Cuidados com o cordão umbilical

Cuidados com o cordão umbilical

O coto umbilical impressiona muitas vezes os pais, sobretudo quando cai. Não estamos muito habituados a mexer no coto umbilical, pelo que não é uma atividade muito confortável e a ideia de que o cordão foi responsável pela circulação de sangue da mãe para o bebé, ainda nos impressiona mais.

O cordão umbilical é composto por duas artérias (que na gestação transportavam sangue do bebé para a mãe) e uma veia (que transportava sangue da mãe para o bebé). Na altura do parto é clampado com uma “mola” (clamp) no extremo placentar e no extremo do bebé e cortado.

Existe, no entanto, um processo fisiológico de oclusão do cordão umbilical pós-natal, caracterizado por vasoconstrição e colapso do cordão e que ocorre cerca de 3 minutos após o nascimento do bebé.

Depois inicia-se o processo de mumificação, que se caracteriza pela infiltração do coto umbilical por glóbulos brancos que decompõem o tecido e que originam uma zona de delimitação entre o coto umbilical e os tecidos abdominais circundantes. Esta explicação vai ajudar a perceber que produtos utilizar nos cuidados ao cordão.

O cordão umbilical deve ser mantido limpo e seco; a limpeza deve ser efetuada uma vez por dia, preferencialmente na altura do banho. Pode ser molhado e inclusivamente submerso no banho (embora muitos autores ainda recomendem apenas “banhos à gato” até à queda do cordão, porque a humidificação atrasa a queda). Deve ser bem limpo depois do banho utilizando uma compressa embebida em água ou soro fisiológico e depois bem seco com compressa seca.

Para realizar a limpeza e secagem o coto umbilical deve ser colocado na posição vertical, segurando pelo clamp e limpando de baixo (tecido saudável menos contaminado) para cima (tecido exposto e em mumificação e por isso mais contaminado).

Exceptuando em casos de inflamação local (vermelhidão, inchaço ou presença de líquido amarelado), deverá ser utilizada água ou soro fisiológico, ao invés de álcool a 70º, que se utilizava anteriormente. O álcool “mata” os glóbulos brancos e portanto poderá atrasar a decomposição e a queda do cordão umbilical.

O coto umbilical não deve ficar coberto e portanto deve ser efetuada uma dobra na parte da frente da fralda para evitar contacto com o cordão ou utilizar fraldas que já tenham este formato.

É preferível a utilização de t shirts largas a bodies nesta fase ou, utilizando bodies, que sejam também largos.

Nunca se deve puxar o coto umbilical; ele cairá espontaneamente

A queda do cordão ocorre até aos 21 dias de vida, sendo mais usual que aconteça até aos 14 dias. Quando o cordão cai poderá sair uma pequena quantidade de sangue (o mesmo acontece durante a limpeza diária), que deverá ser limpo com compressa embebida em água ou soro fisiológico. Poderá também sair uma pequena serosidade, líquido claro esbranquiçado, que é normal.

Alguns motivos de preocupação que devem levar os pais a procurarem observação médica são a vermelhidão e/ou inchaço na pele que rodeia o coto umbilical, saída de líquido amarelo ou esverdeado espesso, odor desagradável do coto ou do líquido que sai, choro inconsolável com o toque na zona do coto umbilical, sinais estes que poderão ou não estar associados a febre. Estes são sinais de infecção umbilical, designadamente onfalite e, no recém-nascido, requerem observação médica urgente e tratamento com antibióticos endovenosos. Também deve ser procurado auxílio médico se a zona do cordão sangrar continuamente.

Outra complicação possível do coto umbilical é a formação de um granuloma, uma zona muito rosada a avermelhada e da qual sai líquido amarelo e que não se acompanha de vermelhidão da pele circundante, nem inchaço, nem febre e que poderá ter de ser tratado com aplicação local de nitrato de prata. Esta complicação é minor e pode ser tratada no âmbito de uma consulta de vigilância; não é necessário ir à urgência por este motivo.

O cordão pode cair no banho ou até dentro da roupa do bebé e a queda pode só ser notada depois. Apesar de não estarmos familiarizados com o coto umbilical, não é motivo para sustos e basta limpar e secar a zona e vigiar os sinais de alarme.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *