Tummy time – a importância para o bebé com menos de 6 meses

Tummy time – a importância para o bebé com menos de 6 meses

Os bebés, quando nascem, não têm força no pescoço, razão pela qual a cabeça lhes cai para a frente e não a conseguem segurar. À medida que o tempo vai passando, vão desenvolvendo os músculos do pescoço e vão aprendendo a segurar a cabeça primeiro (brevemente com 1 mês e mantido a partir dos 4 meses) e depois a levantá-la (3-4 meses).

O que é o tummy time?

O tummy time é o tempo que reservamos para colocarmos o bebé de barriga para baixo, quando acordado, para que treine os seus músculos do pescoço.

Desde quando se deve fazer?

De acordo com a Associação Americana de Pediatria, o bebé deve começar logo que vai para casa da maternidade.

Com que frequência?

Deve ser feito 2-3 vezes por dia, por períodos de 3-5 minutos. Pode ser utilizado um tapete de atividades ou tentar fazer em qualquer superfície plana, tendo cuidado que não seja alta e que o bebé não possa cair (mesmo quando são recém-nascidos, têm tendência a “empurrar-se” para a frente com os pés).

E se o bebé não gostar desta posição?

Devemos insistir à mesma e colocá-lo nessa posição 2-3 vezes por dia mesmo que apenas por 1 a 2 minutos. Vamos aumentando esse tempo de acordo com a tolerância do bebé. Podemos tentar estimular com brinquedos que façam barulho para que tenha curiosidade e se esforce a levantar a cabeça.

Algumas regras de segurança para o tummy time

Devemos garantir que utilizamos uma superfície plana, larga e baixa, preferencialmente no chão sobre uma manta/toalha ou num tapete de atividades. Não devemos deixar o bebé sozinho nesta posição e não o devemos deixar dormir, porque está associado a risco de Síndrome de Morte Súbita do Lactente.

Se o bebé está sonolento devemos virá-lo de barriga para cima e colocar no berço para dormir.

O que devemos esperar, quanto ao controlo da cabeça

Recém-nascido

Totalmente dependente do adulto para segurar a cabeça.

1-2 meses

No final do primeiro mês consegue levantar a cabeça brevemente e virá-la para os dois lados, quando está de barriga para baixo; às 6 a 8 semanas, se for muito coordenado, consegue levantar a cabeça quando está deitado de costas; quando está no nosso colo sentado, consegue levantar a cabeça brevemente.

3-4 meses

Consegue levantar a cabeça 45º e manter, quando deitado de barriga para baixo.

5-6 meses

Aos 6 meses o bebé consegue levantar a cabeça quando deitado de barriga para cima e é puxado pelos braços.

A capacidade de segurar a cabeça é utilizada por nós toda a vida para nos sentarmos, pormos de pé e andarmos. O bebé vai precisar muito de desenvolver os músculos do pescoço e de aprender a equilibrar a cabeça para todas as etapas de desenvolvimento motor, pelo que devemos estimular esta capacidade e tentar que seja o mais divertida possível.

Como organizar uma ida à praia com o bebé

O que levar para a praia com bebés?

A praia pode ser muito divertida mas também pode ser muito enervante, sobretudo com bebés entre 1 e 4 anos, que já andam e correm pela praia mas ainda não percebem a necessidade de não se afastarem muito.

Aqueles dias que conhecíamos de estarmos na praia na toalhinha, a torrar ao Sol, já nos parecem bem longínquos mas isso não significa que não nos seja possível aproveitar a praia e redescobrir algumas atividades com os nossos bebés, das quais já nem nos lembrávamos.

Há que planear muito bem o que levar para a praia e o primeiro princípio é uma mala grande! (aliás, com miúdos, são quase sempre malas grandes, seja para o que forem utilizadas)

Lancheira térmica

Precisamos sempre de levar alguma comida, que os bebés possam devorar entre brincadeiras, e água.

Água fresca

O ideal é levar um termo que tenha uma tampa de onde se possa beber, para evitar ter de levar copos de plástico que, não só têm um custo, como prejudicam o ambiente e ocupam espaço.

Snacks

É uma boa ideia levar pequenos snacks que não se estraguem com o calor, como sejam bolachas de água e sal; se levarmos lancheira, é sempre saudável e um bom hábito levarmos fruta e podemos levar também sandes; devemos evitar o fiambre ou carnes frescas na praia se não levarmos lancheira porque a exposição ao Sol estraga estas carnes e temos um risco de gastrenterite a seguir.

Toalhas de praia grandes

Para que crianças e adultos se possam sentar sem se encherem de areia, mesmo que as crianças andem por ali a correr e não se sentem um minuto na toalha.

Protetor solar

Deve ser mineral e o fator de proteção deve ser 50+ nos bebés e 30, no mínimo, para as crianças; é mais fácil aplicar o protetor em casa, porque evita confusões com a areia e cria uma rotina; além disso, nos adultos que usam protetores de absorção (não minerais), estes demoram um tempo a começar a atuar.

Moedas

Se já estamos loucos com as correrias dos bebés, estamos há 1 hora na praia e apetece-nos um gelado ou uma língua da sogra, dá jeito ter umas moedas para o vendedor ambulante.

Fraldas impermeáveis e fraldas “normais”

Se o bebé ainda não tem continência, deve usar fraldas impermeáveis quando vai à água; quando está para ir embora pode usar fraldas “normais”.

Toalhitas

Para as mudas de fralda.

Trocador de fraldas

Ajuda ter uma zona que não se enche de areia para mudar a fralda ao bebé.

Um saco impermeável com zip

Para colocar os fatos de banho à saída da praia.

Uma t-shirt para muda de roupa

Caso haja algum acidente; muitas vezes não é prático levar uma muda de roupa inteira e não tem grande mal que o bebé volte para casa de fralda; por outro lado é difícil passar o bebé por água doce na praia, encontrar um chuveiro e esquivarmo-nos a um berreiro, por isso é mais fácil voltar para casa como está; se a limpeza do carro é mesmo muito importante para nós, fica a faltar uma muda de roupa completa e uma toalha para secar.

