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Como as mães fazerem exercício físico no pós-parto pode beneficiar os seus bebés

Como as mães fazerem exercício físico no pós-parto pode beneficiar os seus bebés

Fazer ginástica, andar a pé, correr… tudo isto custa e muito no pós-parto. Para começar muitas de nós mal pregamos olho a noite toda. Mesmo aquelas sortudas que dormem, nunca dormem com a mesma qualidade e acabam por não parar todo o dia.

Depois de horas sem dormir, de andarmos com os nossos bebés ao colo, de tentarmos acalmar os choros, de lavarmos roupa, estendermos roupa, cozinharmos, lavarmos e voltarmos a lavar chuchas… a última coisa que apetece é fazer exercício.

Eu partilho deste sentimento e por isso estas palavras são também para mim, para me lembrar, naqueles dias em que não há mais energia, que devia ir buscá-la a algum lado porque isto é importante e nunca é demais lembrar.

Exercício pós-parto

O exercício no pós-parto:

1. Ajuda a recuperar a forma física

E com isto ajuda a subir a auto-estima, a sentirmo-nos donas do nosso próprio corpo novamente e a vermo-nos gradualmente voltar ao que éramos antes. Às vezes não dá jeito pôr maquilhagem, uns brincos ou colares; dias haverá (para mim já houve) que saímos com roupa toda a destoar, o cabelo penteado à pressa, até sapatos trocados. Mas no meio disto tudo sabe muito bem sentirmos o nosso corpo a recuperar.

2. Melhora a disposição e aumenta a energia

Especialmente importante no período pós-parto imediato, com os baby blues e as depressões pós-parto; o exercício físico liberta endorfinas, que sinalizam prazer e bem estar ao nosso corpo. Por outro lado, se praticarmos exercício em aulas de ginástica pós-parto tendemos a encontrar outras mães na mesma situação que nós e sentimo-nos menos sozinhas; às vezes até nos apercebemos que pensávamos estar a falhar nalguma coisa e afinal há muito mais mães a passar pelo mesmo.

3. Melhora a vinculação afetiva mãe/filho

Porque melhora a disposição, distrai e diminui os níveis de stress das mães.

4. Melhora a saúde cardiovascular

Este benefício é mais que conhecido e quem não quer estar saudável para aproveitar o tempo com o seu bebé?

5. Fortalece os músculos

Nomeadamente os músculos dorsais e lombares. Estes músculos são muito importantes quando transportamos os nossos bebés ao colo ou levantamos o carrinho para o arrumarmos no automóvel.

6. Estabelece um exemplo ao nosso bebé

Quando os bebés são pequenos, não percebem bem mas estes hábitos criam-se desde cedo e quanto mais cedo nós começarmos a praticar exercício, mais fortemente estabelecemos o hábito para nós, mães, e mais fácil será dar o exemplo às nossas crianças. Esta consequência, para mim, é a mais importante. Todas nós sentimos a responsabilidade de fazer mais e melhor pelos nossos bebés e tudo começa em casa. Está provado que as crianças de pais que gostam de praticar exercício físico comprometem-se mais com a atividade física e são mais saudáveis. Apesar de se ter comprovado que as mães mobilizam toda a família no sentido de praticar mais exercício, quando são motivadas para isso, também se verificou que as taxas de sedentarismo têm aumentado e que mais de metade das mães não pratica o nível de atividade física recomendado.

Efeito do Exercício físico sobre a Amamentação

Alguns aspetos que devemos conhecer sobre o efeito do exercício físico sobre a amamentação:

1. Não altera significativamente a composição do leite materno

A prática de exercício físico de moderada intensidade não altera em nada a composição. O exercício intenso está associado a diminuição esporádica (na alimentação seguinte ao exercício) dos níveis de anticorpo imunoglobulina A (sem relevância clínica) e a aumento do ácido lático na 1h30 seguintes (que não afeta o bebé).

2. A transpiração pode levar a acumulação de sal nos mamilos

O sal pode incomodar o bebé e levar a que não se queira alimentar ou pareça agitado; a solução é passar os mamilos por água a seguir ao exercício ou tomar um banho.

3. Não altera a quantidade de leite materno produzido

4. Não está associado a menor aceitação do leite materno por parte do bebé

A aceitação é a mesma entre mães que praticam atividade física e mães que não praticam, independentemente da intensidade do exercício; alguma agitação a seguir ao exercício poderá resultar do sal acumulado pela transpiração.

Que exercícios podemo fazer?

Existem vários tipos de exercício físico que podemos fazer, o mais comum sendo a ginástica pós-parto, que deve ser supervisionada por monitores com diferenciação nesta área. Alguns centros dispõem de amas que tomam conta dos bebés enquanto fazemos a aula de ginástica, permitindo superar o obstáculo de não termos com quem os deixar ou de poderem precisar de amamentar.

A corrida é um bom exercício cardiovascular mas só deve ser feita com o bebé quando este tem sustentação da cabeça (a partir dos 6 meses) e com carrinhos adequados.

