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Como assegurar a higiene e desinfeção junto do bebé

Prevenção das infeções, desinfeção e afins

Quem me conhece sabe que sou um bocadinho obsessiva (talvez até seja um eufemismo dizer um bocadinho). Passei muito tempo às voltas com este tema, sobretudo quando a minha bebé era recém-nascida.

Não há assim muitas fontes onde ler sobre isto e portanto eu acabei por fazer isto um bocadinho “a olho”. Pesquisando com mais calma apercebi-me que afinal há uma fundamentação sobre este tema e achei que era útil partilhá-la convosco.

Os cuidados na prevenção de infeções e desinfeção são sempre importantes mas especialmente no bebé pequeno. Tenho muita dificuldade com termos como “bebé pequeno” porque não querem dizer nada e portanto especificando, para este efeito bebé pequeno quer dizer até aos 3 meses.

Quando pensamos em manter o bebé limpo, associamos a não se andar a arrastar pelo chão, não mexer na taça do cão, não lamber as mesas dos cafés … e muitas vezes esquecemo-nos do principal hospedeiro de infeções – as pessoas.

Ora aqui andamos nós a utilizar banheiras próprias do bebé, que lavamos meticulosamente, a tratar as chuchas como se fossem compressas esterilizadas, a secar a roupa na corda para o calor do Sol matar os “bichinhos” que ficam na roupa. E depois chega a tia avó ou a prima e espeta um beijo na cara do nosso bebé e torna todo este esforço que fazemos redundante. E aqui começa a nossa luta …

Porque do ponto de vista dos familiares e amigos, todos querem tocar, beijar e abraçar o bebé e para eles uma mãe que limita este contacto está a privar os outros de uma manifestação de carinho e vai de “má” a “incorreta” a “malcriada” a “maluca” … Já ouvi de tudo para descrever estas terríveis mães que mais não fazem que não seja protegerem o seu bebé.

A verdade aqui é esta: as infeções no bebé pequeno podem ser muito graves, difíceis de detectar e podem evoluir muito rápido.

Portanto, para as mães que se massacram, como eu, a dizer às pessoas à volta para terem cuidado, eu venho aqui dizer estão a fazer exactamente o que deviam e não deixem que ninguém vos diga o contrário.

Sim, é verdade que é a exposição às infeções que ajuda o sistema imunitário a “aprender” e a defender-se futuramente dessas mesmas infeções. Não, isso não significa expôr o bebé a essas infeções rapidamente para ajudar nesse processo. Esse processo vai acontecer naturalmente e não há necessidade nem se deve expôr um bebé pequeno, com um sistema imunitário imaturo, a infeções das quais poderá ou não conseguir defender-se. O bebé deve ser protegido dessa exposição nos primeiros 3 meses e, se possível, 6 meses.

Passando aos aspetos práticos, vamos jogar à defesa…

Torne a lavagem das mãos uma regra

No meu caso, eu disse mesmo que havia duas regras – lavar as mãos antes de tocar na bebé e não há beijinhos. Pode não ter sido muito bem visto mas melhor isso que uma infeção num bebé pequeno.

A lavagem das mãos deve ser feita antes de tocar no bebé, preparar comida, mudar a fralda, ir à casa de banho ou ao entrar em casa. Se esta regra for difícil de impôr, uma solução é dizer que, se fazem questão de tocar ou beijar que o façam nos pés. Até aos 9 meses o bebé não consegue tocar nos pés nem pô-los na boca pelo que o risco nestas zonas é baixo.

Leve desinfetante das mãos consigo

Se tiver consigo desinfetante quando anda na rua, serve para si e serve para as pessoas que estiverem consigo quando não há um lavatório próximo. O desinfetante deve ser esfregado nas mãos durante 15-20 segundos. Claro que é difícil cronometrar o tempo que as pessoas levam a desinfetar as mãos e já é bastante bom se utilizarem o desinfetante.

Evite locais com muitas pessoas, sobretudo se forem espaços fechados

Esta regra é lei quando se trata de um recém-nascido. Diga à família que venha “aos bocados” e que não se juntem todos de uma vez. Não leve o bebé para centros comerciais ou igrejas. Não leve o bebé ao hospital exceto se o bebé precisar mesmo de observação médica. As salas de espera dos hospitais são dos sítios mais perigosos para um bebé pequeno porque quem lá está usualmente está doente e portanto há risco que passe a doença a outros.

