Monthly Archives: Agosto 2017

Como aplicar um supositório no bebé?

Os supositórios são frequentemente utilizados nas crianças pela fácil aplicação e absorção, contornando o problema de não quererem tomar os medicamentos oralmente e deitarem fora. Existem alguns medicamentos em supositório, sendo os mais utilizados os antipiréticos, analgésicos e anti-inflamatórios, para tratar a febre, a dor e a inflamação. Destes os mais utilizados em Portugal são o paracetamol e o ibuprofeno.

Geralmente quando inserimos o supositório no rabo do bebé, a seguir ficamos a apertar as nádegas uma contra a outra para que não deite o supositório fora. Quando inserimos o supositório pela base não precisamos de ter esta preocupação, porque mais facilmente fica retido.

Esta forma de aplicação é pouco falada, mesmo em contexto de urgência, mas pode facilitar a vida, sobretudo quando estamos com um bebé com febre e impaciente e queremos dar-lhe o que precisa para baixar a temperatura.

Há que notar que a prática comum e a recomendação dos fabricantes de supositórios é inserir a ponta primeiro. Parece haver um benefício de inserir a base e não parece haver desvantagem de o fazer. Os bebés não ficam desconfortáveis e raramente deitam fora o supositório.

Os supositórios são fabricados num formato de torpedo, com uma ponta afilada e uma base plana e tradicionalmente eram inseridos pela ponta afilada e pressionando com o dedo pela base plana.

No entanto, foi estudada a eficácia da inserção pela ponta ou pela base e chegou-se à conclusão que a capacidade de reter o supositório é maior quando é inserido pela base (ou seja a base plana entra primeiro) porque o esfíncter anal e as contrações intestinais facilitam a entrada do supositório.

Como cuidar da pele do bebé

Cuidados com a pele do bebé

A pele do bebé é especialmente delicada e por isso é muito importante termos alguns cuidados para garantirmos que se mantém hidratada e evitarmos irritações e descamações.

Produtos de aplicação na pele

Devemos utilizar produtos próprios para bebé. Existem várias opções disponíveis, mas o princípio comum é evitar os perfumes e os irritantes dos olhos.

Devemos tentar ser consistentes nos produtos que utilizamos e escolher uma marca para toda a linha de produtos de higiene. Se o bebé se dá bem com essa marca devemos manter e não utilizar linhas diferentes com as quais pode ter reações variadas, inclusivamente alérgicas.

Para lavagem no banho temos os cremes lavantes, que usualmente se aplicam em pequena quantidade com uma toalha de rosto, luva ou pano ou com as mãos. Usualmente utilizo duas “doses” de creme lavante, a primeira espalho com a toalha de rosto para lavar o cabelo e depois as pregas e o resto do corpo. A segunda aplico diretamente na água do banho.

Também existe o creme lavante para a zona da fralda, que deve ser lavada antes do banho (para não sujar a água onde vamos lavar o resto do corpo). A maioria das opções não requer enxaguamento e pode ser aplicado com compressa húmida na zona da fralda de frente para trás.

Depois do banho é importante utilizar creme hidratante, que, no caso dos bebés, costuma ser de face e corpo. Devemos lembrar-nos de aplicar nas zonas onde os bebés transpiram mais e que, por isso, têm mais tendência a pele irritada – o pescoço, atrás das orelhas, as axilas, as virilhas e atrás dos joelhos.

Aplicação de creme na pele do bebé. Imagem digital. Howcast. Web. 15 de Agosto de 2017. <www.howcast.com>

Secagem da pele

A pele deve ser sempre bem seca a seguir ao banho, com uma toalha de algodão turca o mais grossa possível (para que absorva bem a água e não fique logo completamente encharcada) com pequenos toques ao longo da pele (sem esfregar) e insistindo atrás das orelhas, nas axilas, no pescoço, virilhas e atrás dos joelhos.

Frequência dos banhos

Os banhos são uma das razões mais frequentes para irritação da pele porque a água morna e os cremes lavantes retiram os ácidos gordos da pele, que a mantêm hidratada.

