Author Archives: Inês Salva

Como escolher a chucha do bebé

Chuchas: silicone ou látex?

As chuchas são daquelas coisas que se usam às 2 e 3 por dia, quando o bebé as aceita. Longe de nós esquecermo-nos das chuchas ou ficarmos sem chuchas limpas. Cá em casa há quase uma linha de montagem de armazenamento e limpeza de chuchas!

Materiais

As chuchas podem ser compostas por dois tipos de materiais: silicone ou látex.

As chuchas de silicone são mais resistentes, retêm menos odores e são mais fáceis de lavar. No entanto são menos moles que as de látex, por isso alguns bebés sentem-nas como menos confortáveis.

As chuchas de látex são mais flexíveis mas, por esse mesmo motivo, degradam-se mais facilmente e têm de ser substituídas mais vezes que as de silicone. O látex deve ser evitado se houver alguma razão para pensar em alergia, que pode acontecer com bebés que foram expostos muitas vezes ao látex (internamentos prolongados, operações) ou que têm doenças específicas (como por exemplo a espinha bífida).

Alguns bebés só aceitam determinada chucha; às vezes até acontece que só aceitam uma chucha e quando essa tem de ser substituída ou lavada, mesmo que se ofereça outra igual, rejeitam.

Hoje em dia quaisquer chuchas são isentas de materiais nocivos como BPA ou ftalatos.

Cuidados e limpeza

Seja qual for a composição da chucha que escolher, tenha várias em casa (cá em casa há 10), porque se sujam facilmente e, nos bebés que já gatinham ou andam, perdem-se. Quando notar sinais de desgaste da chucha (fissuras ou zonas em que se começa a “soltar” ou quando ficam pegajosas) substitua imediatamente; as chuchas são feitas para não se soltarem partes porque, se isso acontecer, há risco de aspiração.

A limpeza das chuchas deve ser feita regularmente (cá em casa são lavadas ao fim de um dia de utilização) ou quando caem ou se sujam.

A primeira vez que são utilizadas devem ser esterilizadas, lavando primeiro com água quente e sabão e depois colocando em água a ferver durante 5-10 minutos.

Nas utilizações seguintes não necessitam de ser esterilizadas mas devem ser lavadas com água quente e sabão, podendo, no caso das chuchas de silicone, ser lavadas na máquina da loiça, no tabuleiro superior.

Quando a chucha cai ao chão deve ser lavada com água quente e sabão e nunca colocada na boca do pai ou mãe. A boca é um dos locais do nosso corpo com mais bactérias e portanto acaba por ser ainda pior do que seria se nem lavássemos a chucha.

A chucha pode ser também colocada antes da lavagem em partes iguais de vinagre e água, para evitar o crescimento de fungos; depois deve ser bem lavada e enxaguada.

Cá em casa as chuchas são lavadas com água quente e detergente da loiça, bem enxaguadas e depois esterilizadas. Para o efeito uso as caixinhas para microondas, que podem ser compradas em conjunto com algumas chuchas e que demoram 3 minutos a esterilizar a 900W.

Regras de utilização

Não devem ser utilizados colares ou cordões para prender a chucha ao berço ou ao pescoço do bebé porque, durante o sono, o bebé pode rolar e acidentalmente asfixiar. Os porta chuchas também requerem algum cuidado, porque se forem presos na zona do peito e tiverem extensão suficiente pode acontecer o mesmo; cá em casa só são usados quando estou a olhar para a minha bebé e prendo sempre na parte de baixo da roupa.

Não deve ser colocado mel na chucha para acalmar o bebé, sobretudo abaixo dos 12 meses, pela possibilidade de causar botulismo, uma doença que pode ser fatal e que causa uma paralisia generalizada.

O açúcar ou produtos com sacarose (como o AeroOMⓇ) podem causar cáries, quando já surgiu a primeira dentição e o açúcar adicionado não está recomendado nas crianças abaixo dos 12 meses e também não constitui nenhuma vantagem depois dessa idade.

Eu já utilizei o AeroOMⓇ em desespero de causa e na altura que a minha bebé detestava o banho; neste momento é raro usar porque ela já não chora assim tanto e também já não se acalma tanto quando uso. Mas lá vem o ditado – “faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço” …

Suplementos de vitaminas e minerais nas crianças: sim ou não?

Suplementos de vitaminas e minerais nas crianças: sim ou não?

Como pais preocupamo-nos sempre muito se os nossos filhos estão a receber a quantidade de vitaminas suficiente e se não vão ficar prejudicados se não suplementarmos a alimentação.

É por isto que é muito comum nas consultas de Pediatria e até nas urgências perguntar ao médico por umas vitaminas que a criança pudesse tomar.

A verdade é que não é assim tão difícil ingerir as vitaminas necessárias na alimentação; até naquelas crianças que são “esquisitas para comer” ou “picky eaters”, basta que comam cereais com leite ao pequeno-almoço (que a maior parte das crianças come), que ingerem logo quantidades adequadas de vitamina B, D, cálcio e ferro.

O maior problema com a utilização de multivitamínicos é que é impossível saber que doses de vitaminas são ingeridas pela criança na alimentação mas que, ma maioria dos casos, são doses adequadas. Assim, ao oferecer um suplemento extra, arriscamo-nos que a criança tome doses para além da dose diária recomendada de algumas vitaminas.

Há que salientar que as hipervitaminoses existem e têm consequências, afetando a visão, a formação do Sistema Nervoso Central, a ossificação e o metabolismo.

As vitaminas podem ser importantes se:

A criança tem menos de um ano

Neste caso deve fazer um suplemento de vitamina D, na dose de 400 UI por dia; geralmente este suplemento é oferecido em gotas e a dose depende da formulação. Este suplemento é importante desde o nascimento, sendo habitualmente iniciado aos 15 dias de vida.

A criança evolui mal de peso ou comprimento/estatura

De acordo com indicação médica.

A criança tem uma doença crónica específica (nomeadamente do aparelho digestivo) ou alergias alimentares:

Nestes casos há um seguimento médico dirigido à doença da criança e deverá haver uma recomendação médica específica neste sentido.

A criança cumpre dieta vegetariana estrita, dependendo do planeamento da mesma

É possível planear uma dieta vegetariana para oferecer à criança todas as vitaminas e minerais que necessita, variando os alimentos e estudando os que são mais ricos em determinadas vitaminas; a maior preocupação nestes casos é com a vitamina B12, vitamina D e iodo. Nestes casos deve abordar o tema com o seu médico. Existem cursos de formação para pais nesta área, que poderão ser úteis.

