado um pano ou as mãos (que é o que utilizo cá em casa, para não ter de andar sempre a lavar panos da loiça).

A esterilização pode ser feita nas máquinas de esterilização, nos robots de cozinha, no microondas, numa panela com água a ferver ou até debaixo da torneira com água quente.

A esterilização está completa ao fim de 10 minutos de imersão em água fervente ou de exposição a vapor de água.

Eu utilizo a BimbyⓇ e coloco 30 minutos a 110ºC na velocidade 0.5 inversa, com 1 L de água e os componentes da bomba dentro do cesto.

Existem umas caixas próprias para esterilização no microondas, nomeadamente da AventⓇ e sacos da Medela Ⓡ, que permitem esterilização em 3 minutos a 900W. Parecem-me opções muito práticas. Como tenho BimbyⓇ cá em casa, vou aproveitando algumas das suas vantagens.

Onde devemos guardar o leite materno?

Se o objetivo é oferecer ao bebé nas 24 horas seguintes, podemos guardar dentro do biberão mas devemos agitar antes de oferecer, para misturar a gordura que se deposita.

Se queremos guardar a longo prazo devemos saber que a duração de conservação é:

  • 4-6 horas à temperatura ambiente;
  • 24 horas a 15ºC (algumas lancheiras e malas térmicas mantêm esta temperatura mas a maioria tem variações grandes, pelo que não são um método adequado de conservação e não devem ser utilizadas);
  • 3-8 dias a 4 ºC (no frigorífico);
  • 6-12 meses entre -18 e -20ºC (no congelador).

Devemos lembrar-nos que o leite materno deve ser guardado em recipientes próprios, existindo os copos e os sacos de conservação, tanto da AventⓇ como da MedelaⓇ.

Quando guardamos leite materno no frigorífico não devemos colocar na porta, porque está sempre a abrir e a fechar e também há variações de temperatura, mas sim na zona mais fria do frigorífico.

Devemos sempre registar no recipiente a data em que foi efetuada a colheita de leite.

Como devemos descongelar o leite materno?

A forma melhor é descongelar no frigorífico de um dia para o outro. Em alternativa podemos descongelar em banho maria, imerso em água a 37 ºC (o que não é muito prático porque implica medir a temperatura da água). Para esta última opção pode ser usado um robot de cozinha com 1L-1,5 L de água (até imersão), colocando o saco ou copo de conservação no cesto e programando 15 minutos a 37 ºC, na velocidade 0.5 inversa.

O leite materno nunca deve ser aquecido no microondas porque perde nutrientes.

Para evitar que esteja frio quando oferecemos ao bebé, podemos aquecer em banho maria como descrito ou retirar do frigorifico 1-2 horas antes de oferecer para que fique à temperatura ambiente.

Boa sorte a todas as mães que estão a construir a sua reserva para os seus bebés (ou planeiam fazê-lo)!

Como colocar o bebé a arrotar

E se o bebé não arrotar?

Quando o bebé se alimenta colocamos a arrotar algures durante ou depois de comer. O arroto permite ao bebé libertar o ar que engoliu ao comer e melhora o desconforto.

Nem todos os bebés precisam de arrotar e também não precisam sempre. Depende da quantidade de ar que engoliram. Se o bebé estiver desconfortável devemos colocar em posição de arrotar e aguardar.

Quando é que o bebé precisa de arrotar?

Quando está desconfortável e agitado.

Quando é que o bebé não precisa de arrotar?

Se estiver calmo durante e depois da alimentação. Alguns bebés engolem pouco ar e não precisam de arrotar, especialmente nos bebés que amamentam.

Se o bebé adormece durante a alimentação não é necessário colocar em posição de arrotar.

Podemos fazer alguma coisa para evitar o desconforto que leva o bebé a arrotar?

Sim, podemos tentar que engula menos ar. Nos bebés que amamentam podemos tentar que façam uma boa pega e que estejam confortáveis de modo que não tenham de largar e pegar na mama.

Nos bebés que ingerem fórmula por biberão, existem tetinas que limitam a quantidade de ar que o bebé engole; é importante que a tetina tenha um orifício pequeno mas não tão pequeno que o bebé tenha de se esforçar muito para puxar o leite. Por outro lado também existem formatos de biberão angulados de forma a limitar a entrada de ar. Antes de oferecer o biberão ao bebé devemos esperar que a mistura do pó com a água “acalme” depois de agitar (ao agitar entram bolhas de ar, que saem logo a seguir).

