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Como Lidar com o Assunto Vacinas

Hoje é dia de… vacinas!

Levar o bebé às vacinas. O coração fica bem apertadinho e dói-nos ainda mais do que se fosse conosco. Não haja dúvidas que não é um dia de sorrisos.

Mas as vacinas são essenciais. Foi o maior avanço na medicina nos últimos anos e salvam nove milhões de vidas por ano! As vacinas não protegem apenas os nossos bebes.

É o facto de haver um a Programa Nacional de Vacinação que a maior parte da população cumpre, que cria o que chamamos de imunidade de grupo, uma protecção das crianças vacinadas e das crianças não vacinadas, nomeadamente por ainda não terem idade para administração de vacinas.

Assim, por muito que doa aos nossos bebes e por muito que nos possa custar, vacinar deve fazer parte das nossas vidas tanto quanto comer, dormir ou tomar banho.

Para que o bebe esteja mais confortável no dia das vacinas, podemos deixá-lo dormir tudo o que ele quiser, dar de mamar na altura em que se administra a vacina e até administrar paracetamol para atenuar a dor e outras reacções adversas leves que por vezes acontecem.

Depois da administração é importante embalar o bebe e pode ser aplicado gelo local.

Claro que alma de mãe sofre com o mais pequeno choro do seu bebé e portanto também é importante a seguir à vacina, fazer alguma coisa com o nosso bebé que dê prazer a ambos.

Eu escolhi aproveitar este dia lindo que esteve hoje para ir passear ao jardim, ouvir os pássaros a cantar, ver as andorinhas a fazer mergulhos na brincadeira, cheirar o Verão que este ano veio em força.

Como aplicar um supositório no bebé?

Os supositórios são frequentemente utilizados nas crianças pela fácil aplicação e absorção, contornando o problema de não quererem tomar os medicamentos oralmente e deitarem fora. Existem alguns medicamentos em supositório, sendo os mais utilizados os antipiréticos, analgésicos e anti-inflamatórios, para tratar a febre, a dor e a inflamação. Destes os mais utilizados em Portugal são o paracetamol e o ibuprofeno.

Geralmente quando inserimos o supositório no rabo do bebé, a seguir ficamos a apertar as nádegas uma contra a outra para que não deite o supositório fora. Quando inserimos o supositório pela base não precisamos de ter esta preocupação, porque mais facilmente fica retido.

Esta forma de aplicação é pouco falada, mesmo em contexto de urgência, mas pode facilitar a vida, sobretudo quando estamos com um bebé com febre e impaciente e queremos dar-lhe o que precisa para baixar a temperatura.

Há que notar que a prática comum e a recomendação dos fabricantes de supositórios é inserir a ponta primeiro. Parece haver um benefício de inserir a base e não parece haver desvantagem de o fazer. Os bebés não ficam desconfortáveis e raramente deitam fora o supositório.

Os supositórios são fabricados num formato de torpedo, com uma ponta afilada e uma base plana e tradicionalmente eram inseridos pela ponta afilada e pressionando com o dedo pela base plana.

No entanto, foi estudada a eficácia da inserção pela ponta ou pela base e chegou-se à conclusão que a capacidade de reter o supositório é maior quando é inserido pela base (ou seja a base plana entra primeiro) porque o esfíncter anal e as contrações intestinais facilitam a entrada do supositório.

Como tratar as remelas do bebé

As remelas e os bebés

As remelas são um problema muito comum nos bebés e podem ou não precisar de tratamento.

A remela é uma secreção ocular que se acumula no canto interno do olho, parcialmente dessicada e que notamos mais de manhã, logo a seguir ao bebé acordar.

Remela. Imagem digital. New-Kids Center. Web. 3 de Agosto de 2017. <www.newkidscenter.com>

 

A formação desta secreção é normal e resulta do processo de limpeza do olho, que “expulsa” as impurezas que ali foram parar durante o dia.

Cuidados a ter com os olhos

A limpeza dos olhos deve ser feita uma vez ao dia ou mais, com uma compressa humedecida com água ou soro fisiológico, que deve ser aplicada no canto interno do olho e depois passada suavemente sobre o olho fechado de dentro para fora. Se notar que o olho tem remela durante o dia, deve limpar mais frequentemente, 3-4 vezes por dia.

Quando esta secreção está sempre presente, mesmo ao longo do dia e apesar de sucessivas limpezas, pode ter outras causas não habituais ou fisiológicas.