No lactente que foi prematuro

A necessidade de suplementação depende da fase de gravidez em que nasceu e a duração depende da evolução e deve ser mantido conforme indicação do médico que segue a criança.

Dos minerais aquele que é relevante para este efeito é o ferro, que deve ser suplementado se:

A criança amamentou exclusivamente até aos 6 meses

A biodisponibilidade do ferro no leite materno é baixa, pelo que deve iniciar ferro a partir dos 6 meses na dose de 1 mg/kg/dia e manter até aos 6 meses ou até atingir a DDR de 11 mg/dia. É difícil atingir apenas com a ingestão de carne, dado que 100 g tem aproximadamente 1 mg de ferro mas há vários alimentos ricos em ferro, como o feijão e os espinafres; o leite de fórmula e cereais dos lactentes são também suplementados. A suplementação deve ser sempre efetuada de acordo com indicação médica.

A criança tem doenças específicas, por exemplo anemia

Neste caso há um seguimento médico regular dirigido à doença e deve haver uma recomendação médica específica nesse sentido.

No lactente que foi prematuro

A necessidade de suplementação depende da fase de gravidez em que nasceu e a duração depende da evolução e deve ser mantido conforme indicação do médico que segue a criança.

Lembre-se que os suplementos vitamínicos para crianças foram produzidos para as agradar e muitas vezes são doces, pelo que deve ter o cuidado de guardar os frascos e caixas fora do alcance da criança.

Por outro lado, a suplementação em vitaminas não pode compensar uma dieta pobre ou desequilibrada. O mais importante é equilibrar a alimentação da criança e planeá-la para promover um estilo de vida saudável.

Como medir e tratar a febre

Como medir a temperatura do bebé e como tratar a febre

Hoje em dia existem tantos modelos de termómetro que o difícil é escolher. Às vezes a melhor escolha é a mais simples. Outras vezes não tanto …

A medição da temperatura é importante sempre que a criança tem febre, porque é o registo das temperaturas, do intervalo de tempo entre picos febris e da evolução ao longo do tempo que permite ao médico perceber a situação e chegar a um diagnóstico e, portanto, a um tratamento adequado.

Tradicionalmente a temperatura era medida rectal em todas as crianças pequenas (ou seja abaixo dos 2 anos), por isso este método continua a ser considerado o padrão (foi o método utilizado na maioria dos estudos sobre temperatura nas crianças). Isso não significa que seja o método mais adequado. Para além de desconfortável para a criança, a temperatura rectal muda lentamente e as medições estão dependentes do posicionamento do termómetro.

A temperatura axilar é a mais fácil de medir mas a pior escolha em termos de medição porque exige medições prolongadas (cerca de 4 minutos) e é facilmente alterada pela temperatura ambiente. No entanto, é a forma de medição recomendada em recém-nascidos pela Associação Americana de Pediatria, pelo risco (apesar de baixo) de perfuração rectal nesta idade com posicionamento incorrecto do termómetro.

A temperatura oral, medida com termómetro clássico ou com os mais modernos termómetros de chucha, deve ser medida com a língua para baixo durante 3-4 minutos, o que facilmente se compreende que é uma tarefa difícil nas crianças e é alterada pela ingestão de alimentos ou líquidos e pela respiração bucal. Os termómetros de chucha não foram aferidos quanto à sua precisão.

A temperatura timpânica é a melhor escolha porque estes termómetros são os mais precisos. Por outro lado é fácil e rápida de medir. Ao contrário do que se pensava, esta temperatura não é alterada pela presença de uma otite, cera dos ouvidos ou choro. O problema com a medição de temperatura timpânica na criança é que o canal auditivo até aos 2 anos é estreito e torna as medições menos precisas.

A temperatura frontal (ou “termómetros de testa”) não foi aferida mas parece aproximar-se da temperatura axilar. Os estudos que abordam esta forma de medição chegaram à conclusão que estes termómetros são mais precisos que os timpânicos e portanto esta poderá ser a melhor escolha, embora os dados ainda sejam insuficientes.

Tipo de
medição de temperatura
Febre se…
Rectal
 >= 38.5 ºC
Axilar
>= 38 ºC
Oral
>= 38.5 ºC
Timpânica
>= 38.5 ºC
Frontal
>= 38 ºC

Dado que a maioria dos estudos se baseou nas formas clássicas (rectal e axilar) de medição de temperatura, continua recomendado hoje em dia medições de temperatura rectal até aos 2 anos e axilar ou timpânica a partir daí. No entanto pode-se utilizar a temperatura axilar ou timpânica até aos 2 anos como rastreio (confirmando com rectal).

Pessoalmente, acho muito difícil manter medições de temperatura rectal até aos 2 anos, principalmente pelo desconforto da criança; a minha recomendação é medir a temperatura rectal até aos 3 meses e a partir daí medir a temperatura timpânica (se possível) ou axilar. Podem ser utilizados outros modelos de termómetro, desde que sejam confirmadas as medições se a criança tiver febre.

Temperaturas entre 37.5 ºC e 38 ºC (axilar ou frontal) ou 38-38.5 ºC (rectal, oral ou timpânica) não constituem febre mas são temperaturas mais elevadas que o habitual, dado que o corpo humano usualmente tem uma temperatura de 37 ºC. Se o seu bebé tem menos de 3 meses estas temperaturas já são significativas e deve contactar o seu médico. Se o seu bebé tem mais de 3 meses pode vigiar a temperatura e observar se desce por si ou se continua a subir até ser febre.

E se tem febre?

Quando a criança tem febre, salvo raras exceções em crianças com doenças crónicas e específicas, deve administrar um antipirético. Em Portugal o antipirético de eleição é o paracetamol, que deve ser dado na dose de 15 mg/kg/dose até 6/6 horas.

Pode dar banho à criança para descer a temperatura mas apenas depois de dar o antipirético; o banho deve estar à temperatura habitual e nunca deve ser frio (para evitar o choque térmico e a reação do corpo excessiva de produção de calor).

Deve despir a criança (muitas vezes dizemos aos pais para deixar só o body ou a t-shirt ou até deixar de fralda). Não deve aquecer o quarto onde se encontra a criança.

Não se esqueça de oferecer líquidos para evitar a desidratação

A febre é uma manifestação comum nas crianças e, na maioria das vezes, é causada por infeções. Nas crianças 90% das infeções são virais, ou seja, não podem nem devem ser tratadas com antibióticos e, na generalidade, apenas precisam de “medidas gerais”. É o próprio sistema imunitário que combate os vírus e raramente existe um tratamento específico.

