Suplementos de vitaminas e minerais nas crianças: sim ou não?

Suplementos de vitaminas e minerais nas crianças: sim ou não?

Como pais preocupamo-nos sempre muito se os nossos filhos estão a receber a quantidade de vitaminas suficiente e se não vão ficar prejudicados se não suplementarmos a alimentação.

É por isto que é muito comum nas consultas de Pediatria e até nas urgências perguntar ao médico por umas vitaminas que a criança pudesse tomar.

A verdade é que não é assim tão difícil ingerir as vitaminas necessárias na alimentação; até naquelas crianças que são “esquisitas para comer” ou “picky eaters”, basta que comam cereais com leite ao pequeno-almoço (que a maior parte das crianças come), que ingerem logo quantidades adequadas de vitamina B, D, cálcio e ferro.

O maior problema com a utilização de multivitamínicos é que é impossível saber que doses de vitaminas são ingeridas pela criança na alimentação mas que, ma maioria dos casos, são doses adequadas. Assim, ao oferecer um suplemento extra, arriscamo-nos que a criança tome doses para além da dose diária recomendada de algumas vitaminas.

Há que salientar que as hipervitaminoses existem e têm consequências, afetando a visão, a formação do Sistema Nervoso Central, a ossificação e o metabolismo.

As vitaminas podem ser importantes se:

A criança tem menos de um ano

Neste caso deve fazer um suplemento de vitamina D, na dose de 400 UI por dia; geralmente este suplemento é oferecido em gotas e a dose depende da formulação. Este suplemento é importante desde o nascimento, sendo habitualmente iniciado aos 15 dias de vida.

A criança evolui mal de peso ou comprimento/estatura

De acordo com indicação médica.

A criança tem uma doença crónica específica (nomeadamente do aparelho digestivo) ou alergias alimentares:

Nestes casos há um seguimento médico dirigido à doença da criança e deverá haver uma recomendação médica específica neste sentido.

A criança cumpre dieta vegetariana estrita, dependendo do planeamento da mesma

É possível planear uma dieta vegetariana para oferecer à criança todas as vitaminas e minerais que necessita, variando os alimentos e estudando os que são mais ricos em determinadas vitaminas; a maior preocupação nestes casos é com a vitamina B12, vitamina D e iodo. Nestes casos deve abordar o tema com o seu médico. Existem cursos de formação para pais nesta área, que poderão ser úteis.

No lactente que foi prematuro

A necessidade de suplementação depende da fase de gravidez em que nasceu e a duração depende da evolução e deve ser mantido conforme indicação do médico que segue a criança.

Dos minerais aquele que é relevante para este efeito é o ferro, que deve ser suplementado se:

A criança amamentou exclusivamente até aos 6 meses

A biodisponibilidade do ferro no leite materno é baixa, pelo que deve iniciar ferro a partir dos 6 meses na dose de 1 mg/kg/dia e manter até aos 6 meses ou até atingir a DDR de 11 mg/dia. É difícil atingir apenas com a ingestão de carne, dado que 100 g tem aproximadamente 1 mg de ferro mas há vários alimentos ricos em ferro, como o feijão e os espinafres; o leite de fórmula e cereais dos lactentes são também suplementados. A suplementação deve ser sempre efetuada de acordo com indicação médica.

A criança tem doenças específicas, por exemplo anemia

Neste caso há um seguimento médico regular dirigido à doença e deve haver uma recomendação médica específica nesse sentido.

No lactente que foi prematuro

A necessidade de suplementação depende da fase de gravidez em que nasceu e a duração depende da evolução e deve ser mantido conforme indicação do médico que segue a criança.

Lembre-se que os suplementos vitamínicos para crianças foram produzidos para as agradar e muitas vezes são doces, pelo que deve ter o cuidado de guardar os frascos e caixas fora do alcance da criança.

Por outro lado, a suplementação em vitaminas não pode compensar uma dieta pobre ou desequilibrada. O mais importante é equilibrar a alimentação da criança e planeá-la para promover um estilo de vida saudável.

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