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Como organizar as sestas do bebé

A importância das sestas do bebé

Dormir é tão importante para o bebé como comer. Foi a conclusão de um estudo recente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Por isto é importante deixar que os bebés durmam tudo o que precisam e sobretudo não os manter acordados para que durmam melhor à noite. Estas indicações mantêm-se até aos 5/6 anos de idade e foram emitidas recomendações neste sentido às escolas pela SPP.

Se o seu bebé já vai à escola, confirme junto das educadoras se fazem períodos de sesta.

É importante salientar que, a partir dos 4 anos, a necessidade de fazer a sesta varia de criança para criança e deve ser avaliada pela educadora em conjunto com os pais.

O sono é importante para o desenvolvimento cognitivo da criança e a SPP concluiu que a privação da sesta conduz a problemas na regulação do humor, alterações cognitivas, do comportamento e da mobilidade. Algumas consequências possíveis são o fraco rendimento escolar, perturbação de hiperatividade e défice de atenção, ansiedade e depressão e alterações da dinâmica familiar.

Dormir as horas de sono necessárias desde cedo na vida está associado a um melhor perfil cognitivo aos 6 anos, sobretudo a inteligência não verbal, não parecendo afetar a compreensão.

Por este motivo este assunto é muito importante na promoção do desenvolvimento e bem estar físico e psíquico dos nossos bebés.

Duração e organização das sestas

Os recém-nascidos não têm padrões de sono organizados e, na generalidade, dormem períodos de 2-4 horas de cada vez. Só por volta das 6 a 8 semanas começam a fazer períodos mais prolongados de sono, dormindo mais de cada vez, mas menos vezes. Nesta idade habitualmente precisam de 2-4 sestas por dia, por vezes mais.

Aos 3 a 4 meses os bebés começam a ter um padrão mais previsível de sono durante o dia e a ter aquilo que se chama de sestas organizadas. Nesta fase é importante tentarmos que o bebé faça sestas nas mesmas alturas do dia, para que se adapte a uma rotina; alguns bebés fazem sestas mais prolongadas, outros seguem um padrão mais irregular e fazem sestas mais curtas.

Aos 6 meses os bebés fazem geralmente 3 sestas ao dia: uma no início da manhã, uma no início da tarde e outra ao fim da tarde. Aos 9-12 meses reduzem para duas sestas ao dia: uma de manhã e outra à tarde e aos 18 meses fazem apenas uma sesta à tarde.

Estratégias para organizar as sestas do bebé

Ler os sinais

Quando o bebé começa a esfregar os olhos e a ficar agitado ou adormece sempre à mesma hora, já nos indica a hora em que está pronto para dormir. Ajuda registar os horários destes sinais e das sestas durante 2 semanas. Nas alturas em que mostra estes sinais, podemos embalar para que adormeça antes de ficar demasiado cansado e rabugento.

Manter uma rotina consistente

Devemos tentar que os horários em que os embalamos para dormirem a sesta sejam sempre os mesmos; da mesma forma devemos evitar fazer atividades que colidam com o horário da sesta. Se o bebé está na escola, devemos seguir o horário da sesta que faz durante a semana.

Não dramatizar quando há interrupções

É impossível pôr toda a rotina da casa a rodar todos os dias à volta do horário da sesta, sobretudo se viverem outras crianças na mesma casa; se num dia a sesta não é feita ou começa mais tarde, não há problema; com uma rotina consistente facilmente conseguiremos voltar ao horário que estabelecemos.

Ter um ritual da sesta

Geralmente este ritual é mais curto que o que fazemos antes de ir dormir; pode incluir por exemplo ler uma história e depois embalar.

O que fazer na hora da sesta?

  • Pôr o bebé a dormir no berço ou alcofa de barriga para cima: exatamente como fazemos à noite.
  • Diminuir a luminosidade no quarto: baixar o estore ou persiana ou correr a cortina, aproximando o mais possível do ambiente noturno.
  • Certificar que as roupas com que dorme são confortáveis e adequadas à temperatura ambiente: não é necessário vestir o pijama.
  • Fazer atividades calmas antes da hora da sesta: devemos evitar som alto ou brincadeiras muito estimulantes.
  • Pôr o bebé no mesmo sítio onde dorme à noite, se possível: desta forma o bebé vai associar o berço/alcofa à hora de dormir.
  • Em viagens ou saídas de casa na hora da sesta, levar os objetos que o bebé associa à sesta: como livros de histórias ou bonecos.
  • Evitar que o bebé atinja uma fase de cansaço antes de iniciar o ritual da sesta: quando estão muito cansados alguns bebés não conseguem adormecer.