Tenda ou chapéu de Sol

Para que a criança possa fazer uma sesta ou estar mais resguardada, o ideal é uma tenda; também é mais fácil de montar e desmontar que um chapéu. Existem tendas grandes, para toda a família e mais pequenas, para as crianças.

Brinquedos de praia

Os clássicos são o balde, pá, ancinho e peneira; permitem que o bebé fique a brincar numa zona mais limitada da praia, ao contrário do que acontece com as bolas; em dias de praia mais agitados, com muita gente, são o ideal.

Bolsa para carteira, telemóvel, documentos e chaves de casa e do carro

Ajuda que estejam guardados numa bolsa, para podermos andar atrás dos bebés e levar só estes itens, evitando que fiquem abandonados com as toalhas e tendas, com o risco que sejam levados.

Braçadeiras

Se a criança ainda não aprendeu a nadar, é mais fácil colocar as braçadeiras logo à entrada da praia porque pode ir a correr para a água e ser difícil apanhá-lo a tempo.

Braçadeiras. Imagem digital. Alibaba. Web. 6 de Agosto de 2017. <www.alibaba.com>

Chapéu

Não nos devemos esquecer que a cabeça não fica protegida pelo creme solar; mesmo que seja difícil manter um chapéu na cabeça dos nossos bebés, devemos levar.

Chinelos

O calçado deve ser o mais simples possível e na praia é para estarmos todos descalços; aos bebés andar na areia descalço ajuda à formação da arcada do pé e é uma boa atividade física.

Alguns items opcionais são:

Pano para ir à água

Existem panos de transporte de bebés, mais simples que os marsúpios, compostos pelo mesmo tecido que os fatos de banho, para que o bebé possa ir à água ao nosso colo.

Cadeira de praia para os pais

É mais relaxante estar sentado a ver o bebé mas é difícil que ele não saia da nossa área de toalhas, por isso este item não é essencial.

O mais importante é que seja um momento divertido e que não seja a mala que levámos e o que lá está que nos impeça de aproveitarmos as brincadeiras e as memórias que ficam destes dias de Verão!

Como proteger o bebé do Sol

Porque estamos no Verão … como proteger o bebé do Sol

A proteção solar é importante durante todo o ano mas principalmente nos meses quentes, isto é, de Maio a Setembro. Em Portugal o índice de radiação ultravioleta é classificado como muito alto nestes meses.

Por este motivo têm sido cada vez mais comuns as consequências adversas da exposição solar.

A pele das crianças, embora semelhante à do adulto em termos de composição, é mais delgada e mais sensível. Por este motivo as crianças têm mais facilmente queimaduras como resultado da exposição solar sem proteção cutânea. A queimadura acontece ao fim de 4 horas de exposição e o bronzeamento nas 24 a 72 horas seguintes.

As crianças ruivas, seguidas das loiras, são as mais sensíveis à exposição solar.

Que protetor solar escolher?

O protetor adequado às crianças é o mineral, que atua refletindo a luz solar, ao invés de funcionarem por absorção. A desvantagem é que se notam sobre a pele, embora este efeito esteja a ser minimizado pelo uso de processos de micronização.

A composição destes cremes é dióxido de titânio ou óxido de zinco.

O que quer dizer o fator de proteção?

Para um fator de proteção de 50, o tempo para surgir uma queimadura é 50 vezes superior ao tempo em que ela surge em pele desprotegida.

O fator de proteção mais elevado é o 50 e estes protetores usualmente têm a indicação 50+.

Nas crianças devemos procurar um fator de proteção mínimo de 30 e nos bebés é preferível 50+.

De que radiação nos devem proteger os protetores solares?

Tanto UVA como UVB, porque ambas são nocivas, a primeira originando fotoenvelhecimento e cancro e a segunda levando a queimaduras.

Atenção que o fator de proteção apenas se refere à radiação UVB, pelo que devemos sempre procurar na embalagem se também protege contra UVA.

Que outras características do protetor solar devemos procurar?

Devemos estar atentos se é resistente à água, sendo que poderão estar classificados como water resistant (resiste a 2 banhos de 20 minutos) e very water resistant (resiste a 4 banhos de 20 minutos).

Que horário devemos escolher se formos à praia com bebés?

Devemos evitar as horas do calor, entre as 11h e as 16h.

Existe alguma idade em que seja desaconselhada a exposição ao Sol?

Sim, deve ser evitado ao máximo exposição solar direta até aos 6 meses, pelo menos, e, de preferência, até aos 12 meses.

Para este efeito devemos utilizar protetores físicos quando vamos passear com o bebé, nomeadamente coberturas para o carrinho e capotas. Como estas coberturas devem ser soltas para permitir a ventilação adequada do carrinho e do bebé, é impossível evitar completamente a exposição solar direta, pelo que, mesmo nestes bebés, podemos utilizar um creme de proteção.

Pesquisando coberturas completas para o carrinho, existe a cobertura de ajuste universal da Munchkin, que refere bloqueio de 98% de raios UV, com malha respirável e abertura dianteira para acesso ao bebé. O maior problema é que, a partir dos 2-3 meses, os bebés não costumam gostar de estar atrás de uma cobertura e de não verem nada. Por isso as cortinas costumam ser uma boa opção mas há sempre alguma luz solar que passa, porque voam ou não ajustam na perfeição ao carrinho.

Que outros cuidados devemos ter?

Tentar usar roupas que tapem o máximo possível a pele (manter as t-shirts ou utilizar fatos de surf ou t-shirts aquáticas) e usar chapéu (o couro cabeludo não fica protegido pelo creme).

Se a criança utilizar óculos de sol, devem ter capacidade de filtração de radiação e não serem “de brincar”. Os “de brincar” escurecem o que as crianças vêem, de modo que mais facilmente olham para áreas com grande intensidade de radiação, que as incomodariam se não usassem os óculos.