Nos bebés com menos de 3 meses a febre pode ser um sinal preocupante e, por esse motivo, deve sempre contactar o seu médico. A partir dos 3 meses pode ver como o bebé se comporta e contactar o seu médico se a febre persistir mais do que 3 dias, se for alta (superior ou igual a 39ºC), se lhe parecer que a criança não está bem (se estiver prostrada ou muito irritada) ou se a febre se fizer acompanhar de outros sintomas como dificuldade em respirar, vomitar persistentemente, manchas ou borbulhas pelo corpo, dores de cabeça intensas.

Se está preocupada com o seu bebé deve contactar o seu médico e recorrer a observação médica, se assim lhe for indicado. Às vezes preocupamo-nos sem motivo para isso, especialmente quando é a primeira vez que o nosso bebé tem febre. Se assim for contacte o seu médico; mais vale pecar por excesso que por defeito.

Como organizar a caixa dos medicamentos do bebé

O que é obrigatório ter na caixa dos medicamentos para a criança?

Todos nós temos em casa uma caixinha ou um armário onde guardamos aqueles medicamentos e utensílios a utilizar em S.O.S. se a criança se magoar ou ficar doente.

Não é nada engraçado quando a meio da noite acontece alguma coisa e não temos este ou aquele medicamento e lá temos de ir em busca de uma Farmácia de serviço, que hoje em dia são cada vez menos e podem estar a quilómetros de casa.

Podemos facilitar um bocadinho a nossa vida garantindo que temos sempre o básico.

E em que consiste o básico?

Paracetamol

Deve ter sempre em casa paracetamol em supositório ou em xarope com dosagem adequada ao peso do seu filho (15 mg/kg/dose até 6/6 horas).

Ibuprofeno

Se o seu bebé tiver mais de 6 meses, já pode utilizar ibuprofeno nos intervalos do paracetamol se tem febre com intervalos mais curtos que as 6 horas; pode utilizar também para inflamações, mas deve consultar sempre o seu médico antes; a dose é 5-10 mg/kg/dose até 8/8 horas.

Soro de rehidratação oral

Se o seu bebé vomitar ou tiver diarreia, deve tomar 200 mL de cada vez que perde líquidos (vómitos ou dejeções) de soro de rehidratação; estes soros podem ser comprados em pó e reconstituídos com água ou já como líquido (mas atenção que, neste caso, duram menos tempo).

Probiótico

Existem vários disponíveis no mercado e devem ser usados quando a criança tem diarreia ou quando toma antibióticos, embora deva sempre consultar o seu médico antes de usar; podem ser adquiridos como pó ou em gotas.

Colher doseadora

Qualquer administração de medicamentos vai exigir uma colher doseadora; não dê ao seu filho doses aproximadas de medicamentos utilizando colheres de sopa (por exemplo); as colheres são todas diferentes e podemos estar a dar doses mais altas ou mais baixas, possibilitando a ocorrência de reações adversas ou toxicidade ou ausência de eficácia.

Pensos rápidos

Qualquer ferida ou corte deve ser protegido por um penso rápido, exceto nas mãos nos bebés com menos de 3 anos, que levam as mãos à boca e podem aspirar o penso.

Desinfetante

São essenciais nas feridas e existem vários tipos, os baseados em iodo (BetadineⓇ), a água oxigenada e a clorexidina. Os desinfetantes baseados em iodo não devem ser usados nos recém-nascidos, porque podem interferir com o funcionamento da glândula tiroideia. Em geral a clorexidina (existe para pele e para mucosas) é menos irritante que a água oxigenada, eficaz e segura em qualquer idade.

Compressas esterilizadas

Para desinfeção de feridas.

Adesivo castanho

Ligaduras

Podem ser utilizadas para manter na posição pensos feitos com adesivo e compressas e são especialmente importantes nas zonas de articulações (cotovelos, joelhos, tornozelos), nas mãos e pés.

Termómetro

É essencial para medir a temperatura; não serve de nada a um médico ouvir que tinha febre porque a mãe ou o pai sentiu a criança quente. Essa sensação é subjetiva e pode não ser verdadeiramente febre, além de que a temperatura e a frequência nos dá muita informação sobre o diagnóstico. Vamos procurar saber se está a aumentar a temperatura ou a melhorar e se os intervalos entre picos de febre estão a diminuir ou aumentar. Ajuda muito ter um registo escrito das temperaturas e das horas.

Aspirador nasal

São muito comuns os aspiradores que a mãe ou o pai aspiram com a boca, colocando a outra ponta no nariz do bebé e que têm um filtro entre as duas pontas. É importante nas crianças pequenas que ainda não se conseguem assoar. Há que dizer, no entanto, que aspirar frequentemente o nariz pode inchar a mucosa e piorar a situação. Por esse motivo só se deve aspirar quando a criança tem obstrução nasal, até 3-4 vezes ao dia.

Soro fisiológico

Serve para tudo: limpeza de feridas, limpeza dos olhos, lavagem do nariz; é um componente essencial em qualquer idade. Para lavagem do nariz pode utilizar em alternativa a chamada “água do mar”, que é no fundo água esterilizada e sais que é aplicada em jacto no nariz.

Creme cicatrizante para eritema das fraldas

É uma situação frequente e muito incomodativa, além de que estes cremes podem ser utilizados mesmo na ausência de irritação; é importante antes do desfralde. Alguns exemplos de cremes muito eficazes são o MitosylⓇ, o CicalfateⓇ e o EryplastⓇ; todos eles incluem zinco na sua composição, que acelera a cicatrização.

Anti-histamínico

Se a criança tiver uma picada ou uma reação alérgica pode fazer; abaixo dos 2 anos utiliza-se o dimetindeno (FenistilⓇ) e pode ser utilizada a hidroxizina (AtaraxⓇ) e a partir dos 2 anos utilizam-se os de 2ª geração – cetirizina (ZyrtecⓇ), loratadina (ClaritineⓇ), desloratadina (AeriusⓇ), que dão menos sono e têm um perfil mais seguro. Confirme com o seu médico antes de utilizar a primeira vez.

Pinça

Para retirar alguma farpa que fique presa na pele.

Os outros medicamentos devem ser adquiridos consoante a necessidade e sempre sob indicação médica. Medicamentos que não devem constar desta caixa são os xaropes para a tosse (sobretudo nas crianças pequenas, abaixo dos 2 anos, cuja tosse é ineficaz e em que estes medicamentos só fazem acumular secreções) e os antibióticos (só devem ser utilizados quando necessário e sempre por indicação e prescrição do médico; nestes incluo também os locais como os cremes e pomadas ou gotas para os olhos).