Em que fase da alimentação devemos colocar o bebé a arrotar?

Depende do desconforto do bebé. Nos bebés que amamentam, se estiver desconfortável, podemos colocar a arrotar e depois voltar a oferecer a mesma mama ou colocar a arrotar quando troca de mama. Se o bebé se mantiver confortável enquanto amamenta, devemos colocar a arrotar no fim, a menos que tenha adormecido.

Os bebés que se alimentam de fórmula para lactentes devem ser colocados a arrotar sempre que estiverem desconfortáveis e no fim.

E se não arrotar?

Para além de poder manter algum desconforto, não há nenhuma outra consequência. O arroto serve o propósito único de libertar o ar que engoliu. O ar na barriga apenas pode dar alguma distensão.

Quanto tempo devemos esperar que o bebé arrote?

Estes tempos não estão definidos mas, atendendo ao facto de que não há consequências graves se não arrotar, podemos esperar entre 5 e 20 minutos. O bebé pode arrotar muito tempo depois de se ter alimentado, às vezes horas depois.

E se o bebé regurgitar sempre que arrota?

Todos os bebés têm algum refluxo entre o estômago e o esófago e nestes, alguns deitam leite fora pela boca. Neste caso devemos manter o bebé em posição elevada durante 20 a 30 minutos, para que não se engasgue. Pode também manter a cabeceira do berço elevada, utilizando uma cunha por baixo do colchão e nunca uma elevação por cima do colchão (nomeadamente almofadas).

O refluxo é fisiológico e não é preocupante a menos que o bebé não evolua bem de peso ou tenha problemas respiratórios associados.

O bebé arrotar evita que deite fora leite depois?

Não. O bebé pode arrotar e passado algum tempo deitar fora leite, inclusive quando já o deitámos. É importante colocar o bebé no berço sempre de barriga para cima; geralmente os bebés deitam a cabeça para um dos lados. Quando deitam fora o leite nesta posição, na maior parte das vezes, não se engasgam.

Em que posições devemos colocar o bebé a arrotar?

Devemos utilizar a posição que for mais confortável para nós e para o bebé. Existem várias posições possíveis mas as mais utilizadas são: sentado nas nossas pernas com o tronco inclinado para a frente ou encostado ao nosso ombro em posição vertical. Esta última posição é a que eu uso cá em casa. Também se pode dar pequenas “palmadinhas” nas costas do bebé para o ajudar a arrotar.

Existem muitos mitos à volta deste tema, maioritariamente que os bebés têm obrigatoriamente de arrotar, levando algumas mães a passarem bastante tempo à espera, com medo que o bebé se possa engasgar.

É importante perceber que colocar o bebé a arrotar apenas diminui o desconforto e pode permitir que ele ganhe espaço no estômago para se continuar a alimentar, mas não tem outro propósito nem está necessariamente relacionado com a regurgitação de leite. Devemos deixar que os nossos bebés mostrem se precisam ou não de arrotar.

Lições que aprendi sobre amamentação: aspetos práticos

Lições que aprendi sobre amamentação: Aspetos práticos

Hesitei em escrever sobre isto porque existem milhares de publicações sobre amamentação e provavelmente não vou trazer nada de novo à discussão pública sobre este assunto.

No entanto decidi partilhar um conjunto de coisas que gostava que me tivessem dito antes e que não vejo assim falado por aí. Amamentar é uma experiência natural mas pode ser difícil e, para amamentar, é preciso confiança e tranquilidade, dois sentimentos raros no período pós-parto imediato.

Os bebés pegam na mama na primeira hora de vida.

Sim, pegam e a amamentação deve ser iniciada logo nesta fase. Aumenta a produção de leite posteriormente, permite ao bebé alimentar-se de colostro depois do período de intensa atividade do parto e aumenta a vinculação afectiva entre mãe e bebé.

No entanto esta primeira pega é um “namoro”, uma primeira vez que o bebé vai conhecer a mama e portanto o bebé muitas vezes não pega consistentemente, não permanece muito tempo na mama e muitas vezes adormece. E não, isto não significa que a mãe está a fazer algo errado.