Devemos ter particular atenção às viagens de automóvel; podemos utilizar telas protetoras e às vezes os vidros dos carros são escurecidos mas a proteção nunca é muita, pelo que devemos utilizar a capota e cobrir com uma fralda, sobretudo em viagens longas.

Aproveitem o Sol em segurança!

Como organizar as sestas do bebé

A importância das sestas do bebé

Dormir é tão importante para o bebé como comer. Foi a conclusão de um estudo recente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Por isto é importante deixar que os bebés durmam tudo o que precisam e sobretudo não os manter acordados para que durmam melhor à noite. Estas indicações mantêm-se até aos 5/6 anos de idade e foram emitidas recomendações neste sentido às escolas pela SPP.

Se o seu bebé já vai à escola, confirme junto das educadoras se fazem períodos de sesta.

É importante salientar que, a partir dos 4 anos, a necessidade de fazer a sesta varia de criança para criança e deve ser avaliada pela educadora em conjunto com os pais.

O sono é importante para o desenvolvimento cognitivo da criança e a SPP concluiu que a privação da sesta conduz a problemas na regulação do humor, alterações cognitivas, do comportamento e da mobilidade. Algumas consequências possíveis são o fraco rendimento escolar, perturbação de hiperatividade e défice de atenção, ansiedade e depressão e alterações da dinâmica familiar.

Dormir as horas de sono necessárias desde cedo na vida está associado a um melhor perfil cognitivo aos 6 anos, sobretudo a inteligência não verbal, não parecendo afetar a compreensão.

Por este motivo este assunto é muito importante na promoção do desenvolvimento e bem estar físico e psíquico dos nossos bebés.

Duração e organização das sestas

Os recém-nascidos não têm padrões de sono organizados e, na generalidade, dormem períodos de 2-4 horas de cada vez. Só por volta das 6 a 8 semanas começam a fazer períodos mais prolongados de sono, dormindo mais de cada vez, mas menos vezes. Nesta idade habitualmente precisam de 2-4 sestas por dia, por vezes mais.

Aos 3 a 4 meses os bebés começam a ter um padrão mais previsível de sono durante o dia e a ter aquilo que se chama de sestas organizadas. Nesta fase é importante tentarmos que o bebé faça sestas nas mesmas alturas do dia, para que se adapte a uma rotina; alguns bebés fazem sestas mais prolongadas, outros seguem um padrão mais irregular e fazem sestas mais curtas.

Aos 6 meses os bebés fazem geralmente 3 sestas ao dia: uma no início da manhã, uma no início da tarde e outra ao fim da tarde. Aos 9-12 meses reduzem para duas sestas ao dia: uma de manhã e outra à tarde e aos 18 meses fazem apenas uma sesta à tarde.

Estratégias para organizar as sestas do bebé

Ler os sinais

Quando o bebé começa a esfregar os olhos e a ficar agitado ou adormece sempre à mesma hora, já nos indica a hora em que está pronto para dormir. Ajuda registar os horários destes sinais e das sestas durante 2 semanas. Nas alturas em que mostra estes sinais, podemos embalar para que adormeça antes de ficar demasiado cansado e rabugento.

Manter uma rotina consistente

Devemos tentar que os horários em que os embalamos para dormirem a sesta sejam sempre os mesmos; da mesma forma devemos evitar fazer atividades que colidam com o horário da sesta. Se o bebé está na escola, devemos seguir o horário da sesta que faz durante a semana.

Não dramatizar quando há interrupções

É impossível pôr toda a rotina da casa a rodar todos os dias à volta do horário da sesta, sobretudo se viverem outras crianças na mesma casa; se num dia a sesta não é feita ou começa mais tarde, não há problema; com uma rotina consistente facilmente conseguiremos voltar ao horário que estabelecemos.

Ter um ritual da sesta

Geralmente este ritual é mais curto que o que fazemos antes de ir dormir; pode incluir por exemplo ler uma história e depois embalar.

O que fazer na hora da sesta?

  • Pôr o bebé a dormir no berço ou alcofa de barriga para cima: exatamente como fazemos à noite.
  • Diminuir a luminosidade no quarto: baixar o estore ou persiana ou correr a cortina, aproximando o mais possível do ambiente noturno.
  • Certificar que as roupas com que dorme são confortáveis e adequadas à temperatura ambiente: não é necessário vestir o pijama.
  • Fazer atividades calmas antes da hora da sesta: devemos evitar som alto ou brincadeiras muito estimulantes.
  • Pôr o bebé no mesmo sítio onde dorme à noite, se possível: desta forma o bebé vai associar o berço/alcofa à hora de dormir.
  • Em viagens ou saídas de casa na hora da sesta, levar os objetos que o bebé associa à sesta: como livros de histórias ou bonecos.
  • Evitar que o bebé atinja uma fase de cansaço antes de iniciar o ritual da sesta: quando estão muito cansados alguns bebés não conseguem adormecer.

Se as sestas forem sempre curtas (menos de 1 hora), não é necessário preocupações, desde que o bebé não esteja agitado, irritado ou difícil durante as horas em que está acordado.

Se o bebé não dorme praticamente nada e não faz sestas, não é motivo para nos culpabilizarmos. Tudo o que devemos fazer é oferecer ao bebé a oportunidade de dormir sempre que precisa e num horário consistente. Se o bebé não dorme mas está bem disposto durante o dia, provavelmente não precisa desse período de sono.

Os bebés que dormem melhor de dia, dormem melhor à noite?

A verdade nesta afirmação está no facto de que as crianças que ficam exaustas, apesar de estarem muito cansadas não conseguem adormecer e acabam por chorar e ficar muito agitadas antes de adormecerem. Por este motivo, as crianças que não dormiram o que precisavam durante o dia, mais facilmente estarão cansadas à noite e ultrapassam este limiar em que se torna mais difícil adormecerem. Como adormecem mais dificilmente também dormem menos.

Esta sequência de acontecimentos acaba por levar a um ciclo vicioso.