Verifique sempre o prazo de validade dos medicamentos na caixa antes de dar ao su bebé e faça limpeza e substituição regular.

Com a caixa completa sempre estamos mais tranquilos e menos susceptíveis a saídas a meio da noite para ir comprar à pressa este ou aquele que nos falta.

Como cuidar da roupa do bebé

Cuidados com a roupa do bebé

A roupa do nosso bebé está em contacto com a pele durante todo o dia. Por este motivo é importante tentar que não cause reações alérgicas da pele ou infeções.

No entanto, como em tudo, há que aplicar algum bom senso aos cuidados com a roupa. Se o bebé está frequentemente ao nosso colo e agarrado à nossa roupa, não faz muito sentido que os cuidados com a roupa do bebé sejam muito diferentes dos nossos.

Algumas regras para os cuidados com a roupa são:

Lavar a roupa do bebé em separado

Esta regra é especialmente importante durante o primeiro mês, em que o sistema imunitário é particularmente vulnerável e ainda houve pouco contacto com a flora microbiana dos pais. De salientar que todos nós temos um conjunto de bactérias que vivem conosco e essas bactérias passam para o nosso bebé desde o nascimento; por outro lado o bebé também nos vai passando algumas bactérias dele, de modo que a flora microbiana dos dois acaba por se tornar igual. Aos 3 anos os bebés têm uma flora microbiana semelhante à do adulto.

As bactérias que vivem conosco passam para o nosso bebé no parto e depois predominantemente pela pele e não pela roupa.

Continua a ser recomendado na maioria dos cursos de preparação para o nascimento e cursos de puericultura a lavagem em separado até aos 6 meses, sem no entanto haver uma fundamentação para esta regra.

A roupa do bebé deve ser lavada com detergente próprio para bebé e sem utilizar amaciadores

A roupa do bebé deve ser lavada com produtos que tenham a menor quantidade de perfume possível. Não sei se se terão lembrado alguma vez de comparar os rótulos dos detergentes “normais” e dos detergentes para bebé, mas a maior diferença é a presença de enzimas, corantes e emulsificantes nos primeiros e a quantidade de fragrâncias. Estas substâncias podem ser irritantes para a pele do bebé.

Os amaciadores funcionam por formarem uma camada à superfície da roupa e “atraírem” os fios do tecido de forma a que “se levantem”, dando à roupa uma consistência mais macia. Estes amaciadores também contêm corantes e fragrâncias, pelo que podem irritar a pele do bebé.

A roupa do bebé deve ser lavada “à mão”

Hoje em dia a maioria das máquinas de lavar roupa têm programas próprios para roupas delicadas e até programas de “lavagem à mão”. A utilização da máquina de lavar tem a vantagem de poupar tempo aos pais mas também de ser uma lavagem mais eficaz, por durar mais tempo e permitir um contacto com os detergentes e um enxaguamento e centrifugação mais profundos do que o que é feito manualmente.

É importante garantir que a temperatura não ultrapassa os 40ºC. Podem ser efetuadas lavagens em programas de 20-30 minutos e com centrifugação.

A roupa do bebé deve ser bem seca

Na maioria dos cursos de preparação para o nascimento e puericultura é recomendado que a roupa seja seca na corda e ao Sol. O motivo para esta recomendação é que o calor e luz do Sol matam as bactérias. Há que lembrar que as bactérias andam em todo o lado e portanto quando recolhemos as roupas da corda elas já estão contaminadas com bactérias do ar. As molas com que as prendemos também não são assépticas.

O Sol funciona como um desinfectante na medida em que a radiação ultravioleta é eficaz em reduzir a quantidade de bactérias que estão na roupa.

A desvantagem de colocar a roupa a secar ao Sol é que facilmente fica repleta de pólens, sobretudo na Primavera e Verão e outras impurezas nas alturas em que está mais ventoso e está comprovado que a roupa seca na corda causa mais alergias do que se for seca no secador.

A secagem da roupa na máquina de secar é perfeitamente aceitável. As máquinas de secar atingem os 52-58 ºC, temperaturas muito superiores às ambientes e que também são eficazes a reduzir a quantidade de bactérias na roupa. O problema é que a maioria das roupas do bebé vem com o sinal na etiqueta de proibição de secagem na máquina, ou seja, pode encolher. Muitas roupas com este sinal toleram bem a máquina de secar, por isso é uma questão de ir vendo, mas arrisca-se a que algumas roupas fiquem inutilizadas.

Na máquina de secar pode utilizar bolas de ténis (devidamente lavadas) que, com a rotação do tambor, funcionam como um amaciador sem a desvantagem dos corantes e fragrâncias.

A noção mais importante é que a roupa nunca deve ser guardada húmida, não tanto pelas bactérias que contém mas sim pelos fungos, que gostam de humidade e podem contaminar a pele do seu bebé.

A roupa do bebé pode ser passada a ferro

Aqui escrevo pode, porque este conselho é excelente para quem pode mas pessoalmente eu daria em maluca se passasse a ferro as cerca de 40 peças de vestuário que a minha bebé utiliza por semana …

O ferro atinge temperaturas de 180-220ºC mas o contacto com a roupa é curto. A eficácia a diminuir a quantidade de bactérias é semelhante à utilização de um secador durante 30 minutos (que acaba por ser mais prático para quem o tiver). Quem estende a roupa ao Sol já fez este passo de expôr a radiação UV e diminuir a quantidade de bactérias, para além de que as bactérias que estão na roupa não são nocivas para o bebé, na generalidade.

A roupa do bebé deve ser inspeccionada regularmente e removida se não estiver em condições

Este ponto é especialmente importante no que toca a molas e botões. De cada vez que veste o seu bebé deve verificar se alguma mola ou botão está solto, porque o bebé pode pegar e levar à boca. As molas e botões são objetos pequenos e há risco de aspiração e obstrução das vias respiratórias. Este ponto é o mais importante de todos.

No fim de tudo isto, keep calm que não é a roupa que vai trazer mal ao seu bebé. Eu pessoalmente é coisa que não gosto de fazer é tratar da roupa e nada disto me dá nenhum prazer; só gosto de a comprar! Costumo fazer 2-3 máquinas de lavar por semana, seco a roupa na corda (e em breve vou começar a utilizar o secador, porque é difícil expor ao Sol no Inverno) e guardo quando está bem seca.

