Como organizar a caixa dos medicamentos do bebé

O que é obrigatório ter na caixa dos medicamentos para a criança?

Todos nós temos em casa uma caixinha ou um armário onde guardamos aqueles medicamentos e utensílios a utilizar em S.O.S. se a criança se magoar ou ficar doente.

Não é nada engraçado quando a meio da noite acontece alguma coisa e não temos este ou aquele medicamento e lá temos de ir em busca de uma Farmácia de serviço, que hoje em dia são cada vez menos e podem estar a quilómetros de casa.

Podemos facilitar um bocadinho a nossa vida garantindo que temos sempre o básico.

E em que consiste o básico?

Paracetamol

Deve ter sempre em casa paracetamol em supositório ou em xarope com dosagem adequada ao peso do seu filho (15 mg/kg/dose até 6/6 horas).

Ibuprofeno

Se o seu bebé tiver mais de 6 meses, já pode utilizar ibuprofeno nos intervalos do paracetamol se tem febre com intervalos mais curtos que as 6 horas; pode utilizar também para inflamações, mas deve consultar sempre o seu médico antes; a dose é 5-10 mg/kg/dose até 8/8 horas.

Soro de rehidratação oral

Se o seu bebé vomitar ou tiver diarreia, deve tomar 200 mL de cada vez que perde líquidos (vómitos ou dejeções) de soro de rehidratação; estes soros podem ser comprados em pó e reconstituídos com água ou já como líquido (mas atenção que, neste caso, duram menos tempo).

Probiótico

Existem vários disponíveis no mercado e devem ser usados quando a criança tem diarreia ou quando toma antibióticos, embora deva sempre consultar o seu médico antes de usar; podem ser adquiridos como pó ou em gotas.

Colher doseadora

Qualquer administração de medicamentos vai exigir uma colher doseadora; não dê ao seu filho doses aproximadas de medicamentos utilizando colheres de sopa (por exemplo); as colheres são todas diferentes e podemos estar a dar doses mais altas ou mais baixas, possibilitando a ocorrência de reações adversas ou toxicidade ou ausência de eficácia.

Pensos rápidos

Qualquer ferida ou corte deve ser protegido por um penso rápido, exceto nas mãos nos bebés com menos de 3 anos, que levam as mãos à boca e podem aspirar o penso.

Desinfetante

São essenciais nas feridas e existem vários tipos, os baseados em iodo (BetadineⓇ), a água oxigenada e a clorexidina. Os desinfetantes baseados em iodo não devem ser usados nos recém-nascidos, porque podem interferir com o funcionamento da glândula tiroideia. Em geral a clorexidina (existe para pele e para mucosas) é menos irritante que a água oxigenada, eficaz e segura em qualquer idade.

Compressas esterilizadas

Para desinfeção de feridas.

Adesivo castanho

Ligaduras

Podem ser utilizadas para manter na posição pensos feitos com adesivo e compressas e são especialmente importantes nas zonas de articulações (cotovelos, joelhos, tornozelos), nas mãos e pés.

Termómetro

É essencial para medir a temperatura; não serve de nada a um médico ouvir que tinha febre porque a mãe ou o pai sentiu a criança quente. Essa sensação é subjetiva e pode não ser verdadeiramente febre, além de que a temperatura e a frequência nos dá muita informação sobre o diagnóstico. Vamos procurar saber se está a aumentar a temperatura ou a melhorar e se os intervalos entre picos de febre estão a diminuir ou aumentar. Ajuda muito ter um registo escrito das temperaturas e das horas.

Aspirador nasal

São muito comuns os aspiradores que a mãe ou o pai aspiram com a boca, colocando a outra ponta no nariz do bebé e que têm um filtro entre as duas pontas. É importante nas crianças pequenas que ainda não se conseguem assoar. Há que dizer, no entanto, que aspirar frequentemente o nariz pode inchar a mucosa e piorar a situação. Por esse motivo só se deve aspirar quando a criança tem obstrução nasal, até 3-4 vezes ao dia.

Soro fisiológico

Serve para tudo: limpeza de feridas, limpeza dos olhos, lavagem do nariz; é um componente essencial em qualquer idade. Para lavagem do nariz pode utilizar em alternativa a chamada “água do mar”, que é no fundo água esterilizada e sais que é aplicada em jacto no nariz.

Creme cicatrizante para eritema das fraldas

É uma situação frequente e muito incomodativa, além de que estes cremes podem ser utilizados mesmo na ausência de irritação; é importante antes do desfralde. Alguns exemplos de cremes muito eficazes são o MitosylⓇ, o CicalfateⓇ e o EryplastⓇ; todos eles incluem zinco na sua composição, que acelera a cicatrização.

Anti-histamínico

Se a criança tiver uma picada ou uma reação alérgica pode fazer; abaixo dos 2 anos utiliza-se o dimetindeno (FenistilⓇ) e pode ser utilizada a hidroxizina (AtaraxⓇ) e a partir dos 2 anos utilizam-se os de 2ª geração – cetirizina (ZyrtecⓇ), loratadina (ClaritineⓇ), desloratadina (AeriusⓇ), que dão menos sono e têm um perfil mais seguro. Confirme com o seu médico antes de utilizar a primeira vez.

Pinça

Para retirar alguma farpa que fique presa na pele.

Os outros medicamentos devem ser adquiridos consoante a necessidade e sempre sob indicação médica. Medicamentos que não devem constar desta caixa são os xaropes para a tosse (sobretudo nas crianças pequenas, abaixo dos 2 anos, cuja tosse é ineficaz e em que estes medicamentos só fazem acumular secreções) e os antibióticos (só devem ser utilizados quando necessário e sempre por indicação e prescrição do médico; nestes incluo também os locais como os cremes e pomadas ou gotas para os olhos).

Verifique sempre o prazo de validade dos medicamentos na caixa antes de dar ao su bebé e faça limpeza e substituição regular.

Com a caixa completa sempre estamos mais tranquilos e menos susceptíveis a saídas a meio da noite para ir comprar à pressa este ou aquele que nos falta.

2 comentários a “Como organizar a caixa dos medicamentos do bebé”

  1. Muito bom como os outros! Já agora, qual a tua opinião sobre os diferentes termómetros que existem, é mm preferível o tradicional? E a avaliação deve ser sempre axilar ou pode fazer-se rectal em pequeninos? Beijinhos

    • Nês diz:

      Olá Ana! Obrigada! Já me deste uma ideia para um novo post. Tenho de falar das medições de temperatura sim! Vou aproveitar e vai ser o tema já de amanhã. Mas em resposta: a medição de temperatura rectal é o gold standard até aos 2 anos. Claro que isto é difícil de fazer por isso costumo recomendar manter até aos 3 meses e a partir daí medir axilar ou timpanica. Quanto aos termómetros menos convencionais, como os da testa ou os de chucha, não estão aferidos mas para quem os tem, o que recomendo é fazer 2-3 medições e comparar com as de um termómetro convencional. Eu cá em casa tenho um convencional e um de chucha e as leituras são sobreponiveis. Por isso muitas vezes só uso o convencional se o de chucha der leituras acima de 38 graus, para confirmar! Ela claro que gosta muito mais do de chucha e quando sou só eu na paranóia que ela pode ter febre (que nunca teve) sempre a chateio menos ;)!

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