Se as sestas forem sempre curtas (menos de 1 hora), não é necessário preocupações, desde que o bebé não esteja agitado, irritado ou difícil durante as horas em que está acordado.

Se o bebé não dorme praticamente nada e não faz sestas, não é motivo para nos culpabilizarmos. Tudo o que devemos fazer é oferecer ao bebé a oportunidade de dormir sempre que precisa e num horário consistente. Se o bebé não dorme mas está bem disposto durante o dia, provavelmente não precisa desse período de sono.

Os bebés que dormem melhor de dia, dormem melhor à noite?

A verdade nesta afirmação está no facto de que as crianças que ficam exaustas, apesar de estarem muito cansadas não conseguem adormecer e acabam por chorar e ficar muito agitadas antes de adormecerem. Por este motivo, as crianças que não dormiram o que precisavam durante o dia, mais facilmente estarão cansadas à noite e ultrapassam este limiar em que se torna mais difícil adormecerem. Como adormecem mais dificilmente também dormem menos.

Esta sequência de acontecimentos acaba por levar a um ciclo vicioso.

No entanto, esta afirmação é falsa na medida em que um bebé que durma pouco de dia mas que esteja sempre bem disposto, provavelmente não precisa de mais sono durante o dia e em nada afeta o seu sono à noite.

Duração do sono nas 24 horas por idade

A duração de sono é variável de bebé para bebé. A Associação Americana de Pediatria descreve o número de horas em média para cada grupo etário mas os bebés não se comportam todos da mesma maneira nem sabem ver as horas, pelo que não há motivo para preocupações se o bebé estiver bem disposto e calmo durante o dia, mesmo que durma menos do que o que indico abaixo.

  • Recém-nascidos: 8h30 à noite, cerca de 3 sestas totalizando 7 horas de sono de dia; um total de 15h30 nas 24 horas.
  • 3 meses: 10 horas de sono à noite, 3 sestas por dia totalizando 5 horas de sono; um total de 15 horas de sono.
  • 6 meses: 11 horas de sono à noite, 2 sestas por dia totalizando 3h15 de sono; um total de 14h15.
  • 9 meses: 11 horas de sono à noite, 2 sestas por dia totalizando 3 horas; um total de 14 horas de sono.
  • 12 meses: 11h15 de sono à noite, 2 sestas totalizando 2h30; total de 13h45 de sono.

Em conclusão, a nossa obrigação como pais é certificarmo-nos que damos ao bebé as condições necessárias para dormir o que precisa, nomeadamente desenvolver rotinas e rituais de sono e oferecer ao bebé um lugar calmo para dormir, ao qual esteja acostumado. Se o bebé não dorme tudo o que está tabelado, não nos devemos culpabilizar. Não podemos fazer mais nada e, se o bebé está bem disposto, não há razão para pensar que precise de mais horas do que as que está a dormir.

Aqui por casa, aos praticamente 3 mesinhos, temos a sorte de passar noites descansadas de 9 horas e fazer uma sesta entre as 9h e as 11h. Mas o resto do dia é uma festa! Não há quem feche o olho mais de 15 minutos seguidos!

Como adormecer o bebé

Como adormecer o bebé?

Como em tudo, cada bebé é um bebé e alguns pais têm a vida mais facilitada que outros. Eu, por exemplo, não me posso de todo queixar, porque a minha bebé adormece facilmente à noite e dorme toda a noite. No entanto, o mesmo não se aplica a grande parte dos bebés; alguns acordam uma vez à noite, outros acordam várias vezes e alguns passam a maior parte da noite acordados.

Quando os bebés nascem não têm noção da diferença entre o dia e a noite. Para eles, tal como dentro do útero da mãe, os períodos de sono e de alerta não são regulados pela luz ou pela atividade. A partir do 1º mês de vida é possível tentar mostrar ao bebé que há o período diurno, em que se fazem praticamente todas as atividades e o período noturno, em que o ideal seria estarem todos a dormir.

Para mostrar isto aos bebés existem alguns truques

Utilizar a luz de acordo com o ritmo dia/noite

A luz é importante para o bebé perceber que é de dia. Muitas vezes temos a tendência de baixar os estores e fechar as cortinas quando os bebés são pequenos, para os protegermos da luz. Certo é que o bebé não consegue assim ver a luz do dia e perceber estas diferenças. É importante abrir os estores e as cortinas e deixar entrar a luz do dia e deixar que seja o desvanecer da luz do dia a sinalizar ao bebé que a noite se inicia. À noite podemos utilizar luzes fracas e ir escurecendo a divisão em que o bebé está. Podemos utilizar uma luz de presença à noite, desde que seja pequena. Quando o bebé acorda à noite não devemos acender as luzes.