Como evitar e tratar as picadas de mosquito

Picadas de mosquito: o que fazer para evitar e tratar

Nesta altura do ano os mosquitos e melgas podem ser um problema, sobretudo ao fim do dia e à noite. Com o calor é difícil não ter as janelas abertas e portanto um ou outro mosquito é regra em qualquer casa portuguesa.

É difícil evitar que os nossos bebés sejam picados e as reações podem ir de uma simples borbulha, até um inchaço de grandes dimensões; com a comichão as crianças podem sobreinfectar as borbulhas.

Portanto o que fazer para prevenir as picadas?

1 – As redes mosquiteiras

Podem ser compradas para adaptação às janelas e, neste caso, protegem toda a família ou podem ser utilizadas para o berço ou alcofa, em dossel ou como cobertura do berço.

Algumas alcofas já incluem rede mosquiteira no ato de compra. Se não tiver uma rede mosquiteira, pode adquirir uma em qualquer loja de mobiliário de criança.

2 – Os repelentes para aplicação na pele

Os repelentes atuam protegendo a pele da picada de mosquito; a duração dessa proteção depende dos seus constituintes. Podem ser utilizados como spray, roll on ou pulseira.

O componente mais comum dos repelentes para crianças abaixo dos 2 anos é o citrodiol; neste caso necessitam de aplicação de 3 em 3 horas (o que, à noite, pode ser problemático). Estes repelentes podem ser utilizados a partir dos 3 meses.

Os repelentes compostos por dietil-meta-toluamida (DEET), que é um inseticida, estão indicados a partir dos 2 anos (apesar de que, segundo a Associação Americana de Pediatria, são seguros a partir dos 2 meses de idade).

Se utilizados em crianças abaixo dos 2 anos, as concentrações devem ser iguais ou inferiores a 10%. Estes repelentes devem ser aplicados 1 a 2 vezes por dia.

Os repelentes também podem ser aplicados na roupa.

3 – Os repelentes elétricos

Para os bebés abaixo dos 2 anos de idade existe a opção de repelentes ultrassónicos que libertam essência de Eucaliptus Maculata Citrodiora. Estes repelentes podem ser utilizados no quarto em que a criança se encontra, sem necessidade de ventilação. Há que ressalvar, no entanto, que diversos estudos mostraram a sua ineficácia.

Para os bebés acima dos 2 anos podem ser utilizados inseticidas em aerossol com base no DEET ou derivados como a praletrina. A ausência de recomendação abaixo dos 2 anos não tem a ver com a deteção de efeitos adversos, mas sim com a escassez de estudos nestas idades.

Em países como os Estados Unidos da América, em que os mosquitos são responsáveis por doenças graves no ser humano, o DEET é utilizado sem restrição de idade.

A concentração de inseticida nestes difusores é muito baixa (cerca de 1%) e muito inferior à dose que pode causar toxicidade. Uma opção segura é utilizar estes produtos em locais ventilados (janela ou porta aberta) e desligar antes da criança entrar no quarto.

4 – Utilizar roupas leves e claras que cubram a maior superfície corporal possível

Os mosquitos tendem a picar em áreas do corpo livres, sem roupa. Por isso a utilização de mangas compridas e calças com pé ou babygrows é a melhor roupa para a noite.

As roupas devem ser claras porque é mais fácil ver os mosquitos.

5 – Evite manter recipientes com água parada em casa

Procure evitar manter vasos com água parada.

Se tem plantas em casa, molde uma esponja própria de jardinagem ao prato do vaso; dessa forma a água fica retida na esponja mas não permite a reprodução dos mosquitos.

E depois da picada o que fazer?

1 – Aplique gelo

A picada de mosquito induz uma reação alérgica local, desencadeando a libertação de histamina por parte das nossas células de defesa.

A reação alérgica é uma forma de inflamação e a aplicação de frio pode diminuir essa inflamação. Por este motivo sentimos alívio quando aplicamos gelo.

2 – Limpe as borbulhas

Limpe com soro fisiológico pelo menos uma vez por dia e tente evitar que a criança coce. Claro que evitar que coce é mais fácil na criança mais velha.

Se coçar, não vale a pena preocupar-se, é raro haver complicações.

3 – Pode utilizar um anti-histamínico oral

É muito comum a utilização de anti-histamínicos tópicos, como o dimetindeno (FenistilⓇ gel). No entanto esta forma de aplicação está contra-indicada porque foi comprovado que hipersensibiliza a pele, podendo agravar a reação.

Os anti-histamínicos podem, sim, ser utilizados oralmente e vão desde anti-histamínicos de primeira geração, como o dimetindeno (aprovado para utilização sem restrição de idade) e a hidroxizina – AtaraxⓇ (aprovado a partir dos 2 anos), a anti-histamínicos de segunda geração como o cetirizina (ZyrtecⓇ), a loratadina (ClaritinⓇ) ou a desloratadina (AeriusⓇ), que estão aprovados a partir dos 2 anos.

4 – Procure observação médica apenas em caso de sinais de alarme

Estes sinais de alarme consistem em:

  • Infeção da zona da picada, que pode acontecer por bactérias da pele que entram na picada, sobretudo quando a criança coça; alguns sinais são inchaço ou vermelhidão que ultrapassa a zona da picada (por exemplo de metade da cara, do braço, de toda a mão), líquido amarelado a sair da picada, dor e/ou febre
  • Reações alérgicas generalizadas, que são raríssimas; alguns sinais são dificuldade em respirar, vómitos, borbulhas por todo o corpo, inchaço da boca ou da face

As picadas são comuns e estas medidas não as resolvem, apenas permitem a recuperação, que usualmente leva 5 a 7 dias.

É importante perceber que a resolução da picada em si é um processo efetuado pelo nosso organismo e que não é desencadeado nem acelerado pelo tratamento médico.

Se vai de férias para zonas tropicais estas medidas são especialmente importantes e deve informar-se sobre as doenças que podem ser transmitidas em cada área e como as evitar; algumas doenças implicam tratamentos específicos e observação numa consulta do viajante.

Diga adeus aos mosquitos e aproveite ao máximo o Verão com o seu bebé!

Hoje o tema é cocós!

Hoje o tema é cocós!

Este é um tema que gera muitas dúvidas, sobretudo porque numa fase inicial, o bebé muda muito os seus padrões alimentares e portanto também muda muito a frequência e a consistência dos cocós.

Quando o bebé parece desconfortável ficamos sem saber o que fazer.

