Hoje o tema é cocós!

Hoje o tema é cocós!

Este é um tema que gera muitas dúvidas, sobretudo porque numa fase inicial, o bebé muda muito os seus padrões alimentares e portanto também muda muito a frequência e a consistência dos cocós.

Quando o bebé parece desconfortável ficamos sem saber o que fazer.

Frequência

Um bebé que esteja a ser alimentado com leite materno faz em média 6-10 cocós por dia quando é recém-nascido; ao fim de 3 a 6 semanas passa a fazer menos vezes e aqui torna-se variável, há bebés que passam para 2-3 vezes/dia e outros deixam de fazer todos os dias passando a 1 a 2 vezes por semana.

Cada bebé é um bebé e tudo isto pode ser normal, sobretudo se o bebé parece confortável e cresce normalmente. A alteração da frequência dos cocós também é muito comum quando a alimentação é alterada, ou seja quando se introduz a fórmula ou quando se começa a diversificação alimentar.

Cor

Quando o bebé nasce, os cocós inicialmente são verde escuros a pretos e designam-se por mecónio. O mecónio é formado por líquido amniótico, muco e outros componentes que o bebé ingere ainda dentro do útero.

Aos 2 a 4 dias de vida o cocó passa a ser de transição (fezes de transição), passa a um verde mais claro e mostra que o funcionamento intestinal está a acontecer como esperado.

Quando o bebé é alimentado com leite materno, os cocós depois da fase de transição são amarelos ou verde claros e mais líquidos e pode ter pequenos pontinhos que fazem lembrar sementes. Este cocó praticamente não cheira, razão pela qual pode ser difícil perceber que é preciso mudar a fralda.

Quando o bebé é alimentado com fórmula, os cocós são amarelo-acastanhados ou verde-acastanhados ou castanhos e são mais pastosos; também cheiram mais intensamente que os cocós de leite materno e geralmente é possível perceber quando é necessário mudar a fralda.

Nos bebés que tomam ferro, os cocós ficam muito escuros, quase pretos e geralmente são mais sólidos. Esta alteração de cor é esperada.

Quando o bebé começa a diversificação alimentar o cocó passa a ser castanho, mais sólido e o cheiro é mais intenso.

Às vezes o cocó pode estar misturado com pedaços de comida não digerida e isto é normal, sobretudo nos bebés entre 1-3 anos. Nem toda a comida é digerida, sobretudo quando o trânsito intestinal é rápido e não há tempo para a digestão completa. O bebé precisa de ser observado se não crescer dentro do esperado, tanto em peso como em altura.

Diarreia

Neste caso o bebé faz pelo menos 3 cocós por dia, líquidos e há uma alteração do padrão dele. Muitas vezes, quando os bebés já fazem habitualmente cocós mais líquidos, é difícil perceber se têm diarreia e se é necessário contactar o pediatra. Se o padrão, frequência e consistência do cocó é igual à habitual, não é motivo para preocupação.

A diarreia pode acontecer por uma infeção intestinal (mais frequentemente por um vírus) ou por alergia alimentar.

Se o seu bebé tiver 3 meses ou menos deve sempre contactar um médico; se tiver mais de 3 meses reforce a ingestão (se estiver a amamentar, amamente mais vezes) e ofereça soro de rehidratação oral 200 mL por cada vez que fizer cocó. Pode também dar um probiótico para ajudar a repor a flora intestinal e a resolver a diarreia. Deve ser observado por um médico se esta situação se arrastar por mais de uma semana, se os cocós tiverem sangue misturado, se o bebé vomita e não consegue tolerar ingestão pela boca, se estiver pouco ativo, sedento e com a língua seca.

Obstipação

Acontece quando o cocó do seu bebé está duro e “às bolinhas”. Nestes casos o bebé fica muito irritado com os gases e quando faz cocó.

A obstipação geralmente surge quando se altera o leite (por exemplo de leite materno para fórmula) ou se começam a introduzir novos alimentos na altura da diversificação alimentar ou quando o bebé começa a treinar o desfralde.

Nestes casos, antes de mais nada, faça massagem na barriga do bebé pelo menos uma vez por dia e, se já tiver começado a introduzir alimentos sólidos, ofereça água ao bebé. Algumas frutas ajudam a melhorar a obstipação, como por exemplo as ameixas, as pêras e os pêssegos. É importante, na maioria dos casos, aumentar a ingestão de fibra, que está presente nos cereais e na fruta não triturada.

No bebé que apenas ingere leite ainda, se estiver a ser amamentado a única ferramenta para melhorar a obstipação é a massagem.

Se estiver a ser alimentado com fórmula pode-se optar por uma fórmula anti-obstipante (A.O.) , anti-cólica (A.C.) ou confort.

A mãe que está a amamentar deve ingerir bastante água, estando recomendado que ingira água sempre que tem sede e, se possível, 1,5 L de água por dia. Esta água é importante na produção do leite e garante a hidratação da mãe. Sem ser a água, não existem recomendações nem restrições alimentares nos casos de obstipação. A teoria de que determinados alimentos ou suplementos que a mãe come podem originar ou melhorar a obstipação dos bebés é falsa; não existe nenhuma evidência que isto aconteça.

Se a obstipação persistir depois destas medidas, o bebé deve ser observado por um médico. O mesmo se aplica se os cocós tiverem sangue, muco ou se o bebé não crescer dentro do esperado.

O importante, no fundo, é que, sejam quais forem os hábitos intestinais do seu bebé, que ele esteja confortável e a crescer dentro do esperado (avaliação essa que é feita em qualquer consulta de vigilância do bebé).

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