Por este motivo está recomendado que os bebés tomem banho 2-3 vezes por semana. Nesta altura de Verão, em que os bebés transpiram mais, o banho pode ser diário. Cá em casa dou banho diariamente. Nestas situações em especial, o banho deve ser rápido, apenas o tempo suficiente para lavar o bebé e devemos utilizar sempre creme hidratante a seguir. Quando a pele está mais irritada podemos inclusivamente aplicar o creme com a pele ainda húmida, para ajudar a “manter” a água nas células da pele.

A zona da fralda

Para evitar irritações desta zona (dermatites) ou infeções fúngicas (candidíase) devemos manter esta zona o mais seca possível, mudando a fralda sempre que estiver muito húmida ou com cocó. Hoje em dia as fraldas descartáveis são muito absorventes e evitam este tipo de complicações. Nos bebés com mais tendência a irritações da pele nesta zona, devemos procurar fraldas com absorção extra para o período da noite, para não termos de acordar o bebé.

Sempre que mudamos uma fralda com cocó devemos aplicar creme barreira. Nos casos de irritação da pele devemos aplicar cremes reparadores, que incluem zinco na sua composição (como por exemplo o CicalfateⓇ, o MitosylⓇ ou o EryplastⓇ) em todas as mudanças de fralda.

O creme barreira funciona exactamente como uma barreira à entrada de humidade na pele mas também não deixa a pele “respirar”, daí que não deva ser aplicado em todas as mudanças de fralda. Como a minha bebé tem tendência as irritações na zona da fralda, eu utilizo creme reparador; quando a pele está irritada aplico em todas as mudanças de fralda, quando está bem aplico apenas quando a fralda tem cocó.

A zona da boca

Esta zona fica muitas vezes irritada quando os bebés se começam a babar e pelo contacto com a chucha.

Devemos limpar frequentemente a saliva. As chuchas devem ser “ventiladas” (ou seja, ter orifícios que permitam a saída de saliva) e, hoje em dia, existem chuchas com abas flexíveis que irritam menos a pele.

Proteção solar

Devemos aplicar creme solar com fator de proteção superior a 30, preferencialmente 50+, sempre que saímos com o bebé à rua nos meses de Maio a Outubro e evitar exposição solar direta dos bebés com menos de 6 meses (preferencialmente até aos 12 meses) e sempre nas horas do calor (11-16 horas).

Temperatura ambiente

Com o calor os bebés transpiram e a pele fica irritada sobretudo na zona do pescoço, axilas, parte da frente dos cotovelos e parte de trás dos joelhos. Podem aparecer pequenas borbulhas vermelhas interpostas por pele normal, a que chamamos sudamina e que podem dar comichão.

Para evitar esta irritação, devemos vestir o bebé com roupas largas e leves. O bebé deve utilizar até mais uma camada de roupa do que o adulto. Devemos ajustar a forma como vestimos o bebé ao nosso grau de conforto com as roupas que temos vestidas.

No Inverno é comum utilizarmos aquecimentos que secam o ar. Por este motivo devemos investir num humidificador, para evitar que a pele fique seca e que o nariz inflame. Devemos limpar frequentemente o humidificador para que não apareçam fungos.

Lavagem da roupa

Os detergentes com que lavamos a roupa devem ser o mais livres possível de perfumes; existem no mercado várias opções para bebé.

A roupa pode ser seca na corda ou no secador mas na corda está mais sujeita a retenção de pólens que podem causar alergias da pele e do nariz. A temperatura do secador é suficiente para diminuir a quantidade de bactérias na roupa e comparável a engomar.

A pele é o nosso maior órgão pelo que devemos cuidar dela com especial atenção, sobretudo nos bebés em que é mais frágil e pode causar desconforto.

Como guardar leite materno

Como retirar e conservar leite materno

Para as mães preocupadas com o regresso ao trabalho e com o momento em que vão deixar de ter todo o tempo disponível para o seu bebé, retirar leite materno pode ser parte da solução. Pelo menos garantimos que temos leite disponível para aqueles dias em que é impossível estarmos presentes.

Para retirar leite materno existem várias formas:

Expressão manual

É adequada quando queremos retirar pouca quantidade de leite, nomeadamente em casos de subidas de leite dolorosas, encaroçamento ou mastites mas é lenta e pouco eficaz quando o objetivo é armazenar leite.