Frequência

Um bebé que esteja a ser alimentado com leite materno faz em média 6-10 cocós por dia quando é recém-nascido; ao fim de 3 a 6 semanas passa a fazer menos vezes e aqui torna-se variável, há bebés que passam para 2-3 vezes/dia e outros deixam de fazer todos os dias passando a 1 a 2 vezes por semana.

Cada bebé é um bebé e tudo isto pode ser normal, sobretudo se o bebé parece confortável e cresce normalmente. A alteração da frequência dos cocós também é muito comum quando a alimentação é alterada, ou seja quando se introduz a fórmula ou quando se começa a diversificação alimentar.

Cor

Quando o bebé nasce, os cocós inicialmente são verde escuros a pretos e designam-se por mecónio. O mecónio é formado por líquido amniótico, muco e outros componentes que o bebé ingere ainda dentro do útero.

Aos 2 a 4 dias de vida o cocó passa a ser de transição (fezes de transição), passa a um verde mais claro e mostra que o funcionamento intestinal está a acontecer como esperado.

Quando o bebé é alimentado com leite materno, os cocós depois da fase de transição são amarelos ou verde claros e mais líquidos e pode ter pequenos pontinhos que fazem lembrar sementes. Este cocó praticamente não cheira, razão pela qual pode ser difícil perceber que é preciso mudar a fralda.

Quando o bebé é alimentado com fórmula, os cocós são amarelo-acastanhados ou verde-acastanhados ou castanhos e são mais pastosos; também cheiram mais intensamente que os cocós de leite materno e geralmente é possível perceber quando é necessário mudar a fralda.

Nos bebés que tomam ferro, os cocós ficam muito escuros, quase pretos e geralmente são mais sólidos. Esta alteração de cor é esperada.

Quando o bebé começa a diversificação alimentar o cocó passa a ser castanho, mais sólido e o cheiro é mais intenso.

Às vezes o cocó pode estar misturado com pedaços de comida não digerida e isto é normal, sobretudo nos bebés entre 1-3 anos. Nem toda a comida é digerida, sobretudo quando o trânsito intestinal é rápido e não há tempo para a digestão completa. O bebé precisa de ser observado se não crescer dentro do esperado, tanto em peso como em altura.

Diarreia

Neste caso o bebé faz pelo menos 3 cocós por dia, líquidos e há uma alteração do padrão dele. Muitas vezes, quando os bebés já fazem habitualmente cocós mais líquidos, é difícil perceber se têm diarreia e se é necessário contactar o pediatra. Se o padrão, frequência e consistência do cocó é igual à habitual, não é motivo para preocupação.

A diarreia pode acontecer por uma infeção intestinal (mais frequentemente por um vírus) ou por alergia alimentar.

Se o seu bebé tiver 3 meses ou menos deve sempre contactar um médico; se tiver mais de 3 meses reforce a ingestão (se estiver a amamentar, amamente mais vezes) e ofereça soro de rehidratação oral 200 mL por cada vez que fizer cocó. Pode também dar um probiótico para ajudar a repor a flora intestinal e a resolver a diarreia. Deve ser observado por um médico se esta situação se arrastar por mais de uma semana, se os cocós tiverem sangue misturado, se o bebé vomita e não consegue tolerar ingestão pela boca, se estiver pouco ativo, sedento e com a língua seca.

Obstipação

Acontece quando o cocó do seu bebé está duro e “às bolinhas”. Nestes casos o bebé fica muito irritado com os gases e quando faz cocó.

A obstipação geralmente surge quando se altera o leite (por exemplo de leite materno para fórmula) ou se começam a introduzir novos alimentos na altura da diversificação alimentar ou quando o bebé começa a treinar o desfralde.

Nestes casos, antes de mais nada, faça massagem na barriga do bebé pelo menos uma vez por dia e, se já tiver começado a introduzir alimentos sólidos, ofereça água ao bebé. Algumas frutas ajudam a melhorar a obstipação, como por exemplo as ameixas, as pêras e os pêssegos. É importante, na maioria dos casos, aumentar a ingestão de fibra, que está presente nos cereais e na fruta não triturada.

No bebé que apenas ingere leite ainda, se estiver a ser amamentado a única ferramenta para melhorar a obstipação é a massagem.

Se estiver a ser alimentado com fórmula pode-se optar por uma fórmula anti-obstipante (A.O.) , anti-cólica (A.C.) ou confort.

A mãe que está a amamentar deve ingerir bastante água, estando recomendado que ingira água sempre que tem sede e, se possível, 1,5 L de água por dia. Esta água é importante na produção do leite e garante a hidratação da mãe. Sem ser a água, não existem recomendações nem restrições alimentares nos casos de obstipação. A teoria de que determinados alimentos ou suplementos que a mãe come podem originar ou melhorar a obstipação dos bebés é falsa; não existe nenhuma evidência que isto aconteça.

Se a obstipação persistir depois destas medidas, o bebé deve ser observado por um médico. O mesmo se aplica se os cocós tiverem sangue, muco ou se o bebé não crescer dentro do esperado.

O importante, no fundo, é que, sejam quais forem os hábitos intestinais do seu bebé, que ele esteja confortável e a crescer dentro do esperado (avaliação essa que é feita em qualquer consulta de vigilância do bebé).

Como assegurar a higiene e desinfeção junto do bebé

Prevenção das infeções, desinfeção e afins

Quem me conhece sabe que sou um bocadinho obsessiva (talvez até seja um eufemismo dizer um bocadinho). Passei muito tempo às voltas com este tema, sobretudo quando a minha bebé era recém-nascida.

Não há assim muitas fontes onde ler sobre isto e portanto eu acabei por fazer isto um bocadinho “a olho”. Pesquisando com mais calma apercebi-me que afinal há uma fundamentação sobre este tema e achei que era útil partilhá-la convosco.

Os cuidados na prevenção de infeções e desinfeção são sempre importantes mas especialmente no bebé pequeno. Tenho muita dificuldade com termos como “bebé pequeno” porque não querem dizer nada e portanto especificando, para este efeito bebé pequeno quer dizer até aos 3 meses.

Quando pensamos em manter o bebé limpo, associamos a não se andar a arrastar pelo chão, não mexer na taça do cão, não lamber as mesas dos cafés … e muitas vezes esquecemo-nos do principal hospedeiro de infeções – as pessoas.