No bebé até aos 12 meses poderá tratar-se de:

Conjuntivite química

Tem-se tornado cada vez menos frequente após o parto, embora ainda possa acontecer. Resulta do contacto do olho com químicos, nomeadamente o nitrato de prata que era aplicado no olho para prevenção das conjuntivites bacterianas. Hoje em dia o nitrato de prata já não é utilizado para esta finalidade.

No recém-nascido costuma aparecer no primeiro dia de vida e pode manter-se durante 2 a 4 dias.

Também pode acontecer no bebé mais velho por contacto do olho com outros químicos, embora, com todos os cuidados que temos com os olhos, seja raro.

Conjuntivite infecciosa

A conjuntivite bacteriana é uma doença frequente e pode acontecer a seguir ao parto ou em qualquer fase de vida do bebé. No recém-nascido pode ser causada por bactérias que estão presentes no canal de parto e que podem gerar infeções graves. Por isso estes bebés devem ser sempre observados por um médico. As duas bactérias mais “perigosas” neste contexto são o gonococo e a Chlamydia trachomatis.

A conjuntivite por gonococo aparece entre o 2º e o 7º dia de vida e é francamente purulenta, com secreções espessas e, por vezes, sanguinolentas e inchaço do olho. Hoje em dia a maioria das grávidas fazem colheita para cultura de secreções vaginais, pelo que, a estar presente esta bactéria, ela é detetada antes do parto. Deve confirmar com o seu médico se fez essa cultura ou apenas a pesquisa de Streptococcus grupo B que é feita no final da gravidez.

A conjuntivite por Chlamydia trachomatis aparece entre o 5º e o 14º dias de vida e pode ir desde uma inflamação ligeira com secreção translúcida até inchaço, secreção espessa e formação de membranas sobre o olho (pseudomembranas).

Tanto num caso, como no outro, pode haver envolvimento de outros órgãos.

Há que ressalvar que a conjuntivite é, por definição, uma inflamação do olho. Por este motivo o olho nestes casos está vermelho (podemos ver se está olhando para o olho ou baixando a pálpebra inferior).

No recém-nascido e no bebé mais velho a causa mais comum é sem dúvida a bacteriana, usualmente sendo conjuntivites ligeiras e que passam mesmo sem tratamento. São causadas por outras bactérias que não as já mencionadas e que até costumam colonizar a pele, olho e nariz do bebé. É muito frequente que as conjuntivites compliquem nasofaringites (vulgo constipações) do bebé, porque o nariz comunica com o olho através do canal lácrimo-nasal. Quando este canal entope (quando o nariz está entupido), o olho não drena as suas secreções e pode aparecer a conjuntivite.

O tratamento passa pela aplicação de pomadas ou gotas antibióticas oculares (as mais comuns são o ClorocilⓇ e o FucithalmicⓇ) e pela limpeza e desobstrução do nariz. Deve marcar consulta com o seu médico; nestes casos não necessita de ir à urgência.

As conjuntivites também podem ser causadas por vírus, sendo estas mais comuns nas crianças que frequentam a escola e dão alguns sinais, como por exemplo o facto de que não melhoram tão rapidamente depois de iniciar as pomadas/gotas ou dão dor no olho. Deve sempre pedir observação médica nestes casos.

Uma causa muito comum de não melhoria de uma conjuntivite é a utilização errada das pomadas ou gotas, por não terem indicação ou serem usadas em doses inferiores às desejadas. Não deve evitar utilizar estes medicamentos sem indicação médica.

Obstrução do canal lácrimo-nasal

O canal lácrimo-nasal liga o olho ao nariz e é a razão pela qual fungamos quando choramos, porque é por onde passam as lágrimas.

A obstrução deste canal pode acontecer no bebé com menos de um ano (5%) porque o canal ainda não se formou completamente.

Estes bebés têm secreções acumuladas no olho que se mantêm mesmo depois da limpeza, geralmente sem que o olho fique vermelho. Estas secreções começam a ser notadas nos primeiros dias de vida.

A maior parte dos casos (90%) resolve no primeiro ano de vida e para ajudar à resolução deve ser feita massagem do canal lácrimo-nasal. Esta massagem deve ser feita 3-4 vezes por dia, com o nosso dedo mindinho, desde o canto interno do olho, ao longo da borda do nariz e depois ao longo do osso de dentro para fora. Podemos aproveitar as alturas em que está a mamar para fazermos a massagem, porque o bebé estará mais confortável.

No bebé com mais de um ano a causa mais frequente de remela persistente é a conjuntivite infecciosa.

Acordar com o olho “colado” ou cheio de remelas pode ser muito incomodativo tanto para o bebé, como para os pais e por isso é muito importante limpar frequentemente e procurar o seu médico quando necessário.

Suplementos de vitaminas e minerais nas crianças: sim ou não?