No entanto, esta afirmação é falsa na medida em que um bebé que durma pouco de dia mas que esteja sempre bem disposto, provavelmente não precisa de mais sono durante o dia e em nada afeta o seu sono à noite.

Duração do sono nas 24 horas por idade

A duração de sono é variável de bebé para bebé. A Associação Americana de Pediatria descreve o número de horas em média para cada grupo etário mas os bebés não se comportam todos da mesma maneira nem sabem ver as horas, pelo que não há motivo para preocupações se o bebé estiver bem disposto e calmo durante o dia, mesmo que durma menos do que o que indico abaixo.

  • Recém-nascidos: 8h30 à noite, cerca de 3 sestas totalizando 7 horas de sono de dia; um total de 15h30 nas 24 horas.
  • 3 meses: 10 horas de sono à noite, 3 sestas por dia totalizando 5 horas de sono; um total de 15 horas de sono.
  • 6 meses: 11 horas de sono à noite, 2 sestas por dia totalizando 3h15 de sono; um total de 14h15.
  • 9 meses: 11 horas de sono à noite, 2 sestas por dia totalizando 3 horas; um total de 14 horas de sono.
  • 12 meses: 11h15 de sono à noite, 2 sestas totalizando 2h30; total de 13h45 de sono.

Em conclusão, a nossa obrigação como pais é certificarmo-nos que damos ao bebé as condições necessárias para dormir o que precisa, nomeadamente desenvolver rotinas e rituais de sono e oferecer ao bebé um lugar calmo para dormir, ao qual esteja acostumado. Se o bebé não dorme tudo o que está tabelado, não nos devemos culpabilizar. Não podemos fazer mais nada e, se o bebé está bem disposto, não há razão para pensar que precise de mais horas do que as que está a dormir.

Aqui por casa, aos praticamente 3 mesinhos, temos a sorte de passar noites descansadas de 9 horas e fazer uma sesta entre as 9h e as 11h. Mas o resto do dia é uma festa! Não há quem feche o olho mais de 15 minutos seguidos!

Como tratar as remelas do bebé

As remelas e os bebés

As remelas são um problema muito comum nos bebés e podem ou não precisar de tratamento.

A remela é uma secreção ocular que se acumula no canto interno do olho, parcialmente dessicada e que notamos mais de manhã, logo a seguir ao bebé acordar.

Remela. Imagem digital. New-Kids Center. Web. 3 de Agosto de 2017. <www.newkidscenter.com>

 

A formação desta secreção é normal e resulta do processo de limpeza do olho, que “expulsa” as impurezas que ali foram parar durante o dia.

Cuidados a ter com os olhos

A limpeza dos olhos deve ser feita uma vez ao dia ou mais, com uma compressa humedecida com água ou soro fisiológico, que deve ser aplicada no canto interno do olho e depois passada suavemente sobre o olho fechado de dentro para fora. Se notar que o olho tem remela durante o dia, deve limpar mais frequentemente, 3-4 vezes por dia.

Quando esta secreção está sempre presente, mesmo ao longo do dia e apesar de sucessivas limpezas, pode ter outras causas não habituais ou fisiológicas.

No bebé até aos 12 meses poderá tratar-se de:

Conjuntivite química

Tem-se tornado cada vez menos frequente após o parto, embora ainda possa acontecer. Resulta do contacto do olho com químicos, nomeadamente o nitrato de prata que era aplicado no olho para prevenção das conjuntivites bacterianas. Hoje em dia o nitrato de prata já não é utilizado para esta finalidade.

No recém-nascido costuma aparecer no primeiro dia de vida e pode manter-se durante 2 a 4 dias.

Também pode acontecer no bebé mais velho por contacto do olho com outros químicos, embora, com todos os cuidados que temos com os olhos, seja raro.

Conjuntivite infecciosa

A conjuntivite bacteriana é uma doença frequente e pode acontecer a seguir ao parto ou em qualquer fase de vida do bebé. No recém-nascido pode ser causada por bactérias que estão presentes no canal de parto e que podem gerar infeções graves. Por isso estes bebés devem ser sempre observados por um médico. As duas bactérias mais “perigosas” neste contexto são o gonococo e a Chlamydia trachomatis.

A conjuntivite por gonococo aparece entre o 2º e o 7º dia de vida e é francamente purulenta, com secreções espessas e, por vezes, sanguinolentas e inchaço do olho. Hoje em dia a maioria das grávidas fazem colheita para cultura de secreções vaginais, pelo que, a estar presente esta bactéria, ela é detetada antes do parto. Deve confirmar com o seu médico se fez essa cultura ou apenas a pesquisa de Streptococcus grupo B que é feita no final da gravidez.

A conjuntivite por Chlamydia trachomatis aparece entre o 5º e o 14º dias de vida e pode ir desde uma inflamação ligeira com secreção translúcida até inchaço, secreção espessa e formação de membranas sobre o olho (pseudomembranas).

Tanto num caso, como no outro, pode haver envolvimento de outros órgãos.

Há que ressalvar que a conjuntivite é, por definição, uma inflamação do olho. Por este motivo o olho nestes casos está vermelho (podemos ver se está olhando para o olho ou baixando a pálpebra inferior).

No recém-nascido e no bebé mais velho a causa mais comum é sem dúvida a bacteriana, usualmente sendo conjuntivites ligeiras e que passam mesmo sem tratamento. São causadas por outras bactérias que não as já mencionadas e que até costumam colonizar a pele, olho e nariz do bebé. É muito frequente que as conjuntivites compliquem nasofaringites (vulgo constipações) do bebé, porque o nariz comunica com o olho através do canal lácrimo-nasal. Quando este canal entope (quando o nariz está entupido), o olho não drena as suas secreções e pode aparecer a conjuntivite.

O tratamento passa pela aplicação de pomadas ou gotas antibióticas oculares (as mais comuns são o ClorocilⓇ e o FucithalmicⓇ) e pela limpeza e desobstrução do nariz. Deve marcar consulta com o seu médico; nestes casos não necessita de ir à urgência.