Toca a mexer, se não por nós, pelos nossos bebés!

Como fazer exercício físico com o bebé

Exercício físico para o bebé até ao ano de idade

Os bebés até ao ano de idade mexem-se pouco e ainda estão a adquirir a maior parte das capacidades motoras. Nada impede, no entanto, de pôr o bebé a fazer algum exercício físico. É certo que basta estarmos ao pé deles com um boneco que eles tentam ver ou seguir ou agarrar, que já estão a fazer o que precisam e devem fazer.

Este texto é para quem procura atividade física e algum divertimento para fazer com o bebé até aos 12 meses.

Yoga para bebés

Os bebés são muito mais flexíveis que os adultos. Tal como qualquer atividade que faça o bebé mexer, esta é benéfica para os bebés, estimula o seu desenvolvimento e a vinculação entre mãe/pai e bebé.

Pode ser feito a partir das 6 semanas de vida mas em Portugal a maioria dos centros tem aulas a partir dos 2 meses.

Os movimentos que os bebés fazem (com a ajuda dos pais) estimulam o desenvolvimento dos músculos e nervos; no entanto isto é verdade para qualquer movimento e não especificamente os movimentos do yoga. O yoga obriga os pais a passarem algum tempo com o bebé a exercitar-se de barriga para baixo (“tummy time”), que provavelmente não fazem de forma tão consistente no resto do dia.

A massagem e o contacto físico no yoga diminuem o nível das hormonas de stress tanto nos pais como no bebé. Existem outros benefícios possíveis como a melhoria do sono e a melhoria do funcionamento intestinal que não estão comprovados; existem poucos estudos e com reduzida qualidade neste campo.

No adulto o yoga pode melhorar a imunidade ao diminuir as hormonas de stress, mas este benefício não se aplica aos bebés, provavelmente por não terem capacidade para perceber e colaborar nesta atividade e dependerem dos pais.

O método mais utilizado é o Sunshine Yoga Baby que adapta as posturas do yoga tradicional às fases de desenvolvimento do bebé. As aulas baseiam-se na reflexologia e massagem, explorando os sentidos do bebé. Relaxa pais e os bebés e no final têm um momento de grupo com todos os pais e bebés. Geralmente estas aulas estão organizadas por níveis, de acordo com a idade do bebé (nível 1 – 2-6 meses, nível 2 – 7-14 meses e 14-24 meses e nível 3 – 2-3 anos).

Há que ressalvar que estas aulas devem ser feitas em locais especializados e certificados para tal, sob supervisão de um instrutor, para evitar que se façam movimentos perigosos para os pais e/ou bebé. Não faça yoga para bebés em casa a partir de aulas online ou vídeos.

Natação para bebés

A natação é uma das atividades que os bebés mais gostam, pela pouca resistência da água aos movimentos, que lhes dá mais liberdade. Além disso simula as condições que tinham dentro do útero da mãe.

Existem aulas a partir dos 3 meses, no entanto, dada a imunidade mais frágil do bebé até aos 6 meses, as recomendações são esperar até essa idade para começar.

A natação estimula o desenvolvimento do bebé, tal como acontece com outros tipos de movimento. Alguns estudos apontam para um desenvolvimento físico e mental mais avançado nos bebés que fizeram natação mas há que ter em conta que o desenvolvimento é feito por fases cujos timings são variáveis de bebé para bebé e esta variabilidade (dentro do timing esperado) não tem qualquer relevância futura.

Os bebés que fazem natação desde idades precoces têm menos aversão à água e aprendem mais rapidamente técnicas de segurança (como flutuar) que diminuem o risco de afogamento. Por outro lado esta atividade promove a vinculação afetiva dos pais com o bebé e aumenta a confiança do bebé, podendo, como qualquer atividade física, promover uma maior auto-estima e auto-controlo no bebé.

As regras de segurança a cumprir, para evitar acidentes, são: manter a cabeça elevada e o mais longe possível da água, não deixar que a boca esteja ao nível da água, evitar esforço excessivo que leve a respiração superficial e rápida, tirar o bebé da água se mostrar sinais de cansaço.

Existe uma preocupação que a utilização de piscinas interiores possa aumentar o risco futuro de bronquiolite (3.5 vezes com utilização de piscinas interiores e 2 vezes em piscinas exteriores) e de asma. As piscinas são desinfetadas com produtos à base de cloro, que com o calor evaporam e causam inflamação das vias aéreas.

No entanto os dados são ainda insuficientes para afirmar esta associação; a maioria dos estudos não mostra diferenças em relação à asma e outras alergias.

O ideal é tentar frequentar uma piscina bem ventilada e enxaguar (tanto os pais como o bebé) com água assim que sair da piscina.

A natação pode agravar doenças de pele como o eczema, pelo contacto prolongado com a água e químicos. Pode também estar associada a infeções da pele como as candidíases, principalmente na zona da fralda, pelo aumento da humidade.

Divirtam-se com os vossos bebés a explorar as novas técnicas que eles aprendem todos os dias e entretanto aproveitem para fazer exercício também!