Passear com o bebé durante o dia

Quando passeamos com os bebés eles adormecem muitas vezes com o andar do carrinho. Mesmo quando adormecem, há luz e ruído na rua que os ajuda a perceber que essa é a altura de maior atividade.

Colocar o bebé no berço quando está mais sonolento mas não já a dormir

É importante que o bebé se lembre de adormecer no berço, porque se já estiver a dormir e acordar a meio da noite, vai-se assustar e vai precisar da mãe ou pai para voltar a adormecer. Mesmo que o bebé tenha dificuldade a adormecer no berço, podem ser usadas algumas estratégias como abanar ligeiramente o berço ou oferecer a chucha ou uma fraldinha na fase em que está a adormecer. Para que o bebé se acalme na altura de dormir e perceba que chegou essa hora, pode dar banho imediatamente antes de ir dormir (e depois de se ter alimentado).

Quando o bebé acorda à noite, dar um momento antes de lhe dar atenção

Este passo permite ao bebé desenvolver estratégias para adormecer por ele quando acorda à noite. Muitas vezes os bebés têm pequenos despertares noturnos, em que fazem pequenas vocalizações ou se remexem na cama. A nossa tendência é ir de imediato ver o que se passa e embalar e, muitas vezes, não deixamos o bebé regular os seus mecanismos para adormecer. Se o bebé começar a chorar, provavelmente já não se conseguirá acalmar por si mesmo e, nesse caso, é importante embalar, oferecer a chucha ou uma fralda e ver se adormece. Se estiver a chorar desenfreadamente, nesse caso temos mesmo de colocar o bebé ao colo, porque aí dificilmente o embalo resolve o assunto.

Tentar não olhar o bebé nos olhos

Muitos bebés têm um limiar baixo à estimulação e basta olhá-los nos olhos para assumirem que é hora de acordar ou de brincadeira. É importante manter o olhar noutra zona do corpo do bebé e falar baixinho, para que o bebé perceba que pode voltar a adormecer.

Aliviar as regras de muda das fraldas

Não devemos mudar a fralda de cada vez que o bebé acorda à noite, porque pequenos despertares transformam-se em períodos de alerta. Se a fralda estiver suja com cocó tem de ser mudada, mas se for só chichi e a fralda tiver uma boa capacidade de absorção, podemos deixar estar.

Manter o quarto fresco

Nestes dias mais quentes é frequente que os quartos estejam sobreaquecidos, gerando desconforto aos pais e bebé. Não devemos esquecer que está recomendado manter a temperatura ambiente entre 21 e 22 ºC para prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente. Podemos arrefecer o quarto com uma ventoinha ou com o ar condicionado, certificando-nos que a corrente de ar não está diretamente apontada ao bebé e que as condutas de ar condicionado estão devidamente limpas (devem ser limpas pelo menos uma vez de 2 em 2 anos).

Utilizar ruído de fundo (“white noise”)

Se o bebé não consegue adormecer, podemos tentar usar white noise. O bebé acalma quando ouve ruídos monótonos, nomeadamente o nosso “shhhh”, o barulho do secador de cabelo ou do aspirador. Hoje em dia já podemos procurar playlists na internet de white noise, algumas com a duração de 8 horas.

Dar segurança ao bebé

Uma boa estratégia é colocar a mão em cima do peito ou da barriga do bebé ao colocar no berço, de forma a que ele perceba que não está sozinho.

Ter paciência

A implementação destas técnicas pode ser feita logo no primeiro mês de vida mas é importante perceber que o bebé só tem capacidade para treino de sono organizado a partir dos 4 meses, pelo que pode não conseguir adormecer e manter o sono durante a noite até lá.

Não entrar em pânico com regressões dos padrões do sono

Se o bebé não acordava durante a noite, ou adormecia no berço e deixou de adormecer, não entre em pânico. Na maioria das vezes estas regressões são temporárias. Costumam acontecer quando há alterações nas rotinas (nascimento de irmãos, viagens, doenças) ou em fases específicas de desenvolvimento (aos 4 meses, quando aumenta a mobilidade e aos 9 meses, quando começa a ansiedade de separação). Para lidar com estas regressões devemos voltar ao início e aplicar as técnicas que tínhamos desenvolvido, nomeadamente estabelecer uma rotina noturna consistente e previsível para o bebé.