Suplementos de vitaminas e minerais nas crianças: sim ou não?

Como pais preocupamo-nos sempre muito se os nossos filhos estão a receber a quantidade de vitaminas suficiente e se não vão ficar prejudicados se não suplementarmos a alimentação.

É por isto que é muito comum nas consultas de Pediatria e até nas urgências perguntar ao médico por umas vitaminas que a criança pudesse tomar.

A verdade é que não é assim tão difícil ingerir as vitaminas necessárias na alimentação; até naquelas crianças que são “esquisitas para comer” ou “picky eaters”, basta que comam cereais com leite ao pequeno-almoço (que a maior parte das crianças come), que ingerem logo quantidades adequadas de vitamina B, D, cálcio e ferro.

O maior problema com a utilização de multivitamínicos é que é impossível saber que doses de vitaminas são ingeridas pela criança na alimentação mas que, ma maioria dos casos, são doses adequadas. Assim, ao oferecer um suplemento extra, arriscamo-nos que a criança tome doses para além da dose diária recomendada de algumas vitaminas.

Há que salientar que as hipervitaminoses existem e têm consequências, afetando a visão, a formação do Sistema Nervoso Central, a ossificação e o metabolismo.

As vitaminas podem ser importantes se:

A criança tem menos de um ano

Neste caso deve fazer um suplemento de vitamina D, na dose de 400 UI por dia; geralmente este suplemento é oferecido em gotas e a dose depende da formulação. Este suplemento é importante desde o nascimento, sendo habitualmente iniciado aos 15 dias de vida.

A criança evolui mal de peso ou comprimento/estatura

De acordo com indicação médica.

A criança tem uma doença crónica específica (nomeadamente do aparelho digestivo) ou alergias alimentares:

Nestes casos há um seguimento médico dirigido à doença da criança e deverá haver uma recomendação médica específica neste sentido.

A criança cumpre dieta vegetariana estrita, dependendo do planeamento da mesma

É possível planear uma dieta vegetariana para oferecer à criança todas as vitaminas e minerais que necessita, variando os alimentos e estudando os que são mais ricos em determinadas vitaminas; a maior preocupação nestes casos é com a vitamina B12, vitamina D e iodo. Nestes casos deve abordar o tema com o seu médico. Existem cursos de formação para pais nesta área, que poderão ser úteis.

No lactente que foi prematuro

A necessidade de suplementação depende da fase de gravidez em que nasceu e a duração depende da evolução e deve ser mantido conforme indicação do médico que segue a criança.

Dos minerais aquele que é relevante para este efeito é o ferro, que deve ser suplementado se:

A criança amamentou exclusivamente até aos 6 meses

A biodisponibilidade do ferro no leite materno é baixa, pelo que deve iniciar ferro a partir dos 6 meses na dose de 1 mg/kg/dia e manter até aos 6 meses ou até atingir a DDR de 11 mg/dia. É difícil atingir apenas com a ingestão de carne, dado que 100 g tem aproximadamente 1 mg de ferro mas há vários alimentos ricos em ferro, como o feijão e os espinafres; o leite de fórmula e cereais dos lactentes são também suplementados. A suplementação deve ser sempre efetuada de acordo com indicação médica.

A criança tem doenças específicas, por exemplo anemia

Neste caso há um seguimento médico regular dirigido à doença e deve haver uma recomendação médica específica nesse sentido.

No lactente que foi prematuro

A necessidade de suplementação depende da fase de gravidez em que nasceu e a duração depende da evolução e deve ser mantido conforme indicação do médico que segue a criança.

Lembre-se que os suplementos vitamínicos para crianças foram produzidos para as agradar e muitas vezes são doces, pelo que deve ter o cuidado de guardar os frascos e caixas fora do alcance da criança.

Por outro lado, a suplementação em vitaminas não pode compensar uma dieta pobre ou desequilibrada. O mais importante é equilibrar a alimentação da criança e planeá-la para promover um estilo de vida saudável.

Como medir e tratar a febre

Como medir a temperatura do bebé e como tratar a febre

Hoje em dia existem tantos modelos de termómetro que o difícil é escolher. Às vezes a melhor escolha é a mais simples. Outras vezes não tanto …

A medição da temperatura é importante sempre que a criança tem febre, porque é o registo das temperaturas, do intervalo de tempo entre picos febris e da evolução ao longo do tempo que permite ao médico perceber a situação e chegar a um diagnóstico e, portanto, a um tratamento adequado.

