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Como escolher a chucha do bebé

Chuchas: silicone ou látex?

As chuchas são daquelas coisas que se usam às 2 e 3 por dia, quando o bebé as aceita. Longe de nós esquecermo-nos das chuchas ou ficarmos sem chuchas limpas. Cá em casa há quase uma linha de montagem de armazenamento e limpeza de chuchas!

Materiais

As chuchas podem ser compostas por dois tipos de materiais: silicone ou látex.

As chuchas de silicone são mais resistentes, retêm menos odores e são mais fáceis de lavar. No entanto são menos moles que as de látex, por isso alguns bebés sentem-nas como menos confortáveis.

As chuchas de látex são mais flexíveis mas, por esse mesmo motivo, degradam-se mais facilmente e têm de ser substituídas mais vezes que as de silicone. O látex deve ser evitado se houver alguma razão para pensar em alergia, que pode acontecer com bebés que foram expostos muitas vezes ao látex (internamentos prolongados, operações) ou que têm doenças específicas (como por exemplo a espinha bífida).

Alguns bebés só aceitam determinada chucha; às vezes até acontece que só aceitam uma chucha e quando essa tem de ser substituída ou lavada, mesmo que se ofereça outra igual, rejeitam.

Hoje em dia quaisquer chuchas são isentas de materiais nocivos como BPA ou ftalatos.

Cuidados e limpeza

Seja qual for a composição da chucha que escolher, tenha várias em casa (cá em casa há 10), porque se sujam facilmente e, nos bebés que já gatinham ou andam, perdem-se. Quando notar sinais de desgaste da chucha (fissuras ou zonas em que se começa a “soltar” ou quando ficam pegajosas) substitua imediatamente; as chuchas são feitas para não se soltarem partes porque, se isso acontecer, há risco de aspiração.

A limpeza das chuchas deve ser feita regularmente (cá em casa são lavadas ao fim de um dia de utilização) ou quando caem ou se sujam.

A primeira vez que são utilizadas devem ser esterilizadas, lavando primeiro com água quente e sabão e depois colocando em água a ferver durante 5-10 minutos.

Nas utilizações seguintes não necessitam de ser esterilizadas mas devem ser lavadas com água quente e sabão, podendo, no caso das chuchas de silicone, ser lavadas na máquina da loiça, no tabuleiro superior.

Quando a chucha cai ao chão deve ser lavada com água quente e sabão e nunca colocada na boca do pai ou mãe. A boca é um dos locais do nosso corpo com mais bactérias e portanto acaba por ser ainda pior do que seria se nem lavássemos a chucha.

A chucha pode ser também colocada antes da lavagem em partes iguais de vinagre e água, para evitar o crescimento de fungos; depois deve ser bem lavada e enxaguada.

Cá em casa as chuchas são lavadas com água quente e detergente da loiça, bem enxaguadas e depois esterilizadas. Para o efeito uso as caixinhas para microondas, que podem ser compradas em conjunto com algumas chuchas e que demoram 3 minutos a esterilizar a 900W.

Regras de utilização

Não devem ser utilizados colares ou cordões para prender a chucha ao berço ou ao pescoço do bebé porque, durante o sono, o bebé pode rolar e acidentalmente asfixiar. Os porta chuchas também requerem algum cuidado, porque se forem presos na zona do peito e tiverem extensão suficiente pode acontecer o mesmo; cá em casa só são usados quando estou a olhar para a minha bebé e prendo sempre na parte de baixo da roupa.

Não deve ser colocado mel na chucha para acalmar o bebé, sobretudo abaixo dos 12 meses, pela possibilidade de causar botulismo, uma doença que pode ser fatal e que causa uma paralisia generalizada.

O açúcar ou produtos com sacarose (como o AeroOMⓇ) podem causar cáries, quando já surgiu a primeira dentição e o açúcar adicionado não está recomendado nas crianças abaixo dos 12 meses e também não constitui nenhuma vantagem depois dessa idade.

Eu já utilizei o AeroOMⓇ em desespero de causa e na altura que a minha bebé detestava o banho; neste momento é raro usar porque ela já não chora assim tanto e também já não se acalma tanto quando uso. Mas lá vem o ditado – “faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço” …

Chucha: sim ou não?

Chucha: sim ou não?

A utilização de chucha é um bocadinho controversa e alguns pais optam por utilizar, outros não. A maioria dos bebés acaba por usar chucha como forma de conforto.

Este conforto acontece no âmbito da fase oral de desenvolvimento, em que os bebés exploram o meio ambiente colocando objetos e partes do corpo na boca. Esta fase inicia-se habitualmente aos 3 meses (podendo começar mais cedo) e termina entre os 12 e os 18 meses. Esta etapa de desenvolvimento faz sentido se pensarmos que o primeiro contacto que o bebé faz com a mãe e com o meio ambiente é através da ingestão de leite e esta é a primeira capacidade que ele desenvolve.

Há quem defenda que a chucha é uma forma de conforto para os pais e não para o bebé. No entanto é certo que os acalma quando começam a chorar. Claro que é impossível saber em que medida é que poderá ser ou não o que o bebé precisa, porque como os bebés não falam e nós adultos não nos conseguimos lembrar desta fase da nossa vida, hoje em dia sabe-se muito pouco sobre os bebés. Assim só conseguimos inferir.