As conjuntivites também podem ser causadas por vírus, sendo estas mais comuns nas crianças que frequentam a escola e dão alguns sinais, como por exemplo o facto de que não melhoram tão rapidamente depois de iniciar as pomadas/gotas ou dão dor no olho. Deve sempre pedir observação médica nestes casos.

Uma causa muito comum de não melhoria de uma conjuntivite é a utilização errada das pomadas ou gotas, por não terem indicação ou serem usadas em doses inferiores às desejadas. Não deve evitar utilizar estes medicamentos sem indicação médica.

Obstrução do canal lácrimo-nasal

O canal lácrimo-nasal liga o olho ao nariz e é a razão pela qual fungamos quando choramos, porque é por onde passam as lágrimas.

A obstrução deste canal pode acontecer no bebé com menos de um ano (5%) porque o canal ainda não se formou completamente.

Estes bebés têm secreções acumuladas no olho que se mantêm mesmo depois da limpeza, geralmente sem que o olho fique vermelho. Estas secreções começam a ser notadas nos primeiros dias de vida.

A maior parte dos casos (90%) resolve no primeiro ano de vida e para ajudar à resolução deve ser feita massagem do canal lácrimo-nasal. Esta massagem deve ser feita 3-4 vezes por dia, com o nosso dedo mindinho, desde o canto interno do olho, ao longo da borda do nariz e depois ao longo do osso de dentro para fora. Podemos aproveitar as alturas em que está a mamar para fazermos a massagem, porque o bebé estará mais confortável.

No bebé com mais de um ano a causa mais frequente de remela persistente é a conjuntivite infecciosa.

Acordar com o olho “colado” ou cheio de remelas pode ser muito incomodativo tanto para o bebé, como para os pais e por isso é muito importante limpar frequentemente e procurar o seu médico quando necessário.

Picos de crescimento: poderão ser um mito?

Picos de crescimento: poderão ser um mito?

Os picos de crescimento são alturas em que o bebé cresce mais rapidamente e aumenta tanto de peso, como de comprimento, como de perímetro cefálico.

É importante perceber que o crescimento dos bebés não é linear (apesar de ser assim representado nas curvas de crescimento) mas sim por “saltos”, ou seja, existem alturas em que o bebé cresce mais e outras em que estabiliza. As curvas de crescimento são representações gráficas das medidas de uma amostra de bebés em pontos exactos no tempo (0 meses, 1 mês, 2 meses e por aí fora) e esses “saltos” acontecem nos intervalos desses pontos, pelo que não são identificáveis nas tabelas.

Os picos de crescimento existem, no sentido em que o crescimento se comporta desta forma irregular. Geralmente nesta fase a evolução nas medidas é rápida e a roupa deixa rapidamente de servir. No entanto é impossível saber se estão associados a alterações do comportamento, sono ou alimentação.

Existe a hipótese de que as alterações da rotina e comportamento dos bebés possam coincidir com estes períodos de crescimento mais rápido.

Sinais que o bebé poderá estar num desses “picos de crescimento”

Alimentam-se mais

Quando estão a ser amamentados podem mamar durante mais tempo e quando se alimentam de fórmula para lactentes, podem parecer ainda ter fome no fim. Também podem querer alimentar-se mais frequentemente. Nalguns bebés não há manifestações que estejam num pico de crescimento.

Alteram os padrões de sono

Podem dormir mais, acordar menos à noite ou fazer mais sestas; a maioria dos estudos mostra que os bebés podem dormir mais 4h30 que o usual durante um a dois dias. Alguns bebés fazem o oposto, acordam mais vezes à noite e fazem sestas mais curtas.

Ficam mais agitados e carentes de atenção

Podem pedir mais colo ou estar mais agitados em alturas em que usualmente estavam mais calmos.

Quando é mais frequente acontecerem?

Podem acontecer em qualquer altura do crescimento e é impossível saber em que fase acontecem para cada bebé. São mais frequentes, segundo alguns autores, às 2 semanas, 3 semanas, 6 semanas, 3 meses e 6 meses (ou seja nestas fases o crescimento é mais rápido).

Quanto tempo duram?

Usualmente estas alterações de comportamento duram entre 3 a 7 dias.

A verdade é que muitos bebés têm estas alterações de comportamento às vezes durante 3-7 dias e outras vezes mais persistentes e é impossível saber porquê. Poderá ser por um aumento da utilização de energia para crescer, sim. Mas também poderá ser outra razão que não essa.

Ainda sabemos muito pouco sobre o que leva um bebé a comportar-se de forma diferente e não existe evidência que ligue estas alterações ao crescimento.

Cuidar de um bebé implica ajustar a nossa atitude ao comportamento do bebé, que não é sempre igual e é de tal forma único, que muitas vezes o que fazemos a um bebé resulta e noutro da mesma idade não. E perceber que ainda temos dificuldade a perceber os bebés, por muito que tentemos interpretar as pistas que nos dão. Temos de ir tentando entender o nosso bebé, que ninguém conhece tão bem como nós e viver um dia de cada vez.

Como colocar o bebé a arrotar

E se o bebé não arrotar?

Quando o bebé se alimenta colocamos a arrotar algures durante ou depois de comer. O arroto permite ao bebé libertar o ar que engoliu ao comer e melhora o desconforto.

Nem todos os bebés precisam de arrotar e também não precisam sempre. Depende da quantidade de ar que engoliram. Se o bebé estiver desconfortável devemos colocar em posição de arrotar e aguardar.

Quando é que o bebé precisa de arrotar?

Quando está desconfortável e agitado.

Quando é que o bebé não precisa de arrotar?

Se estiver calmo durante e depois da alimentação. Alguns bebés engolem pouco ar e não precisam de arrotar, especialmente nos bebés que amamentam.

Se o bebé adormece durante a alimentação não é necessário colocar em posição de arrotar.