Tradicionalmente a temperatura era medida rectal em todas as crianças pequenas (ou seja abaixo dos 2 anos), por isso este método continua a ser considerado o padrão (foi o método utilizado na maioria dos estudos sobre temperatura nas crianças). Isso não significa que seja o método mais adequado. Para além de desconfortável para a criança, a temperatura rectal muda lentamente e as medições estão dependentes do posicionamento do termómetro.

A temperatura axilar é a mais fácil de medir mas a pior escolha em termos de medição porque exige medições prolongadas (cerca de 4 minutos) e é facilmente alterada pela temperatura ambiente. No entanto, é a forma de medição recomendada em recém-nascidos pela Associação Americana de Pediatria, pelo risco (apesar de baixo) de perfuração rectal nesta idade com posicionamento incorrecto do termómetro.

A temperatura oral, medida com termómetro clássico ou com os mais modernos termómetros de chucha, deve ser medida com a língua para baixo durante 3-4 minutos, o que facilmente se compreende que é uma tarefa difícil nas crianças e é alterada pela ingestão de alimentos ou líquidos e pela respiração bucal. Os termómetros de chucha não foram aferidos quanto à sua precisão.

A temperatura timpânica é a melhor escolha porque estes termómetros são os mais precisos. Por outro lado é fácil e rápida de medir. Ao contrário do que se pensava, esta temperatura não é alterada pela presença de uma otite, cera dos ouvidos ou choro. O problema com a medição de temperatura timpânica na criança é que o canal auditivo até aos 2 anos é estreito e torna as medições menos precisas.

A temperatura frontal (ou “termómetros de testa”) não foi aferida mas parece aproximar-se da temperatura axilar. Os estudos que abordam esta forma de medição chegaram à conclusão que estes termómetros são mais precisos que os timpânicos e portanto esta poderá ser a melhor escolha, embora os dados ainda sejam insuficientes.

Tipo de
medição de temperatura
Febre se…
Rectal
 >= 38.5 ºC
Axilar
>= 38 ºC
Oral
>= 38.5 ºC
Timpânica
>= 38.5 ºC
Frontal
>= 38 ºC

Dado que a maioria dos estudos se baseou nas formas clássicas (rectal e axilar) de medição de temperatura, continua recomendado hoje em dia medições de temperatura rectal até aos 2 anos e axilar ou timpânica a partir daí. No entanto pode-se utilizar a temperatura axilar ou timpânica até aos 2 anos como rastreio (confirmando com rectal).

Pessoalmente, acho muito difícil manter medições de temperatura rectal até aos 2 anos, principalmente pelo desconforto da criança; a minha recomendação é medir a temperatura rectal até aos 3 meses e a partir daí medir a temperatura timpânica (se possível) ou axilar. Podem ser utilizados outros modelos de termómetro, desde que sejam confirmadas as medições se a criança tiver febre.

Temperaturas entre 37.5 ºC e 38 ºC (axilar ou frontal) ou 38-38.5 ºC (rectal, oral ou timpânica) não constituem febre mas são temperaturas mais elevadas que o habitual, dado que o corpo humano usualmente tem uma temperatura de 37 ºC. Se o seu bebé tem menos de 3 meses estas temperaturas já são significativas e deve contactar o seu médico. Se o seu bebé tem mais de 3 meses pode vigiar a temperatura e observar se desce por si ou se continua a subir até ser febre.

E se tem febre?

Quando a criança tem febre, salvo raras exceções em crianças com doenças crónicas e específicas, deve administrar um antipirético. Em Portugal o antipirético de eleição é o paracetamol, que deve ser dado na dose de 15 mg/kg/dose até 6/6 horas.

Pode dar banho à criança para descer a temperatura mas apenas depois de dar o antipirético; o banho deve estar à temperatura habitual e nunca deve ser frio (para evitar o choque térmico e a reação do corpo excessiva de produção de calor).

Deve despir a criança (muitas vezes dizemos aos pais para deixar só o body ou a t-shirt ou até deixar de fralda). Não deve aquecer o quarto onde se encontra a criança.

Não se esqueça de oferecer líquidos para evitar a desidratação

A febre é uma manifestação comum nas crianças e, na maioria das vezes, é causada por infeções. Nas crianças 90% das infeções são virais, ou seja, não podem nem devem ser tratadas com antibióticos e, na generalidade, apenas precisam de “medidas gerais”. É o próprio sistema imunitário que combate os vírus e raramente existe um tratamento específico.

Nos bebés com menos de 3 meses a febre pode ser um sinal preocupante e, por esse motivo, deve sempre contactar o seu médico. A partir dos 3 meses pode ver como o bebé se comporta e contactar o seu médico se a febre persistir mais do que 3 dias, se for alta (superior ou igual a 39ºC), se lhe parecer que a criança não está bem (se estiver prostrada ou muito irritada) ou se a febre se fizer acompanhar de outros sintomas como dificuldade em respirar, vomitar persistentemente, manchas ou borbulhas pelo corpo, dores de cabeça intensas.