Aqui em casa colocamos no berço ainda acordada e embalamos. Fazemos questão de passear muito durante o dia e de usar a luz para estabelecer o ritmo dia/noite. Mantemos o quarto fresco e só mudamos a fralda se estiver suja com cocó. O white noise não resulta para nós. Ainda tenho dificuldade em evitar algumas coisas – vou quase imediatamente quando ela acorda para ver o que se passa e não consigo conter-me quanto a olhá-la nos olhos. Derreto-me toda, mesmo à noite … pequenas fraquezas, enfim.

Desejo-vos a todos uma óptima noite de sono com os vossos bebés e que estas técnicas vos tragam pelo menos um bocadinho mais de sossego!

Como escolher o berço do bebé

Cosleeping: melhor ou pior?

Hoje em dia estão muito na moda os berços que permitem à mãe dormir junto ao bebé, rebaixando uma das paredes do berço e prendendo o berço à cama. Estes berços podem trazer algum conforto aos pais e ao bebé, embora nem todos os bebés gostem desta opção.

Do conceito de cosleeping também faz parte a partilha de quarto, mesmo que num berço separado, e a partilha de cama, em que, ao invés de haver uma superfície só do bebé mas anexa à cama, o bebé dorme na cama dos pais.

A partilha de quarto está recomendada pela Academia Americana de Pediatria até aos 6 meses.

Tanto numa opção como noutra de cosleeping o mais importante é cumprir as regras de segurança de prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente e os acidentes:

  • Nenhum dos pais deverá fumar;
  • A mãe deverá estar a amamentar;
  • As cobertas, mantas, lençóis ou colchas não devem estar em contacto com o bebé e o mesmo se aplica às almofadas;
  • O bebé deve estar posicionado de forma que os pais não rolem acidentalmente para cima dele, não deve estar entre os pais;
  • Dado que o bebé deverá ficar num dos lados da cama, é preciso assegurar que não cai; as mães devem colocar os braços e pernas em seu redor, como num abraço e deverá haver uma protecção lateral.

Algumas vantagens do cosleeping são:

Facilita a amamentação nos períodos da noite

Pela proximidade; por outro lado muitas vezes o bebé faz pausa nocturna a partir da altura em que recupera o peso do nascimento e a manutenção da amamentação nocturna poderá deixar de ser nutritiva e passar a ser uma medida de conforto.

Sincroniza os períodos de sono dos pais e dos bebés

Muitas mães acordam naturalmente antes do bebé começar a chorar e acordam com despertares leves do bebé, permitindo que o confortem rapidamente.

Poderá acalmar o bebé e diminuir a ansiedade

Pela proximidade com os pais; suaviza a transição entre períodos de sono.

Diminui a ansiedade dos pais

Pela proximidade, a vigilância do bebé torna-se mais fácil, evitando que tenham de se levantar para irem verificar o bebé.Confere uma sensação de proximidade aos pais que não têm oportunidade de passar tanto tempo com o bebé durante o dia.

Algumas desvantagens são:

Os períodos de sono são mais curtos e a duração total inferior, tanto nos pais como no bebé

Este achado refere-se a qualquer forma de partilha de quarto e pesquisas recentes nesta área vieram revelar que bebés a dormirem no seu quarto a partir dos 2 meses têm maior duração total de sono tanto nesta fase como posteriormente.

Poderá criar um padrão de sono codependente

Em que o bebé precisa de um envolvimento parental total para voltar a adormecer tanto durante o dia como posteriormente.

Quanto ao envolvimento emocional e vinculação, não existe evidência que seja maior na opção de cosleeping. O mesmo se aplica em relação à associação à Síndrome de Morte Súbita do Lactente; não há evidência que seja menor e existem estudos que reportam um aumento na opção de berço de cosleeping, sob determinadas condições.

O mais importante é garantir que são cumpridas as regras de segurança e que a opção tomada é a mais confortável para os pais e bebé, dentro dessa condição. Cá em casa utilizamos um berço para cosleeping e mantemos a colcha só no lado do pai (claro que isto é mais fácil no Verão e com este calor). Até agora tem ajudado, porque nos permite ver a bebé e, quando acorda, conseguimos confortá-la rapidamente e voltarmos todos a adormecer (pelo menos eu e ela, que para acordar o pai era preciso uma manada a atravessar a casa). Às mães que estão a ler este blog, que opções escolheram?