Podemos fazer alguma coisa para evitar o desconforto que leva o bebé a arrotar?

Sim, podemos tentar que engula menos ar. Nos bebés que amamentam podemos tentar que façam uma boa pega e que estejam confortáveis de modo que não tenham de largar e pegar na mama.

Nos bebés que ingerem fórmula por biberão, existem tetinas que limitam a quantidade de ar que o bebé engole; é importante que a tetina tenha um orifício pequeno mas não tão pequeno que o bebé tenha de se esforçar muito para puxar o leite. Por outro lado também existem formatos de biberão angulados de forma a limitar a entrada de ar. Antes de oferecer o biberão ao bebé devemos esperar que a mistura do pó com a água “acalme” depois de agitar (ao agitar entram bolhas de ar, que saem logo a seguir).

Em que fase da alimentação devemos colocar o bebé a arrotar?

Depende do desconforto do bebé. Nos bebés que amamentam, se estiver desconfortável, podemos colocar a arrotar e depois voltar a oferecer a mesma mama ou colocar a arrotar quando troca de mama. Se o bebé se mantiver confortável enquanto amamenta, devemos colocar a arrotar no fim, a menos que tenha adormecido.

Os bebés que se alimentam de fórmula para lactentes devem ser colocados a arrotar sempre que estiverem desconfortáveis e no fim.

E se não arrotar?

Para além de poder manter algum desconforto, não há nenhuma outra consequência. O arroto serve o propósito único de libertar o ar que engoliu. O ar na barriga apenas pode dar alguma distensão.

Quanto tempo devemos esperar que o bebé arrote?

Estes tempos não estão definidos mas, atendendo ao facto de que não há consequências graves se não arrotar, podemos esperar entre 5 e 20 minutos. O bebé pode arrotar muito tempo depois de se ter alimentado, às vezes horas depois.

E se o bebé regurgitar sempre que arrota?

Todos os bebés têm algum refluxo entre o estômago e o esófago e nestes, alguns deitam leite fora pela boca. Neste caso devemos manter o bebé em posição elevada durante 20 a 30 minutos, para que não se engasgue. Pode também manter a cabeceira do berço elevada, utilizando uma cunha por baixo do colchão e nunca uma elevação por cima do colchão (nomeadamente almofadas).

O refluxo é fisiológico e não é preocupante a menos que o bebé não evolua bem de peso ou tenha problemas respiratórios associados.

O bebé arrotar evita que deite fora leite depois?

Não. O bebé pode arrotar e passado algum tempo deitar fora leite, inclusive quando já o deitámos. É importante colocar o bebé no berço sempre de barriga para cima; geralmente os bebés deitam a cabeça para um dos lados. Quando deitam fora o leite nesta posição, na maior parte das vezes, não se engasgam.

Em que posições devemos colocar o bebé a arrotar?

Devemos utilizar a posição que for mais confortável para nós e para o bebé. Existem várias posições possíveis mas as mais utilizadas são: sentado nas nossas pernas com o tronco inclinado para a frente ou encostado ao nosso ombro em posição vertical. Esta última posição é a que eu uso cá em casa. Também se pode dar pequenas “palmadinhas” nas costas do bebé para o ajudar a arrotar.

Existem muitos mitos à volta deste tema, maioritariamente que os bebés têm obrigatoriamente de arrotar, levando algumas mães a passarem bastante tempo à espera, com medo que o bebé se possa engasgar.

É importante perceber que colocar o bebé a arrotar apenas diminui o desconforto e pode permitir que ele ganhe espaço no estômago para se continuar a alimentar, mas não tem outro propósito nem está necessariamente relacionado com a regurgitação de leite. Devemos deixar que os nossos bebés mostrem se precisam ou não de arrotar.

Como adormecer o bebé

Como adormecer o bebé?

Como em tudo, cada bebé é um bebé e alguns pais têm a vida mais facilitada que outros. Eu, por exemplo, não me posso de todo queixar, porque a minha bebé adormece facilmente à noite e dorme toda a noite. No entanto, o mesmo não se aplica a grande parte dos bebés; alguns acordam uma vez à noite, outros acordam várias vezes e alguns passam a maior parte da noite acordados.

Quando os bebés nascem não têm noção da diferença entre o dia e a noite. Para eles, tal como dentro do útero da mãe, os períodos de sono e de alerta não são regulados pela luz ou pela atividade. A partir do 1º mês de vida é possível tentar mostrar ao bebé que há o período diurno, em que se fazem praticamente todas as atividades e o período noturno, em que o ideal seria estarem todos a dormir.

Para mostrar isto aos bebés existem alguns truques

Utilizar a luz de acordo com o ritmo dia/noite

A luz é importante para o bebé perceber que é de dia. Muitas vezes temos a tendência de baixar os estores e fechar as cortinas quando os bebés são pequenos, para os protegermos da luz. Certo é que o bebé não consegue assim ver a luz do dia e perceber estas diferenças. É importante abrir os estores e as cortinas e deixar entrar a luz do dia e deixar que seja o desvanecer da luz do dia a sinalizar ao bebé que a noite se inicia. À noite podemos utilizar luzes fracas e ir escurecendo a divisão em que o bebé está. Podemos utilizar uma luz de presença à noite, desde que seja pequena. Quando o bebé acorda à noite não devemos acender as luzes.

Passear com o bebé durante o dia

Quando passeamos com os bebés eles adormecem muitas vezes com o andar do carrinho. Mesmo quando adormecem, há luz e ruído na rua que os ajuda a perceber que essa é a altura de maior atividade.

Colocar o bebé no berço quando está mais sonolento mas não já a dormir

É importante que o bebé se lembre de adormecer no berço, porque se já estiver a dormir e acordar a meio da noite, vai-se assustar e vai precisar da mãe ou pai para voltar a adormecer. Mesmo que o bebé tenha dificuldade a adormecer no berço, podem ser usadas algumas estratégias como abanar ligeiramente o berço ou oferecer a chucha ou uma fraldinha na fase em que está a adormecer. Para que o bebé se acalme na altura de dormir e perceba que chegou essa hora, pode dar banho imediatamente antes de ir dormir (e depois de se ter alimentado).