Se está preocupada com o seu bebé deve contactar o seu médico e recorrer a observação médica, se assim lhe for indicado. Às vezes preocupamo-nos sem motivo para isso, especialmente quando é a primeira vez que o nosso bebé tem febre. Se assim for contacte o seu médico; mais vale pecar por excesso que por defeito.

Como organizar a caixa dos medicamentos do bebé

O que é obrigatório ter na caixa dos medicamentos para a criança?

Todos nós temos em casa uma caixinha ou um armário onde guardamos aqueles medicamentos e utensílios a utilizar em S.O.S. se a criança se magoar ou ficar doente.

Não é nada engraçado quando a meio da noite acontece alguma coisa e não temos este ou aquele medicamento e lá temos de ir em busca de uma Farmácia de serviço, que hoje em dia são cada vez menos e podem estar a quilómetros de casa.

Podemos facilitar um bocadinho a nossa vida garantindo que temos sempre o básico.

E em que consiste o básico?

Paracetamol

Deve ter sempre em casa paracetamol em supositório ou em xarope com dosagem adequada ao peso do seu filho (15 mg/kg/dose até 6/6 horas).

Ibuprofeno

Se o seu bebé tiver mais de 6 meses, já pode utilizar ibuprofeno nos intervalos do paracetamol se tem febre com intervalos mais curtos que as 6 horas; pode utilizar também para inflamações, mas deve consultar sempre o seu médico antes; a dose é 5-10 mg/kg/dose até 8/8 horas.

Soro de rehidratação oral

Se o seu bebé vomitar ou tiver diarreia, deve tomar 200 mL de cada vez que perde líquidos (vómitos ou dejeções) de soro de rehidratação; estes soros podem ser comprados em pó e reconstituídos com água ou já como líquido (mas atenção que, neste caso, duram menos tempo).

Probiótico

Existem vários disponíveis no mercado e devem ser usados quando a criança tem diarreia ou quando toma antibióticos, embora deva sempre consultar o seu médico antes de usar; podem ser adquiridos como pó ou em gotas.

Colher doseadora

Qualquer administração de medicamentos vai exigir uma colher doseadora; não dê ao seu filho doses aproximadas de medicamentos utilizando colheres de sopa (por exemplo); as colheres são todas diferentes e podemos estar a dar doses mais altas ou mais baixas, possibilitando a ocorrência de reações adversas ou toxicidade ou ausência de eficácia.

Pensos rápidos

Qualquer ferida ou corte deve ser protegido por um penso rápido, exceto nas mãos nos bebés com menos de 3 anos, que levam as mãos à boca e podem aspirar o penso.

Desinfetante

São essenciais nas feridas e existem vários tipos, os baseados em iodo (BetadineⓇ), a água oxigenada e a clorexidina. Os desinfetantes baseados em iodo não devem ser usados nos recém-nascidos, porque podem interferir com o funcionamento da glândula tiroideia. Em geral a clorexidina (existe para pele e para mucosas) é menos irritante que a água oxigenada, eficaz e segura em qualquer idade.

Compressas esterilizadas

Para desinfeção de feridas.

Adesivo castanho

Ligaduras

Podem ser utilizadas para manter na posição pensos feitos com adesivo e compressas e são especialmente importantes nas zonas de articulações (cotovelos, joelhos, tornozelos), nas mãos e pés.

Termómetro

É essencial para medir a temperatura; não serve de nada a um médico ouvir que tinha febre porque a mãe ou o pai sentiu a criança quente. Essa sensação é subjetiva e pode não ser verdadeiramente febre, além de que a temperatura e a frequência nos dá muita informação sobre o diagnóstico. Vamos procurar saber se está a aumentar a temperatura ou a melhorar e se os intervalos entre picos de febre estão a diminuir ou aumentar. Ajuda muito ter um registo escrito das temperaturas e das horas.

Aspirador nasal

São muito comuns os aspiradores que a mãe ou o pai aspiram com a boca, colocando a outra ponta no nariz do bebé e que têm um filtro entre as duas pontas. É importante nas crianças pequenas que ainda não se conseguem assoar. Há que dizer, no entanto, que aspirar frequentemente o nariz pode inchar a mucosa e piorar a situação. Por esse motivo só se deve aspirar quando a criança tem obstrução nasal, até 3-4 vezes ao dia.