Se for sair prefira uma esplanada às mesas “lá dentro” (no Verão não há melhor do que apanhar um bocadinho de ar fresco e ventilar as ideias, tanto mãe/pai como bebé!). Os jardins, os parques e até andar na rua são todos boas opções. Não fique fechada em casa; não é bom para a sua cabeça, nem para o bebé diferenciar dia e noite.

Lembre as visitas de não virem se estiverem doentes

Por estranho que pareça, há quem se esqueça disto, sobretudo quem não tem bebés ou já os teve há muito tempo.

Culpe o pediatra

Se estas regras forem difíceis de implementar e a família e amigos não percebem ou não respeitam os seus pedidos neste sentido, diga que é uma ordem do pediatra. Para o efeito, quem está a ler isto neste momento pode-me culpar a mim, que nisto eu não me importo nada de ser a má da fita. E também vos digo que também já “usei” o pediatra da minha bebé para criar estas regras cá em casa.

Evite contacto com outras crianças, sobretudo se estiverem doentes

As crianças são as que mais têm infeções e as que mais “transportam bichinhos”. É claro que não podemos, nem devemos limitar o contacto com irmãos, por exemplo. Mas podemos adiar o contacto com os filhos dos amigos pelo menos até fazer um mês.

Se possível o bebé beneficia de ficar em casa até aos 18 meses. Claro que muitos de nós trabalham, mas se pudermos escolher entre ir à escola ou uma ama, em termos de risco de infeção é preferível a ama, porque evita ou diminui o contacto com outras crianças.

Em termos de desenvolvimento as crianças só necessitam de contacto com outras crianças a partir dos 3 anos, em que a brincadeira deixa de ser paralela (ou seja as crianças brincam mas não com os outros; embora possa parecer que brincam com os outros, não há uma interação verdadeira) e passa a ser interativa.

Tente saber a política da escola que o seu bebé frequenta quando uma educadora ou auxiliar está doente. Fica em casa?

Se tiver ama, estabeleça com ela o que prefere que seja feito quando está doente e, se possível, arranje alternativas.

Se não tiver uma alternativa à escola, se não puder ter uma ama ou se não puder faltar ao trabalho quando a educadora/auxiliar/ama estiver doente, não se culpabilize. Nós fazemos o que é possível pelos nossos bebés, culparmo-nos só gera ansiedade, que não ajuda em nada.

Vacine o seu bebé

Siga o Programa Nacional de Vacinação e, se possível, vacine com as vacinas extra-Programa, nomeadamente a vacina contra o rotavírus (Rotarix Ⓡ e Rotateq Ⓡ) e contra o meningococo do grupo B (Bexsero Ⓡ). Lembre-se que o facto de que as vacinas protegem contra doenças que já não se vêem por aí acontece como resultado de anos de vacinação e que, se deixarmos de vacinar, essas doenças podem e provavelmente vão reaparecer. Lembre-se também que essas doenças têm um potencial de mortalidade e de complicações muito grande. A responsabilidade é sua para com o seu bebé e para com os outros. É a imunidade de grupo que protege os bebés pequenos que ainda não têm idade para se vacinarem.

Tente não se preocupar demasiado

As bactérias estão em todo o lado, no ar, nas superfícies, na roupa. É impossível evitar completamente o contacto com elas. Não se culpabilize se o seu bebé foi beijado uma vez ou esteve com um primo que depois ficou doente…

Fazemos o que é possível e o que é razoável.

Lembre-se que a responsabilidade é sua e de mais ninguém

Se sentir que os familiares e amigos estão a pressionar e a pôr em causa os seus pedidos, lembre-se que não são eles os pais. A responsabilidade de proteger o bebé é sua e não deles. Por isso tente ser assertiva, se for preciso explique as suas razões com calma e determinação. Ao fim de algum tempo torna-se mais fácil.

Esta é uma das minhas maiores lutas e das mais difíceis. Quem me conhece sabe que chego a um café e ponho o desinfetante das mãos em cima da mesa. Sim, pareço maluca e se calhar até sou; mas mais vale isso do que uma infeção. E mais vale isso do que depois ficar a pensar nisso.

Não gosto de andar a discutir por isso dou muitas explicações, se calhar mais do que devia. Mas depois de explicar, não arredo pé.

Não costumo ser assertiva mas percebi que, se eu não defender a minha bebé, ninguém vai assumir essa tarefa por mim. E defender a minha bebé tem de vir acima de tudo o resto.

E sobretudo há que ter bom senso. Quando ela andar a arrastar-se pelo chão, não vale a pena desinfetar as mãos! Vai-me custar, vou ter de respirar fundo, fechar os olhos e aceitar mas há que ter bom senso! (isto é uma nota mental para mim, não para quem me lê ;)).