Quando o bebé acorda à noite, dar um momento antes de lhe dar atenção

Este passo permite ao bebé desenvolver estratégias para adormecer por ele quando acorda à noite. Muitas vezes os bebés têm pequenos despertares noturnos, em que fazem pequenas vocalizações ou se remexem na cama. A nossa tendência é ir de imediato ver o que se passa e embalar e, muitas vezes, não deixamos o bebé regular os seus mecanismos para adormecer. Se o bebé começar a chorar, provavelmente já não se conseguirá acalmar por si mesmo e, nesse caso, é importante embalar, oferecer a chucha ou uma fralda e ver se adormece. Se estiver a chorar desenfreadamente, nesse caso temos mesmo de colocar o bebé ao colo, porque aí dificilmente o embalo resolve o assunto.

Tentar não olhar o bebé nos olhos

Muitos bebés têm um limiar baixo à estimulação e basta olhá-los nos olhos para assumirem que é hora de acordar ou de brincadeira. É importante manter o olhar noutra zona do corpo do bebé e falar baixinho, para que o bebé perceba que pode voltar a adormecer.

Aliviar as regras de muda das fraldas

Não devemos mudar a fralda de cada vez que o bebé acorda à noite, porque pequenos despertares transformam-se em períodos de alerta. Se a fralda estiver suja com cocó tem de ser mudada, mas se for só chichi e a fralda tiver uma boa capacidade de absorção, podemos deixar estar.

Manter o quarto fresco

Nestes dias mais quentes é frequente que os quartos estejam sobreaquecidos, gerando desconforto aos pais e bebé. Não devemos esquecer que está recomendado manter a temperatura ambiente entre 21 e 22 ºC para prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente. Podemos arrefecer o quarto com uma ventoinha ou com o ar condicionado, certificando-nos que a corrente de ar não está diretamente apontada ao bebé e que as condutas de ar condicionado estão devidamente limpas (devem ser limpas pelo menos uma vez de 2 em 2 anos).

Utilizar ruído de fundo (“white noise”)

Se o bebé não consegue adormecer, podemos tentar usar white noise. O bebé acalma quando ouve ruídos monótonos, nomeadamente o nosso “shhhh”, o barulho do secador de cabelo ou do aspirador. Hoje em dia já podemos procurar playlists na internet de white noise, algumas com a duração de 8 horas.

Dar segurança ao bebé

Uma boa estratégia é colocar a mão em cima do peito ou da barriga do bebé ao colocar no berço, de forma a que ele perceba que não está sozinho.

Ter paciência

A implementação destas técnicas pode ser feita logo no primeiro mês de vida mas é importante perceber que o bebé só tem capacidade para treino de sono organizado a partir dos 4 meses, pelo que pode não conseguir adormecer e manter o sono durante a noite até lá.

Não entrar em pânico com regressões dos padrões do sono

Se o bebé não acordava durante a noite, ou adormecia no berço e deixou de adormecer, não entre em pânico. Na maioria das vezes estas regressões são temporárias. Costumam acontecer quando há alterações nas rotinas (nascimento de irmãos, viagens, doenças) ou em fases específicas de desenvolvimento (aos 4 meses, quando aumenta a mobilidade e aos 9 meses, quando começa a ansiedade de separação). Para lidar com estas regressões devemos voltar ao início e aplicar as técnicas que tínhamos desenvolvido, nomeadamente estabelecer uma rotina noturna consistente e previsível para o bebé.

Aqui em casa colocamos no berço ainda acordada e embalamos. Fazemos questão de passear muito durante o dia e de usar a luz para estabelecer o ritmo dia/noite. Mantemos o quarto fresco e só mudamos a fralda se estiver suja com cocó. O white noise não resulta para nós. Ainda tenho dificuldade em evitar algumas coisas – vou quase imediatamente quando ela acorda para ver o que se passa e não consigo conter-me quanto a olhá-la nos olhos. Derreto-me toda, mesmo à noite … pequenas fraquezas, enfim.

Desejo-vos a todos uma óptima noite de sono com os vossos bebés e que estas técnicas vos tragam pelo menos um bocadinho mais de sossego!

Como dar água aos bebés

Dar água aos bebés: quando e como?

A água é necessária para praticamente todo o funcionamento do nosso corpo. É um componente da maioria dos líquidos e de alguns alimentos.

A água deve ser oferecida aos bebés a partir do momento em que iniciam a diversificação alimentar. Deve ser oferecida em pequenos golos, de forma a que o bebé não encha o estômago com água, em vez de alimentos.

Nos bebés que ainda não iniciaram a diversificação alimentar (usualmente iniciam entre os 4 e os 6 meses) pode ser oferecida água nos dias mais quentes, para evitar a desidratação. Nos bebés que se alimentam de leite materno exclusivamente, usualmente é suficiente amamentar mais frequentemente para evitar a desidratação. O leite materno é composto por 88% de água. É importante que as mães se hidratem, ingerindo pelo menos 1,5 L de água, sobretudo nestes dias quentes.

Nos bebés que se alimentam de fórmula para lactentes pode ser oferecida água?

A água deve ser oferecida separadamente e nunca se deve utilizar mais água do que a indicada na embalagem para preparar a fórmula. As caixas de fórmula indicam a forma como esta deve ser preparada e estas instruções devem sempre ser respeitadas. A diluição de fórmula pode levar a alterações dos sais corporais que podem originar perturbações do comportamento, vómitos, convulsões e podem ser letais.

Até aos 6 meses, a água que é oferecida ao bebé pode ser água mineral engarrafada ou água corrente. Não se deve oferecer água proveniente de fontes ou furos, porque poderá não ser potável ou estar contaminada com microorganismos e poderá, nomeadamente, conter níveis elevados de nitratos (superiores a 25 mg/L).