Soro fisiológico

Serve para tudo: limpeza de feridas, limpeza dos olhos, lavagem do nariz; é um componente essencial em qualquer idade. Para lavagem do nariz pode utilizar em alternativa a chamada “água do mar”, que é no fundo água esterilizada e sais que é aplicada em jacto no nariz.

Creme cicatrizante para eritema das fraldas

É uma situação frequente e muito incomodativa, além de que estes cremes podem ser utilizados mesmo na ausência de irritação; é importante antes do desfralde. Alguns exemplos de cremes muito eficazes são o MitosylⓇ, o CicalfateⓇ e o EryplastⓇ; todos eles incluem zinco na sua composição, que acelera a cicatrização.

Anti-histamínico

Se a criança tiver uma picada ou uma reação alérgica pode fazer; abaixo dos 2 anos utiliza-se o dimetindeno (FenistilⓇ) e pode ser utilizada a hidroxizina (AtaraxⓇ) e a partir dos 2 anos utilizam-se os de 2ª geração – cetirizina (ZyrtecⓇ), loratadina (ClaritineⓇ), desloratadina (AeriusⓇ), que dão menos sono e têm um perfil mais seguro. Confirme com o seu médico antes de utilizar a primeira vez.

Pinça

Para retirar alguma farpa que fique presa na pele.

Os outros medicamentos devem ser adquiridos consoante a necessidade e sempre sob indicação médica. Medicamentos que não devem constar desta caixa são os xaropes para a tosse (sobretudo nas crianças pequenas, abaixo dos 2 anos, cuja tosse é ineficaz e em que estes medicamentos só fazem acumular secreções) e os antibióticos (só devem ser utilizados quando necessário e sempre por indicação e prescrição do médico; nestes incluo também os locais como os cremes e pomadas ou gotas para os olhos).

Verifique sempre o prazo de validade dos medicamentos na caixa antes de dar ao su bebé e faça limpeza e substituição regular.

Com a caixa completa sempre estamos mais tranquilos e menos susceptíveis a saídas a meio da noite para ir comprar à pressa este ou aquele que nos falta.

Como evitar e tratar as picadas de mosquito

Picadas de mosquito: o que fazer para evitar e tratar

Nesta altura do ano os mosquitos e melgas podem ser um problema, sobretudo ao fim do dia e à noite. Com o calor é difícil não ter as janelas abertas e portanto um ou outro mosquito é regra em qualquer casa portuguesa.

É difícil evitar que os nossos bebés sejam picados e as reações podem ir de uma simples borbulha, até um inchaço de grandes dimensões; com a comichão as crianças podem sobreinfectar as borbulhas.

Portanto o que fazer para prevenir as picadas?

1 – As redes mosquiteiras

Podem ser compradas para adaptação às janelas e, neste caso, protegem toda a família ou podem ser utilizadas para o berço ou alcofa, em dossel ou como cobertura do berço.

Algumas alcofas já incluem rede mosquiteira no ato de compra. Se não tiver uma rede mosquiteira, pode adquirir uma em qualquer loja de mobiliário de criança.

2 – Os repelentes para aplicação na pele

Os repelentes atuam protegendo a pele da picada de mosquito; a duração dessa proteção depende dos seus constituintes. Podem ser utilizados como spray, roll on ou pulseira.

O componente mais comum dos repelentes para crianças abaixo dos 2 anos é o citrodiol; neste caso necessitam de aplicação de 3 em 3 horas (o que, à noite, pode ser problemático). Estes repelentes podem ser utilizados a partir dos 3 meses.

Os repelentes compostos por dietil-meta-toluamida (DEET), que é um inseticida, estão indicados a partir dos 2 anos (apesar de que, segundo a Associação Americana de Pediatria, são seguros a partir dos 2 meses de idade).

Se utilizados em crianças abaixo dos 2 anos, as concentrações devem ser iguais ou inferiores a 10%. Estes repelentes devem ser aplicados 1 a 2 vezes por dia.

Os repelentes também podem ser aplicados na roupa.

3 – Os repelentes elétricos

Para os bebés abaixo dos 2 anos de idade existe a opção de repelentes ultrassónicos que libertam essência de Eucaliptus Maculata Citrodiora. Estes repelentes podem ser utilizados no quarto em que a criança se encontra, sem necessidade de ventilação. Há que ressalvar, no entanto, que diversos estudos mostraram a sua ineficácia.

Para os bebés acima dos 2 anos podem ser utilizados inseticidas em aerossol com base no DEET ou derivados como a praletrina. A ausência de recomendação abaixo dos 2 anos não tem a ver com a deteção de efeitos adversos, mas sim com a escassez de estudos nestas idades.