Expressão com bomba manual

A bomba manual é mais barata mas também implica que sejamos nós, mães, a mexer na bomba para que ela funcione; para algumas mães pode funcionar bastante bem e permite adequar a sucção da bomba ao conforto da mãe; a desvantagem é a necessidade de um “operador”.

Bomba manual. Imagem digital. Fit pregnancy and baby. Web. 12 de Agosto de 2017. <www.fitpregnancy.com>

Expressão com bomba elétrica

Estas bombas apenas necessitam de uma ligação à eletricidade para funcionarem; a maioria tem várias velocidades e forças de sucção; devemos escolher a que melhor se adequa ao nosso conforto.

Bomba automática. Imagem digital, What to Expect. Web. 12 de Agosto de 2017. <www.whattoexpect.com>

Com que idade do nosso bebé devemos começar a retirar leite?

Usualmente começamos a retirar leite a partir dos 2 a 3 meses, dependendo também de quando será o regresso ao trabalho. No primeiro mês e meio a produção de leite é dirigida ao bebé e a quantidade adequada à quantidade de vezes que se alimenta e à quantidade de leite que ingere. Nesta fase retirar leite pode ser feito quando há encaroçamento mas fazê-lo sem ser neste contexto pode levar a sobreprodução de leite e a dor mamária.

Com que frequência devemos retirar leite?

Esta frequência não está definida. Quando o bebé não está a mamar por um período superior a 3 horas (quando estamos no trabalho, por exemplo), podemos retirar de 3/3 horas.

Se o bebé ainda está a amamentar exclusivamente podemos retirar 2-3 vezes por dia, começando por uma vez e aumentando o numero de vezes progressivamente, para permitir a adaptação da produção de leite. Podemos retirar leite durante 10-15 minutos em cada mama, mantendo sempre presente que no início retiramos pouco mas vai aumentando a quantidade que conseguimos retirar.

Devemos esterilizar os componentes da bomba?

Idealmente, sim, as tubuladuras da bomba devem ser esterilizadas após a utilização. Caso sejam utilizadas mais do que uma vez por dia, podem ser conservadas no frigorífico e lavadas e esterilizadas no fim do dia.

A lavagem usualmente é fácil e não são necessários esfregões ou escovilhões, porque é raro haver depósito solidificado de leite nas paredes. Pode ser utilizado um pano ou as mãos (que é o que utilizo cá em casa, para não ter de andar sempre a lavar panos da loiça).

A esterilização pode ser feita nas máquinas de esterilização, nos robots de cozinha, no microondas, numa panela com água a ferver ou até debaixo da torneira com água quente.

A esterilização está completa ao fim de 10 minutos de imersão em água fervente ou de exposição a vapor de água.

Eu utilizo a BimbyⓇ e coloco 30 minutos a 110ºC na velocidade 0.5 inversa, com 1 L de água e os componentes da bomba dentro do cesto.

Existem umas caixas próprias para esterilização no microondas, nomeadamente da AventⓇ e sacos da Medela Ⓡ, que permitem esterilização em 3 minutos a 900W. Parecem-me opções muito práticas. Como tenho BimbyⓇ cá em casa, vou aproveitando algumas das suas vantagens.

Onde devemos guardar o leite materno?

Se o objetivo é oferecer ao bebé nas 24 horas seguintes, podemos guardar dentro do biberão mas devemos agitar antes de oferecer, para misturar a gordura que se deposita.

Se queremos guardar a longo prazo devemos saber que a duração de conservação é:

  • 4-6 horas à temperatura ambiente;
  • 24 horas a 15ºC (algumas lancheiras e malas térmicas mantêm esta temperatura mas a maioria tem variações grandes, pelo que não são um método adequado de conservação e não devem ser utilizadas);
  • 3-8 dias a 4 ºC (no frigorífico);
  • 6-12 meses entre -18 e -20ºC (no congelador).

Devemos lembrar-nos que o leite materno deve ser guardado em recipientes próprios, existindo os copos e os sacos de conservação, tanto da AventⓇ como da MedelaⓇ.

Quando guardamos leite materno no frigorífico não devemos colocar na porta, porque está sempre a abrir e a fechar e também há variações de temperatura, mas sim na zona mais fria do frigorífico.