Ora aqui andamos nós a utilizar banheiras próprias do bebé, que lavamos meticulosamente, a tratar as chuchas como se fossem compressas esterilizadas, a secar a roupa na corda para o calor do Sol matar os “bichinhos” que ficam na roupa. E depois chega a tia avó ou a prima e espeta um beijo na cara do nosso bebé e torna todo este esforço que fazemos redundante. E aqui começa a nossa luta …

Porque do ponto de vista dos familiares e amigos, todos querem tocar, beijar e abraçar o bebé e para eles uma mãe que limita este contacto está a privar os outros de uma manifestação de carinho e vai de “má” a “incorreta” a “malcriada” a “maluca” … Já ouvi de tudo para descrever estas terríveis mães que mais não fazem que não seja protegerem o seu bebé.

A verdade aqui é esta: as infeções no bebé pequeno podem ser muito graves, difíceis de detectar e podem evoluir muito rápido.

Portanto, para as mães que se massacram, como eu, a dizer às pessoas à volta para terem cuidado, eu venho aqui dizer estão a fazer exactamente o que deviam e não deixem que ninguém vos diga o contrário.

Sim, é verdade que é a exposição às infeções que ajuda o sistema imunitário a “aprender” e a defender-se futuramente dessas mesmas infeções. Não, isso não significa expôr o bebé a essas infeções rapidamente para ajudar nesse processo. Esse processo vai acontecer naturalmente e não há necessidade nem se deve expôr um bebé pequeno, com um sistema imunitário imaturo, a infeções das quais poderá ou não conseguir defender-se. O bebé deve ser protegido dessa exposição nos primeiros 3 meses e, se possível, 6 meses.

Passando aos aspetos práticos, vamos jogar à defesa…

Torne a lavagem das mãos uma regra

No meu caso, eu disse mesmo que havia duas regras – lavar as mãos antes de tocar na bebé e não há beijinhos. Pode não ter sido muito bem visto mas melhor isso que uma infeção num bebé pequeno.

A lavagem das mãos deve ser feita antes de tocar no bebé, preparar comida, mudar a fralda, ir à casa de banho ou ao entrar em casa. Se esta regra for difícil de impôr, uma solução é dizer que, se fazem questão de tocar ou beijar que o façam nos pés. Até aos 9 meses o bebé não consegue tocar nos pés nem pô-los na boca pelo que o risco nestas zonas é baixo.

Leve desinfetante das mãos consigo

Se tiver consigo desinfetante quando anda na rua, serve para si e serve para as pessoas que estiverem consigo quando não há um lavatório próximo. O desinfetante deve ser esfregado nas mãos durante 15-20 segundos. Claro que é difícil cronometrar o tempo que as pessoas levam a desinfetar as mãos e já é bastante bom se utilizarem o desinfetante.

Evite locais com muitas pessoas, sobretudo se forem espaços fechados

Esta regra é lei quando se trata de um recém-nascido. Diga à família que venha “aos bocados” e que não se juntem todos de uma vez. Não leve o bebé para centros comerciais ou igrejas. Não leve o bebé ao hospital exceto se o bebé precisar mesmo de observação médica. As salas de espera dos hospitais são dos sítios mais perigosos para um bebé pequeno porque quem lá está usualmente está doente e portanto há risco que passe a doença a outros.

Se for sair prefira uma esplanada às mesas “lá dentro” (no Verão não há melhor do que apanhar um bocadinho de ar fresco e ventilar as ideias, tanto mãe/pai como bebé!). Os jardins, os parques e até andar na rua são todos boas opções. Não fique fechada em casa; não é bom para a sua cabeça, nem para o bebé diferenciar dia e noite.

Lembre as visitas de não virem se estiverem doentes

Por estranho que pareça, há quem se esqueça disto, sobretudo quem não tem bebés ou já os teve há muito tempo.

Culpe o pediatra

Se estas regras forem difíceis de implementar e a família e amigos não percebem ou não respeitam os seus pedidos neste sentido, diga que é uma ordem do pediatra. Para o efeito, quem está a ler isto neste momento pode-me culpar a mim, que nisto eu não me importo nada de ser a má da fita. E também vos digo que também já “usei” o pediatra da minha bebé para criar estas regras cá em casa.

Evite contacto com outras crianças, sobretudo se estiverem doentes

As crianças são as que mais têm infeções e as que mais “transportam bichinhos”. É claro que não podemos, nem devemos limitar o contacto com irmãos, por exemplo. Mas podemos adiar o contacto com os filhos dos amigos pelo menos até fazer um mês.

Se possível o bebé beneficia de ficar em casa até aos 18 meses. Claro que muitos de nós trabalham, mas se pudermos escolher entre ir à escola ou uma ama, em termos de risco de infeção é preferível a ama, porque evita ou diminui o contacto com outras crianças.

Em termos de desenvolvimento as crianças só necessitam de contacto com outras crianças a partir dos 3 anos, em que a brincadeira deixa de ser paralela (ou seja as crianças brincam mas não com os outros; embora possa parecer que brincam com os outros, não há uma interação verdadeira) e passa a ser interativa.

Tente saber a política da escola que o seu bebé frequenta quando uma educadora ou auxiliar está doente. Fica em casa?

Se tiver ama, estabeleça com ela o que prefere que seja feito quando está doente e, se possível, arranje alternativas.

Se não tiver uma alternativa à escola, se não puder ter uma ama ou se não puder faltar ao trabalho quando a educadora/auxiliar/ama estiver doente, não se culpabilize. Nós fazemos o que é possível pelos nossos bebés, culparmo-nos só gera ansiedade, que não ajuda em nada.

Vacine o seu bebé

Siga o Programa Nacional de Vacinação e, se possível, vacine com as vacinas extra-Programa, nomeadamente a vacina contra o rotavírus (Rotarix Ⓡ e Rotateq Ⓡ) e contra o meningococo do grupo B (Bexsero Ⓡ). Lembre-se que o facto de que as vacinas protegem contra doenças que já não se vêem por aí acontece como resultado de anos de vacinação e que, se deixarmos de vacinar, essas doenças podem e provavelmente vão reaparecer. Lembre-se também que essas doenças têm um potencial de mortalidade e de complicações muito grande. A responsabilidade é sua para com o seu bebé e para com os outros. É a imunidade de grupo que protege os bebés pequenos que ainda não têm idade para se vacinarem.

Tente não se preocupar demasiado

As bactérias estão em todo o lado, no ar, nas superfícies, na roupa. É impossível evitar completamente o contacto com elas. Não se culpabilize se o seu bebé foi beijado uma vez ou esteve com um primo que depois ficou doente…

Fazemos o que é possível e o que é razoável.

