Lições que aprendi sobre amamentação: aspetos práticos

Lições que aprendi sobre amamentação: Aspetos práticos

Hesitei em escrever sobre isto porque existem milhares de publicações sobre amamentação e provavelmente não vou trazer nada de novo à discussão pública sobre este assunto.

No entanto decidi partilhar um conjunto de coisas que gostava que me tivessem dito antes e que não vejo assim falado por aí. Amamentar é uma experiência natural mas pode ser difícil e, para amamentar, é preciso confiança e tranquilidade, dois sentimentos raros no período pós-parto imediato.

Os bebés pegam na mama na primeira hora de vida.

Sim, pegam e a amamentação deve ser iniciada logo nesta fase. Aumenta a produção de leite posteriormente, permite ao bebé alimentar-se de colostro depois do período de intensa atividade do parto e aumenta a vinculação afectiva entre mãe e bebé.

No entanto esta primeira pega é um “namoro”, uma primeira vez que o bebé vai conhecer a mama e portanto o bebé muitas vezes não pega consistentemente, não permanece muito tempo na mama e muitas vezes adormece. E não, isto não significa que a mãe está a fazer algo errado.

Os bebés mamam em horário e quantidade livre

Verdade, mas há que notar que isso traduzido por miúdos, nos primeiros dias, significa que nas primeiras 24 horas podem não se interessar muito pela mama e mamar por curtos períodos (2-3 minutos) e às vezes não pedem para mamar pelo que precisam de ser colocados na mama. Isto acontece principalmente com partos induzidos ou cesarianas.

Também significa que algures nas primeiras 72 horas o bebé provavelmente vai começar a pedir para mamar constantemente, alguns por períodos curtos, outros mais longos.

Nada disto significa que “o leite não chega”.

Na amamentação o leite materno não é quantificado, é preciso confiar

É uma espécie de magia… O leite materno não se vê e não se quantifica. Como saber que o bebé está efetivamente a receber o que precisa?

Claro que há algumas regras básicas: o peso (podem perder até 10% na primeira semana), os chichis (4-6 fraldas molhadas por dia) e os cocós (pelo menos um por dia e um nas primeiras 24 horas). Mas inicialmente não sabemos o peso, só sabemos que vai diminuir e é difícil perceber os chichis (porque podem vir misturados com cocó e porque são pouco volumosos).

E ficamos na dúvida … e essa dúvida custa muito mais do que qualquer coisa que eu possa pôr aqui por palavras.

É aqui que os profissionais de saúde são essenciais no apoio à amamentação, sobretudo para mães de primeira viagem. E é aqui que eu tenho de deixar um agradecimento à equipa de Neonatologia e de enfermagem na Maternidade Dr. Alfredo da Costa, por terem tido a fé, a confiança e a experiência que eu não tinha, por me terem ajudado a fechar os olhos e acreditar que o meu corpo podia dar à minha bebé aquilo que ela precisava. Também tenho a agradecer às minhas amigas, muitas delas mães, que partilharam comigo as suas experiências e me ajudaram a esperar e a ter paciência.

Os mamilos de silicone ajudam a moldar o mamilo

Acredito que os mamilos artificiais possam diminuir a dor, nas mães com mamilos fissurados, por constituirem uma barreira entre o bebé e o mamilo. Mas acho muito difícil que melhorem a pega do bebé; mesmo os tamanhos maiores, raramente permitem a inclusão do mamilo até à ponta, fazendo com que o bebé faça uma pega na ponta do mamilo, que é precisamente o que não se pretende.

Têm um papel de barreira em casos de infeções locais do mamilo.

A amamentação pode ser dolorosa mas não é para sempre

A pega inicial pode ser dolorosa e nem sempre por ser desadequada. Os mamilos ficam muitas vezes macerados e fissurados mas, ao longo do tempo, vão ficando mais consistentes e moldados e a dor poderá atenuar e até desaparecer.

A subida de leite é sempre dolorosa

Muitas vezes é. Pode ser uma experiência muito difícil e custosa. Mas também pode não acontecer isso. Pode até ser tão discreta que nem se note…

Em caso de encaroçamento ou tensão mamária ajuda utilizar bombas de leite

A bomba de leite deve ser o último recurso. O primeiro é pôr o bebé a mamar. O bebé consegue drenar as áreas mais profundas da mama, enquanto a bomba, para além de não ser fisiológica, muitas vezes só drena a área superficial. Antes de colocar o bebé a mamar deve ser aplicado calor local e feita massagem (existem várias técnicas mas a aplicação de pressão com os nós dos dedos é que mais resulta para drenagem) e depois de o bebé mamar pode ser feita expressão manual e aplicado frio local. Também ajudam os duches com água quente.

A bomba desencadeia maior produção de leite porque sinaliza que é necessário tanto o leite ingerido pelo bebé como o leite retirado posteriormente. Pode prolongar o problema no tempo.

São bem conhecidos todos os efeitos benéficos da amamentação tanto para a mãe como para o bebé. A alimentação do bebé deve ser uma escolha (informada) de cada mãe e cada mãe deve ser respeitada na sua decisão, independentemente do motivo.

A alimentação do bebé é um dos aspectos mais íntimos da díade mãe-bebé e deve trazer prazer e bem estar. Para mim teria ajudado saber, antes do parto, o que aqui partilho. Estou certa que terão outras quantas lições a adicionar a estas.

Um comentário a “Lições que aprendi sobre amamentação: aspetos práticos”

  1. Minha querida fazes muito bem em partilhar a tua experiência e saber
    A intenção é ajudares a facilitar a vida às futuras mães.Bem-hajas.bjnos

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