Em países como os Estados Unidos da América, em que os mosquitos são responsáveis por doenças graves no ser humano, o DEET é utilizado sem restrição de idade.

A concentração de inseticida nestes difusores é muito baixa (cerca de 1%) e muito inferior à dose que pode causar toxicidade. Uma opção segura é utilizar estes produtos em locais ventilados (janela ou porta aberta) e desligar antes da criança entrar no quarto.

4 – Utilizar roupas leves e claras que cubram a maior superfície corporal possível

Os mosquitos tendem a picar em áreas do corpo livres, sem roupa. Por isso a utilização de mangas compridas e calças com pé ou babygrows é a melhor roupa para a noite.

As roupas devem ser claras porque é mais fácil ver os mosquitos.

5 – Evite manter recipientes com água parada em casa

Procure evitar manter vasos com água parada.

Se tem plantas em casa, molde uma esponja própria de jardinagem ao prato do vaso; dessa forma a água fica retida na esponja mas não permite a reprodução dos mosquitos.

E depois da picada o que fazer?

1 – Aplique gelo

A picada de mosquito induz uma reação alérgica local, desencadeando a libertação de histamina por parte das nossas células de defesa.

A reação alérgica é uma forma de inflamação e a aplicação de frio pode diminuir essa inflamação. Por este motivo sentimos alívio quando aplicamos gelo.

2 – Limpe as borbulhas

Limpe com soro fisiológico pelo menos uma vez por dia e tente evitar que a criança coce. Claro que evitar que coce é mais fácil na criança mais velha.

Se coçar, não vale a pena preocupar-se, é raro haver complicações.

3 – Pode utilizar um anti-histamínico oral

É muito comum a utilização de anti-histamínicos tópicos, como o dimetindeno (FenistilⓇ gel). No entanto esta forma de aplicação está contra-indicada porque foi comprovado que hipersensibiliza a pele, podendo agravar a reação.

Os anti-histamínicos podem, sim, ser utilizados oralmente e vão desde anti-histamínicos de primeira geração, como o dimetindeno (aprovado para utilização sem restrição de idade) e a hidroxizina – AtaraxⓇ (aprovado a partir dos 2 anos), a anti-histamínicos de segunda geração como o cetirizina (ZyrtecⓇ), a loratadina (ClaritinⓇ) ou a desloratadina (AeriusⓇ), que estão aprovados a partir dos 2 anos.

4 – Procure observação médica apenas em caso de sinais de alarme

Estes sinais de alarme consistem em:

  • Infeção da zona da picada, que pode acontecer por bactérias da pele que entram na picada, sobretudo quando a criança coça; alguns sinais são inchaço ou vermelhidão que ultrapassa a zona da picada (por exemplo de metade da cara, do braço, de toda a mão), líquido amarelado a sair da picada, dor e/ou febre
  • Reações alérgicas generalizadas, que são raríssimas; alguns sinais são dificuldade em respirar, vómitos, borbulhas por todo o corpo, inchaço da boca ou da face

As picadas são comuns e estas medidas não as resolvem, apenas permitem a recuperação, que usualmente leva 5 a 7 dias.

É importante perceber que a resolução da picada em si é um processo efetuado pelo nosso organismo e que não é desencadeado nem acelerado pelo tratamento médico.

Se vai de férias para zonas tropicais estas medidas são especialmente importantes e deve informar-se sobre as doenças que podem ser transmitidas em cada área e como as evitar; algumas doenças implicam tratamentos específicos e observação numa consulta do viajante.

Diga adeus aos mosquitos e aproveite ao máximo o Verão com o seu bebé!

Hoje o tema é cocós!

Hoje o tema é cocós!

Este é um tema que gera muitas dúvidas, sobretudo porque numa fase inicial, o bebé muda muito os seus padrões alimentares e portanto também muda muito a frequência e a consistência dos cocós.

Quando o bebé parece desconfortável ficamos sem saber o que fazer.

Frequência

Um bebé que esteja a ser alimentado com leite materno faz em média 6-10 cocós por dia quando é recém-nascido; ao fim de 3 a 6 semanas passa a fazer menos vezes e aqui torna-se variável, há bebés que passam para 2-3 vezes/dia e outros deixam de fazer todos os dias passando a 1 a 2 vezes por semana.

Cada bebé é um bebé e tudo isto pode ser normal, sobretudo se o bebé parece confortável e cresce normalmente. A alteração da frequência dos cocós também é muito comum quando a alimentação é alterada, ou seja quando se introduz a fórmula ou quando se começa a diversificação alimentar.