A água engarrafada deve ser pobre em sódio (menos de 200 mg por litro) e sulfatos (menos de 250 mg por litro). Todas as marcas de água engarrafada em Portugal cumprem estes critérios.

A água corrente em Portugal tem uma composição e qualidade adequada ao consumo por bebés; no entanto, pela imunidade mais frágil nos primeiros 6 meses, alguns autores recomendam que seja fervida até aos 6 meses. A água corrente é tratada e testada e é assegurado que a quantidade de bactérias é inferior a um determinado limite, sendo que essa quantidade é usualmente inofensiva.

A água deve ser fervida durante 5 minutos e não mais, para evitar a concentração excessiva de sais com a evaporação da água. Tem de ser preparada em avanço porque tem de arrefecer depois de ser fervida.

Se utilizar água filtrada, deve sempre cumprir as instruções do fabricante quanto ao filtro. A filtragem da água elimina algumas bactérias e vírus mas não a totalidade e não elimina químicos que a possam ter contaminado.

Como fazer exercício físico com o bebé

Exercício físico para o bebé até ao ano de idade

Os bebés até ao ano de idade mexem-se pouco e ainda estão a adquirir a maior parte das capacidades motoras. Nada impede, no entanto, de pôr o bebé a fazer algum exercício físico. É certo que basta estarmos ao pé deles com um boneco que eles tentam ver ou seguir ou agarrar, que já estão a fazer o que precisam e devem fazer.

Este texto é para quem procura atividade física e algum divertimento para fazer com o bebé até aos 12 meses.

Yoga para bebés

Os bebés são muito mais flexíveis que os adultos. Tal como qualquer atividade que faça o bebé mexer, esta é benéfica para os bebés, estimula o seu desenvolvimento e a vinculação entre mãe/pai e bebé.

Pode ser feito a partir das 6 semanas de vida mas em Portugal a maioria dos centros tem aulas a partir dos 2 meses.

Os movimentos que os bebés fazem (com a ajuda dos pais) estimulam o desenvolvimento dos músculos e nervos; no entanto isto é verdade para qualquer movimento e não especificamente os movimentos do yoga. O yoga obriga os pais a passarem algum tempo com o bebé a exercitar-se de barriga para baixo (“tummy time”), que provavelmente não fazem de forma tão consistente no resto do dia.

A massagem e o contacto físico no yoga diminuem o nível das hormonas de stress tanto nos pais como no bebé. Existem outros benefícios possíveis como a melhoria do sono e a melhoria do funcionamento intestinal que não estão comprovados; existem poucos estudos e com reduzida qualidade neste campo.

No adulto o yoga pode melhorar a imunidade ao diminuir as hormonas de stress, mas este benefício não se aplica aos bebés, provavelmente por não terem capacidade para perceber e colaborar nesta atividade e dependerem dos pais.

O método mais utilizado é o Sunshine Yoga Baby que adapta as posturas do yoga tradicional às fases de desenvolvimento do bebé. As aulas baseiam-se na reflexologia e massagem, explorando os sentidos do bebé. Relaxa pais e os bebés e no final têm um momento de grupo com todos os pais e bebés. Geralmente estas aulas estão organizadas por níveis, de acordo com a idade do bebé (nível 1 – 2-6 meses, nível 2 – 7-14 meses e 14-24 meses e nível 3 – 2-3 anos).

Há que ressalvar que estas aulas devem ser feitas em locais especializados e certificados para tal, sob supervisão de um instrutor, para evitar que se façam movimentos perigosos para os pais e/ou bebé. Não faça yoga para bebés em casa a partir de aulas online ou vídeos.

Natação para bebés

A natação é uma das atividades que os bebés mais gostam, pela pouca resistência da água aos movimentos, que lhes dá mais liberdade. Além disso simula as condições que tinham dentro do útero da mãe.

Existem aulas a partir dos 3 meses, no entanto, dada a imunidade mais frágil do bebé até aos 6 meses, as recomendações são esperar até essa idade para começar.

A natação estimula o desenvolvimento do bebé, tal como acontece com outros tipos de movimento. Alguns estudos apontam para um desenvolvimento físico e mental mais avançado nos bebés que fizeram natação mas há que ter em conta que o desenvolvimento é feito por fases cujos timings são variáveis de bebé para bebé e esta variabilidade (dentro do timing esperado) não tem qualquer relevância futura.

Os bebés que fazem natação desde idades precoces têm menos aversão à água e aprendem mais rapidamente técnicas de segurança (como flutuar) que diminuem o risco de afogamento. Por outro lado esta atividade promove a vinculação afetiva dos pais com o bebé e aumenta a confiança do bebé, podendo, como qualquer atividade física, promover uma maior auto-estima e auto-controlo no bebé.

As regras de segurança a cumprir, para evitar acidentes, são: manter a cabeça elevada e o mais longe possível da água, não deixar que a boca esteja ao nível da água, evitar esforço excessivo que leve a respiração superficial e rápida, tirar o bebé da água se mostrar sinais de cansaço.

Existe uma preocupação que a utilização de piscinas interiores possa aumentar o risco futuro de bronquiolite (3.5 vezes com utilização de piscinas interiores e 2 vezes em piscinas exteriores) e de asma. As piscinas são desinfetadas com produtos à base de cloro, que com o calor evaporam e causam inflamação das vias aéreas.

No entanto os dados são ainda insuficientes para afirmar esta associação; a maioria dos estudos não mostra diferenças em relação à asma e outras alergias.

O ideal é tentar frequentar uma piscina bem ventilada e enxaguar (tanto os pais como o bebé) com água assim que sair da piscina.

A natação pode agravar doenças de pele como o eczema, pelo contacto prolongado com a água e químicos. Pode também estar associada a infeções da pele como as candidíases, principalmente na zona da fralda, pelo aumento da humidade.

Divirtam-se com os vossos bebés a explorar as novas técnicas que eles aprendem todos os dias e entretanto aproveitem para fazer exercício também!