Vantagens

A chucha acalma

Não há dúvidas que, nos bebés que aceitam a chucha, há, na maioria das vezes, uma resposta de relaxamento quando lhes é colocada a chucha na boca; isto é importante no caso de bebés que choram inconsolavelmente e mesmo para consolar um bebé cansado.

A chucha evita que o bebé mame quando não está com fome

A sucção não nutritiva como forma de consolo é importante; os bebés que não usam ou não aceitam a chucha são muitas vezes colocados na mama, porque há dúvida se terão fome e porque se procura consolar o bebé; muitas vezes a sucção não nutritiva da mama está associada a ingestão de leite que poderá não ser necessária como alimentação.

A chucha poderá ter um papel na prevenção da morte súbita do lactente

Neste ponto existe bastante controvérsia; existem estudos que mostram um benefício grande (na ordem dos 20%) na prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL) mas existem estudos também que mostram resultados inconclusivos, pelo que não se pode afirmar com certeza que esta função seja real. Pensa-se que os bebés que usam chucha acordam mais vezes durante a noite e despertam mais facilmente durante a apneia e que a chucha pode evitar que o bebé que rola na cama fique com a via aérea tapada pelo colchão.

Desvantagens

Pode ser um hábito difícil de quebrar

Sobretudo a partir dos 2 anos alguns bebés são muito intolerantes à retirada da chucha e os pais devem estar preparados, segundo os autores, para 1 a 5 noites sem dormir”.

Pode ser um mau hábito para os pais

Se a chucha é utilizada, em primeira instância, em resposta ao choro do bebé em todas as ocasiões, quando o bebé acalma os pais poderão não ir à procura de outro motivo para o choro.

Pode diminuir a qualidade do sono da família

Alguns bebés acordam durante a noite e procuram a chucha, porque adormeceram com ela e portanto desenvolveram o hábito de precisar desse apoio para adormecer. Claro que não se espera que um bebé pequeno consiga adormecer sem qualquer ajuda, pelo que, se não fosse a chucha, teria de ser outra coisa (por exemplo se for a mama, ele irá procurar a mama todas as vezes que acorda, o que significa procurar a mãe sempre que desperta; no caso dos recém-nascidos os despertares acontecem 4-6 vezes/noite e nos bebés com menos de 4-6 meses 2-3 vezes/noite).

Nas crianças a partir dos 2 anos poderá estar associada a maior probabilidade de otites

A maioria dos estudos mostra 3 vezes mais otites nestas crianças.

Nas crianças a partir dos 2 anos poderá estar associada a má oclusão dentária

Por afastamento das arcadas superior e inferior e por profusão dos dentes anteriores.

Não está comprovado que a utilização de chucha esteja associada a dificuldades na amamentação. Existe alguma preocupação que a chucha possa confundir os bebés que amamentam na fase inicial, pelo que parece sensato introduzir a chucha só depois da amamentação estar bem estabelecida (a Academia Americana de Pediatria recomenda aguardar 1 mês, mas a amamentação usualmente está estabelecida antes dessa altura, usualmente na 2ª ou 3ª semanas de vida). No entanto a maioria dos estudos mostra taxas de amamentação exclusiva mais baixas nos bebés que a utilização de chucha é limitada.

Por este motivo está recomendado retirar a chucha até aos dois anos.

Para retirar a chucha poderão ser utilizados dois métodos

O método dos 3 dias

Definir um dia para retirar a chucha e começar a preparar a criança 3 dias antes, dizendo que sabemos que está crescida e que quer experimentar atividades dos “crescidos” e que sabemos que vai conseguir largar a chucha dentro de 3 dias; esta conversa deverá ser repetida ao longo dos 2 dias seguintes até retirar a chucha.

O método gradual

Retirar a chucha em situações de conforto e de relaxamento e ir retirando progressivamente noutros contextos (primeiro fora de casa, depois limitar ao berço e depois retirar).

Ajuda dizer à criança que a chucha será oferecida ao Pai Natal ou à cegonha, para ser utilizada pelos bebés mais pequenos ou que será utilizada para produzir brinquedos (como se faz na reciclagem). Poderá também ajudar dizer que, pelo facto de a criança estar a ser tão “crescida” receberá uma recompensa (como uma pequena prenda).

Segurança

Em termos de segurança é importante lembrar que as chuchas não devem ser presas a correntes ou aos famosos porta chuchas, pelo menos nos períodos de sono ou quando o bebé não está a ser vigiado, pelo risco de estrangulamento.

Tamanhos

As chuchas são produzidas para 2 tamanhos diferentes: 0-6 meses e para além dos 6 meses.

Cuidados de higiene

Devem ser lavadas com água quente e detergente mais frequentemente até aos 6 meses (não necessitam de ser esterilizadas), podendo ser colocadas na máquina de lavar loiça. Aqui em casa uma chucha é utilizada durante um dia e não mais, embora estas periodicidades não estejam definidas e isto possa ser exagero.