Cor

Quando o bebé nasce, os cocós inicialmente são verde escuros a pretos e designam-se por mecónio. O mecónio é formado por líquido amniótico, muco e outros componentes que o bebé ingere ainda dentro do útero.

Aos 2 a 4 dias de vida o cocó passa a ser de transição (fezes de transição), passa a um verde mais claro e mostra que o funcionamento intestinal está a acontecer como esperado.

Quando o bebé é alimentado com leite materno, os cocós depois da fase de transição são amarelos ou verde claros e mais líquidos e pode ter pequenos pontinhos que fazem lembrar sementes. Este cocó praticamente não cheira, razão pela qual pode ser difícil perceber que é preciso mudar a fralda.

Quando o bebé é alimentado com fórmula, os cocós são amarelo-acastanhados ou verde-acastanhados ou castanhos e são mais pastosos; também cheiram mais intensamente que os cocós de leite materno e geralmente é possível perceber quando é necessário mudar a fralda.

Nos bebés que tomam ferro, os cocós ficam muito escuros, quase pretos e geralmente são mais sólidos. Esta alteração de cor é esperada.

Quando o bebé começa a diversificação alimentar o cocó passa a ser castanho, mais sólido e o cheiro é mais intenso.

Às vezes o cocó pode estar misturado com pedaços de comida não digerida e isto é normal, sobretudo nos bebés entre 1-3 anos. Nem toda a comida é digerida, sobretudo quando o trânsito intestinal é rápido e não há tempo para a digestão completa. O bebé precisa de ser observado se não crescer dentro do esperado, tanto em peso como em altura.

Diarreia

Neste caso o bebé faz pelo menos 3 cocós por dia, líquidos e há uma alteração do padrão dele. Muitas vezes, quando os bebés já fazem habitualmente cocós mais líquidos, é difícil perceber se têm diarreia e se é necessário contactar o pediatra. Se o padrão, frequência e consistência do cocó é igual à habitual, não é motivo para preocupação.

A diarreia pode acontecer por uma infeção intestinal (mais frequentemente por um vírus) ou por alergia alimentar.

Se o seu bebé tiver 3 meses ou menos deve sempre contactar um médico; se tiver mais de 3 meses reforce a ingestão (se estiver a amamentar, amamente mais vezes) e ofereça soro de rehidratação oral 200 mL por cada vez que fizer cocó. Pode também dar um probiótico para ajudar a repor a flora intestinal e a resolver a diarreia. Deve ser observado por um médico se esta situação se arrastar por mais de uma semana, se os cocós tiverem sangue misturado, se o bebé vomita e não consegue tolerar ingestão pela boca, se estiver pouco ativo, sedento e com a língua seca.

Obstipação

Acontece quando o cocó do seu bebé está duro e “às bolinhas”. Nestes casos o bebé fica muito irritado com os gases e quando faz cocó.

A obstipação geralmente surge quando se altera o leite (por exemplo de leite materno para fórmula) ou se começam a introduzir novos alimentos na altura da diversificação alimentar ou quando o bebé começa a treinar o desfralde.

Nestes casos, antes de mais nada, faça massagem na barriga do bebé pelo menos uma vez por dia e, se já tiver começado a introduzir alimentos sólidos, ofereça água ao bebé. Algumas frutas ajudam a melhorar a obstipação, como por exemplo as ameixas, as pêras e os pêssegos. É importante, na maioria dos casos, aumentar a ingestão de fibra, que está presente nos cereais e na fruta não triturada.

No bebé que apenas ingere leite ainda, se estiver a ser amamentado a única ferramenta para melhorar a obstipação é a massagem.

Se estiver a ser alimentado com fórmula pode-se optar por uma fórmula anti-obstipante (A.O.) , anti-cólica (A.C.) ou confort.

A mãe que está a amamentar deve ingerir bastante água, estando recomendado que ingira água sempre que tem sede e, se possível, 1,5 L de água por dia. Esta água é importante na produção do leite e garante a hidratação da mãe. Sem ser a água, não existem recomendações nem restrições alimentares nos casos de obstipação. A teoria de que determinados alimentos ou suplementos que a mãe come podem originar ou melhorar a obstipação dos bebés é falsa; não existe nenhuma evidência que isto aconteça.

Se a obstipação persistir depois destas medidas, o bebé deve ser observado por um médico. O mesmo se aplica se os cocós tiverem sangue, muco ou se o bebé não crescer dentro do esperado.

O importante, no fundo, é que, sejam quais forem os hábitos intestinais do seu bebé, que ele esteja confortável e a crescer dentro do esperado (avaliação essa que é feita em qualquer consulta de vigilância do bebé).