Lembre-se que a responsabilidade é sua e de mais ninguém

Se sentir que os familiares e amigos estão a pressionar e a pôr em causa os seus pedidos, lembre-se que não são eles os pais. A responsabilidade de proteger o bebé é sua e não deles. Por isso tente ser assertiva, se for preciso explique as suas razões com calma e determinação. Ao fim de algum tempo torna-se mais fácil.

Esta é uma das minhas maiores lutas e das mais difíceis. Quem me conhece sabe que chego a um café e ponho o desinfetante das mãos em cima da mesa. Sim, pareço maluca e se calhar até sou; mas mais vale isso do que uma infeção. E mais vale isso do que depois ficar a pensar nisso.

Não gosto de andar a discutir por isso dou muitas explicações, se calhar mais do que devia. Mas depois de explicar, não arredo pé.

Não costumo ser assertiva mas percebi que, se eu não defender a minha bebé, ninguém vai assumir essa tarefa por mim. E defender a minha bebé tem de vir acima de tudo o resto.

E sobretudo há que ter bom senso. Quando ela andar a arrastar-se pelo chão, não vale a pena desinfetar as mãos! Vai-me custar, vou ter de respirar fundo, fechar os olhos e aceitar mas há que ter bom senso! (isto é uma nota mental para mim, não para quem me lê ;)).

Cuidados com o cordão umbilical

Cuidados com o cordão umbilical

O coto umbilical impressiona muitas vezes os pais, sobretudo quando cai. Não estamos muito habituados a mexer no coto umbilical, pelo que não é uma atividade muito confortável e a ideia de que o cordão foi responsável pela circulação de sangue da mãe para o bebé, ainda nos impressiona mais.

O cordão umbilical é composto por duas artérias (que na gestação transportavam sangue do bebé para a mãe) e uma veia (que transportava sangue da mãe para o bebé). Na altura do parto é clampado com uma “mola” (clamp) no extremo placentar e no extremo do bebé e cortado.

Existe, no entanto, um processo fisiológico de oclusão do cordão umbilical pós-natal, caracterizado por vasoconstrição e colapso do cordão e que ocorre cerca de 3 minutos após o nascimento do bebé.

Depois inicia-se o processo de mumificação, que se caracteriza pela infiltração do coto umbilical por glóbulos brancos que decompõem o tecido e que originam uma zona de delimitação entre o coto umbilical e os tecidos abdominais circundantes. Esta explicação vai ajudar a perceber que produtos utilizar nos cuidados ao cordão.

O cordão umbilical deve ser mantido limpo e seco; a limpeza deve ser efetuada uma vez por dia, preferencialmente na altura do banho. Pode ser molhado e inclusivamente submerso no banho (embora muitos autores ainda recomendem apenas “banhos à gato” até à queda do cordão, porque a humidificação atrasa a queda). Deve ser bem limpo depois do banho utilizando uma compressa embebida em água ou soro fisiológico e depois bem seco com compressa seca.

Para realizar a limpeza e secagem o coto umbilical deve ser colocado na posição vertical, segurando pelo clamp e limpando de baixo (tecido saudável menos contaminado) para cima (tecido exposto e em mumificação e por isso mais contaminado).

Exceptuando em casos de inflamação local (vermelhidão, inchaço ou presença de líquido amarelado), deverá ser utilizada água ou soro fisiológico, ao invés de álcool a 70º, que se utilizava anteriormente. O álcool “mata” os glóbulos brancos e portanto poderá atrasar a decomposição e a queda do cordão umbilical.

O coto umbilical não deve ficar coberto e portanto deve ser efetuada uma dobra na parte da frente da fralda para evitar contacto com o cordão ou utilizar fraldas que já tenham este formato.

É preferível a utilização de t shirts largas a bodies nesta fase ou, utilizando bodies, que sejam também largos.

Nunca se deve puxar o coto umbilical; ele cairá espontaneamente

A queda do cordão ocorre até aos 21 dias de vida, sendo mais usual que aconteça até aos 14 dias. Quando o cordão cai poderá sair uma pequena quantidade de sangue (o mesmo acontece durante a limpeza diária), que deverá ser limpo com compressa embebida em água ou soro fisiológico. Poderá também sair uma pequena serosidade, líquido claro esbranquiçado, que é normal.

Alguns motivos de preocupação que devem levar os pais a procurarem observação médica são a vermelhidão e/ou inchaço na pele que rodeia o coto umbilical, saída de líquido amarelo ou esverdeado espesso, odor desagradável do coto ou do líquido que sai, choro inconsolável com o toque na zona do coto umbilical, sinais estes que poderão ou não estar associados a febre. Estes são sinais de infecção umbilical, designadamente onfalite e, no recém-nascido, requerem observação médica urgente e tratamento com antibióticos endovenosos. Também deve ser procurado auxílio médico se a zona do cordão sangrar continuamente.

Outra complicação possível do coto umbilical é a formação de um granuloma, uma zona muito rosada a avermelhada e da qual sai líquido amarelo e que não se acompanha de vermelhidão da pele circundante, nem inchaço, nem febre e que poderá ter de ser tratado com aplicação local de nitrato de prata. Esta complicação é minor e pode ser tratada no âmbito de uma consulta de vigilância; não é necessário ir à urgência por este motivo.

O cordão pode cair no banho ou até dentro da roupa do bebé e a queda pode só ser notada depois. Apesar de não estarmos familiarizados com o coto umbilical, não é motivo para sustos e basta limpar e secar a zona e vigiar os sinais de alarme.

Como mudar a fralda ao bebé

Mudar a fralda: quando e com que frequência?

A hora de mudar a fralda é o que mais muda de família para família. Há quem mude com uma periodicidade definida, há quem mude sempre que está molhada ou suja.

Há quem mude de noite e há quem deixe ficar excepto se estiver suja com cocós.

Há quem mude antes de mamar e há quem mude depois.

Cá em casa mudamos sempre a seguir a mamar. Também mudamos se tiver cocó. Durante a noite deixamos estar a menos que esteja acordada ou tenha cocó.

O contacto prolongado com o chichi poderá resultar numa dermatite das fraldas mas até agora não tivemos esse problema.

O creme barreira evita a dermatite e há quem aplique só quando a zona da fralda está vermelha, quem aplique só quando muda fraldas sujas de cocó e quem aplique sempre.

Cá em casa aplicamos quando a fralda está suja com cocó e obviamente se a pele estiver vermelha (mas ainda não aconteceu).

O creme barreira deve ter na sua composição zinco, que facilita a cicatrização.

Como fazem as mães que por aí andam a ler isto?