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Como aplicar um supositório no bebé?

Os supositórios são frequentemente utilizados nas crianças pela fácil aplicação e absorção, contornando o problema de não quererem tomar os medicamentos oralmente e deitarem fora. Existem alguns medicamentos em supositório, sendo os mais utilizados os antipiréticos, analgésicos e anti-inflamatórios, para tratar a febre, a dor e a inflamação. Destes os mais utilizados em Portugal são o paracetamol e o ibuprofeno.

Geralmente quando inserimos o supositório no rabo do bebé, a seguir ficamos a apertar as nádegas uma contra a outra para que não deite o supositório fora. Quando inserimos o supositório pela base não precisamos de ter esta preocupação, porque mais facilmente fica retido.

Esta forma de aplicação é pouco falada, mesmo em contexto de urgência, mas pode facilitar a vida, sobretudo quando estamos com um bebé com febre e impaciente e queremos dar-lhe o que precisa para baixar a temperatura.

Há que notar que a prática comum e a recomendação dos fabricantes de supositórios é inserir a ponta primeiro. Parece haver um benefício de inserir a base e não parece haver desvantagem de o fazer. Os bebés não ficam desconfortáveis e raramente deitam fora o supositório.

Os supositórios são fabricados num formato de torpedo, com uma ponta afilada e uma base plana e tradicionalmente eram inseridos pela ponta afilada e pressionando com o dedo pela base plana.

No entanto, foi estudada a eficácia da inserção pela ponta ou pela base e chegou-se à conclusão que a capacidade de reter o supositório é maior quando é inserido pela base (ou seja a base plana entra primeiro) porque o esfíncter anal e as contrações intestinais facilitam a entrada do supositório.

Como medir e tratar a febre

Como medir a temperatura do bebé e como tratar a febre

Hoje em dia existem tantos modelos de termómetro que o difícil é escolher. Às vezes a melhor escolha é a mais simples. Outras vezes não tanto …

A medição da temperatura é importante sempre que a criança tem febre, porque é o registo das temperaturas, do intervalo de tempo entre picos febris e da evolução ao longo do tempo que permite ao médico perceber a situação e chegar a um diagnóstico e, portanto, a um tratamento adequado.

Tradicionalmente a temperatura era medida rectal em todas as crianças pequenas (ou seja abaixo dos 2 anos), por isso este método continua a ser considerado o padrão (foi o método utilizado na maioria dos estudos sobre temperatura nas crianças). Isso não significa que seja o método mais adequado. Para além de desconfortável para a criança, a temperatura rectal muda lentamente e as medições estão dependentes do posicionamento do termómetro.

A temperatura axilar é a mais fácil de medir mas a pior escolha em termos de medição porque exige medições prolongadas (cerca de 4 minutos) e é facilmente alterada pela temperatura ambiente. No entanto, é a forma de medição recomendada em recém-nascidos pela Associação Americana de Pediatria, pelo risco (apesar de baixo) de perfuração rectal nesta idade com posicionamento incorrecto do termómetro.

A temperatura oral, medida com termómetro clássico ou com os mais modernos termómetros de chucha, deve ser medida com a língua para baixo durante 3-4 minutos, o que facilmente se compreende que é uma tarefa difícil nas crianças e é alterada pela ingestão de alimentos ou líquidos e pela respiração bucal. Os termómetros de chucha não foram aferidos quanto à sua precisão.

A temperatura timpânica é a melhor escolha porque estes termómetros são os mais precisos. Por outro lado é fácil e rápida de medir. Ao contrário do que se pensava, esta temperatura não é alterada pela presença de uma otite, cera dos ouvidos ou choro. O problema com a medição de temperatura timpânica na criança é que o canal auditivo até aos 2 anos é estreito e torna as medições menos precisas.

A temperatura frontal (ou “termómetros de testa”) não foi aferida mas parece aproximar-se da temperatura axilar. Os estudos que abordam esta forma de medição chegaram à conclusão que estes termómetros são mais precisos que os timpânicos e portanto esta poderá ser a melhor escolha, embora os dados ainda sejam insuficientes.

Tipo de
medição de temperatura
Febre se…
Rectal
 >= 38.5 ºC
Axilar
>= 38 ºC
Oral
>= 38.5 ºC
Timpânica
>= 38.5 ºC
Frontal
>= 38 ºC

Dado que a maioria dos estudos se baseou nas formas clássicas (rectal e axilar) de medição de temperatura, continua recomendado hoje em dia medições de temperatura rectal até aos 2 anos e axilar ou timpânica a partir daí. No entanto pode-se utilizar a temperatura axilar ou timpânica até aos 2 anos como rastreio (confirmando com rectal).

Pessoalmente, acho muito difícil manter medições de temperatura rectal até aos 2 anos, principalmente pelo desconforto da criança; a minha recomendação é medir a temperatura rectal até aos 3 meses e a partir daí medir a temperatura timpânica (se possível) ou axilar. Podem ser utilizados outros modelos de termómetro, desde que sejam confirmadas as medições se a criança tiver febre.

Temperaturas entre 37.5 ºC e 38 ºC (axilar ou frontal) ou 38-38.5 ºC (rectal, oral ou timpânica) não constituem febre mas são temperaturas mais elevadas que o habitual, dado que o corpo humano usualmente tem uma temperatura de 37 ºC. Se o seu bebé tem menos de 3 meses estas temperaturas já são significativas e deve contactar o seu médico. Se o seu bebé tem mais de 3 meses pode vigiar a temperatura e observar se desce por si ou se continua a subir até ser febre.

E se tem febre?

Quando a criança tem febre, salvo raras exceções em crianças com doenças crónicas e específicas, deve administrar um antipirético. Em Portugal o antipirético de eleição é o paracetamol, que deve ser dado na dose de 15 mg/kg/dose até 6/6 horas.

Pode dar banho à criança para descer a temperatura mas apenas depois de dar o antipirético; o banho deve estar à temperatura habitual e nunca deve ser frio (para evitar o choque térmico e a reação do corpo excessiva de produção de calor).

Deve despir a criança (muitas vezes dizemos aos pais para deixar só o body ou a t-shirt ou até deixar de fralda). Não deve aquecer o quarto onde se encontra a criança.

Não se esqueça de oferecer líquidos para evitar a desidratação

A febre é uma manifestação comum nas crianças e, na maioria das vezes, é causada por infeções. Nas crianças 90% das infeções são virais, ou seja, não podem nem devem ser tratadas com antibióticos e, na generalidade, apenas precisam de “medidas gerais”. É o próprio sistema imunitário que combate os vírus e raramente existe um tratamento específico.

Nos bebés com menos de 3 meses a febre pode ser um sinal preocupante e, por esse motivo, deve sempre contactar o seu médico. A partir dos 3 meses pode ver como o bebé se comporta e contactar o seu médico se a febre persistir mais do que 3 dias, se for alta (superior ou igual a 39ºC), se lhe parecer que a criança não está bem (se estiver prostrada ou muito irritada) ou se a febre se fizer acompanhar de outros sintomas como dificuldade em respirar, vomitar persistentemente, manchas ou borbulhas pelo corpo, dores de cabeça intensas.

Se está preocupada com o seu bebé deve contactar o seu médico e recorrer a observação médica, se assim lhe for indicado. Às vezes preocupamo-nos sem motivo para isso, especialmente quando é a primeira vez que o nosso bebé tem febre. Se assim for contacte o seu médico; mais vale pecar por excesso que por defeito.