Os bebés mamam em horário e quantidade livre

Verdade, mas há que notar que isso traduzido por miúdos, nos primeiros dias, significa que nas primeiras 24 horas podem não se interessar muito pela mama e mamar por curtos períodos (2-3 minutos) e às vezes não pedem para mamar pelo que precisam de ser colocados na mama. Isto acontece principalmente com partos induzidos ou cesarianas.

Também significa que algures nas primeiras 72 horas o bebé provavelmente vai começar a pedir para mamar constantemente, alguns por períodos curtos, outros mais longos.

Nada disto significa que “o leite não chega”.

Na amamentação o leite materno não é quantificado, é preciso confiar

É uma espécie de magia… O leite materno não se vê e não se quantifica. Como saber que o bebé está efetivamente a receber o que precisa?

Claro que há algumas regras básicas: o peso (podem perder até 10% na primeira semana), os chichis (4-6 fraldas molhadas por dia) e os cocós (pelo menos um por dia e um nas primeiras 24 horas). Mas inicialmente não sabemos o peso, só sabemos que vai diminuir e é difícil perceber os chichis (porque podem vir misturados com cocó e porque são pouco volumosos).

E ficamos na dúvida … e essa dúvida custa muito mais do que qualquer coisa que eu possa pôr aqui por palavras.

É aqui que os profissionais de saúde são essenciais no apoio à amamentação, sobretudo para mães de primeira viagem. E é aqui que eu tenho de deixar um agradecimento à equipa de Neonatologia e de enfermagem na Maternidade Dr. Alfredo da Costa, por terem tido a fé, a confiança e a experiência que eu não tinha, por me terem ajudado a fechar os olhos e acreditar que o meu corpo podia dar à minha bebé aquilo que ela precisava. Também tenho a agradecer às minhas amigas, muitas delas mães, que partilharam comigo as suas experiências e me ajudaram a esperar e a ter paciência.

Os mamilos de silicone ajudam a moldar o mamilo

Acredito que os mamilos artificiais possam diminuir a dor, nas mães com mamilos fissurados, por constituirem uma barreira entre o bebé e o mamilo. Mas acho muito difícil que melhorem a pega do bebé; mesmo os tamanhos maiores, raramente permitem a inclusão do mamilo até à ponta, fazendo com que o bebé faça uma pega na ponta do mamilo, que é precisamente o que não se pretende.

Têm um papel de barreira em casos de infeções locais do mamilo.

A amamentação pode ser dolorosa mas não é para sempre

A pega inicial pode ser dolorosa e nem sempre por ser desadequada. Os mamilos ficam muitas vezes macerados e fissurados mas, ao longo do tempo, vão ficando mais consistentes e moldados e a dor poderá atenuar e até desaparecer.

A subida de leite é sempre dolorosa

Muitas vezes é. Pode ser uma experiência muito difícil e custosa. Mas também pode não acontecer isso. Pode até ser tão discreta que nem se note…

Em caso de encaroçamento ou tensão mamária ajuda utilizar bombas de leite

A bomba de leite deve ser o último recurso. O primeiro é pôr o bebé a mamar. O bebé consegue drenar as áreas mais profundas da mama, enquanto a bomba, para além de não ser fisiológica, muitas vezes só drena a área superficial. Antes de colocar o bebé a mamar deve ser aplicado calor local e feita massagem (existem várias técnicas mas a aplicação de pressão com os nós dos dedos é que mais resulta para drenagem) e depois de o bebé mamar pode ser feita expressão manual e aplicado frio local. Também ajudam os duches com água quente.

A bomba desencadeia maior produção de leite porque sinaliza que é necessário tanto o leite ingerido pelo bebé como o leite retirado posteriormente. Pode prolongar o problema no tempo.

São bem conhecidos todos os efeitos benéficos da amamentação tanto para a mãe como para o bebé. A alimentação do bebé deve ser uma escolha (informada) de cada mãe e cada mãe deve ser respeitada na sua decisão, independentemente do motivo.

A alimentação do bebé é um dos aspectos mais íntimos da díade mãe-bebé e deve trazer prazer e bem estar. Para mim teria ajudado saber, antes do parto, o que aqui partilho. Estou certa que terão outras quantas lições a adicionar a estas.