Como tratar as remelas do bebé

As remelas e os bebés

As remelas são um problema muito comum nos bebés e podem ou não precisar de tratamento.

A remela é uma secreção ocular que se acumula no canto interno do olho, parcialmente dessicada e que notamos mais de manhã, logo a seguir ao bebé acordar.

Remela. Imagem digital. New-Kids Center. Web. 3 de Agosto de 2017. <www.newkidscenter.com>

 

A formação desta secreção é normal e resulta do processo de limpeza do olho, que “expulsa” as impurezas que ali foram parar durante o dia.

Cuidados a ter com os olhos

A limpeza dos olhos deve ser feita uma vez ao dia ou mais, com uma compressa humedecida com água ou soro fisiológico, que deve ser aplicada no canto interno do olho e depois passada suavemente sobre o olho fechado de dentro para fora. Se notar que o olho tem remela durante o dia, deve limpar mais frequentemente, 3-4 vezes por dia.

Quando esta secreção está sempre presente, mesmo ao longo do dia e apesar de sucessivas limpezas, pode ter outras causas não habituais ou fisiológicas.

No bebé até aos 12 meses poderá tratar-se de:

Conjuntivite química

Tem-se tornado cada vez menos frequente após o parto, embora ainda possa acontecer. Resulta do contacto do olho com químicos, nomeadamente o nitrato de prata que era aplicado no olho para prevenção das conjuntivites bacterianas. Hoje em dia o nitrato de prata já não é utilizado para esta finalidade.

No recém-nascido costuma aparecer no primeiro dia de vida e pode manter-se durante 2 a 4 dias.

Também pode acontecer no bebé mais velho por contacto do olho com outros químicos, embora, com todos os cuidados que temos com os olhos, seja raro.

Conjuntivite infecciosa

A conjuntivite bacteriana é uma doença frequente e pode acontecer a seguir ao parto ou em qualquer fase de vida do bebé. No recém-nascido pode ser causada por bactérias que estão presentes no canal de parto e que podem gerar infeções graves. Por isso estes bebés devem ser sempre observados por um médico. As duas bactérias mais “perigosas” neste contexto são o gonococo e a Chlamydia trachomatis.

A conjuntivite por gonococo aparece entre o 2º e o 7º dia de vida e é francamente purulenta, com secreções espessas e, por vezes, sanguinolentas e inchaço do olho. Hoje em dia a maioria das grávidas fazem colheita para cultura de secreções vaginais, pelo que, a estar presente esta bactéria, ela é detetada antes do parto. Deve confirmar com o seu médico se fez essa cultura ou apenas a pesquisa de Streptococcus grupo B que é feita no final da gravidez.

A conjuntivite por Chlamydia trachomatis aparece entre o 5º e o 14º dias de vida e pode ir desde uma inflamação ligeira com secreção translúcida até inchaço, secreção espessa e formação de membranas sobre o olho (pseudomembranas).

Tanto num caso, como no outro, pode haver envolvimento de outros órgãos.

Há que ressalvar que a conjuntivite é, por definição, uma inflamação do olho. Por este motivo o olho nestes casos está vermelho (podemos ver se está olhando para o olho ou baixando a pálpebra inferior).

No recém-nascido e no bebé mais velho a causa mais comum é sem dúvida a bacteriana, usualmente sendo conjuntivites ligeiras e que passam mesmo sem tratamento. São causadas por outras bactérias que não as já mencionadas e que até costumam colonizar a pele, olho e nariz do bebé. É muito frequente que as conjuntivites compliquem nasofaringites (vulgo constipações) do bebé, porque o nariz comunica com o olho através do canal lácrimo-nasal. Quando este canal entope (quando o nariz está entupido), o olho não drena as suas secreções e pode aparecer a conjuntivite.

O tratamento passa pela aplicação de pomadas ou gotas antibióticas oculares (as mais comuns são o ClorocilⓇ e o FucithalmicⓇ) e pela limpeza e desobstrução do nariz. Deve marcar consulta com o seu médico; nestes casos não necessita de ir à urgência.

As conjuntivites também podem ser causadas por vírus, sendo estas mais comuns nas crianças que frequentam a escola e dão alguns sinais, como por exemplo o facto de que não melhoram tão rapidamente depois de iniciar as pomadas/gotas ou dão dor no olho. Deve sempre pedir observação médica nestes casos.

Uma causa muito comum de não melhoria de uma conjuntivite é a utilização errada das pomadas ou gotas, por não terem indicação ou serem usadas em doses inferiores às desejadas. Não deve evitar utilizar estes medicamentos sem indicação médica.

Obstrução do canal lácrimo-nasal

O canal lácrimo-nasal liga o olho ao nariz e é a razão pela qual fungamos quando choramos, porque é por onde passam as lágrimas.

A obstrução deste canal pode acontecer no bebé com menos de um ano (5%) porque o canal ainda não se formou completamente.

Estes bebés têm secreções acumuladas no olho que se mantêm mesmo depois da limpeza, geralmente sem que o olho fique vermelho. Estas secreções começam a ser notadas nos primeiros dias de vida.

A maior parte dos casos (90%) resolve no primeiro ano de vida e para ajudar à resolução deve ser feita massagem do canal lácrimo-nasal. Esta massagem deve ser feita 3-4 vezes por dia, com o nosso dedo mindinho, desde o canto interno do olho, ao longo da borda do nariz e depois ao longo do osso de dentro para fora. Podemos aproveitar as alturas em que está a mamar para fazermos a massagem, porque o bebé estará mais confortável.

No bebé com mais de um ano a causa mais frequente de remela persistente é a conjuntivite infecciosa.

Acordar com o olho “colado” ou cheio de remelas pode ser muito incomodativo tanto para o bebé, como para os pais e por isso é muito importante limpar frequentemente e procurar o seu médico quando necessário.

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