Devemos sempre registar no recipiente a data em que foi efetuada a colheita de leite.

Como devemos descongelar o leite materno?

A forma melhor é descongelar no frigorífico de um dia para o outro. Em alternativa podemos descongelar em banho maria, imerso em água a 37 ºC (o que não é muito prático porque implica medir a temperatura da água). Para esta última opção pode ser usado um robot de cozinha com 1L-1,5 L de água (até imersão), colocando o saco ou copo de conservação no cesto e programando 15 minutos a 37 ºC, na velocidade 0.5 inversa.

O leite materno nunca deve ser aquecido no microondas porque perde nutrientes.

Para evitar que esteja frio quando oferecemos ao bebé, podemos aquecer em banho maria como descrito ou retirar do frigorifico 1-2 horas antes de oferecer para que fique à temperatura ambiente.

Boa sorte a todas as mães que estão a construir a sua reserva para os seus bebés (ou planeiam fazê-lo)!

Como as mães fazerem exercício físico no pós-parto pode beneficiar os seus bebés

Como as mães fazerem exercício físico no pós-parto pode beneficiar os seus bebés

Fazer ginástica, andar a pé, correr… tudo isto custa e muito no pós-parto. Para começar muitas de nós mal pregamos olho a noite toda. Mesmo aquelas sortudas que dormem, nunca dormem com a mesma qualidade e acabam por não parar todo o dia.

Depois de horas sem dormir, de andarmos com os nossos bebés ao colo, de tentarmos acalmar os choros, de lavarmos roupa, estendermos roupa, cozinharmos, lavarmos e voltarmos a lavar chuchas… a última coisa que apetece é fazer exercício.

Eu partilho deste sentimento e por isso estas palavras são também para mim, para me lembrar, naqueles dias em que não há mais energia, que devia ir buscá-la a algum lado porque isto é importante e nunca é demais lembrar.

Exercício pós-parto

O exercício no pós-parto:

1. Ajuda a recuperar a forma física

E com isto ajuda a subir a auto-estima, a sentirmo-nos donas do nosso próprio corpo novamente e a vermo-nos gradualmente voltar ao que éramos antes. Às vezes não dá jeito pôr maquilhagem, uns brincos ou colares; dias haverá (para mim já houve) que saímos com roupa toda a destoar, o cabelo penteado à pressa, até sapatos trocados. Mas no meio disto tudo sabe muito bem sentirmos o nosso corpo a recuperar.

2. Melhora a disposição e aumenta a energia

Especialmente importante no período pós-parto imediato, com os baby blues e as depressões pós-parto; o exercício físico liberta endorfinas, que sinalizam prazer e bem estar ao nosso corpo. Por outro lado, se praticarmos exercício em aulas de ginástica pós-parto tendemos a encontrar outras mães na mesma situação que nós e sentimo-nos menos sozinhas; às vezes até nos apercebemos que pensávamos estar a falhar nalguma coisa e afinal há muito mais mães a passar pelo mesmo.

3. Melhora a vinculação afetiva mãe/filho

Porque melhora a disposição, distrai e diminui os níveis de stress das mães.

4. Melhora a saúde cardiovascular

Este benefício é mais que conhecido e quem não quer estar saudável para aproveitar o tempo com o seu bebé?

5. Fortalece os músculos

Nomeadamente os músculos dorsais e lombares. Estes músculos são muito importantes quando transportamos os nossos bebés ao colo ou levantamos o carrinho para o arrumarmos no automóvel.

6. Estabelece um exemplo ao nosso bebé

Quando os bebés são pequenos, não percebem bem mas estes hábitos criam-se desde cedo e quanto mais cedo nós começarmos a praticar exercício, mais fortemente estabelecemos o hábito para nós, mães, e mais fácil será dar o exemplo às nossas crianças. Esta consequência, para mim, é a mais importante. Todas nós sentimos a responsabilidade de fazer mais e melhor pelos nossos bebés e tudo começa em casa. Está provado que as crianças de pais que gostam de praticar exercício físico comprometem-se mais com a atividade física e são mais saudáveis. Apesar de se ter comprovado que as mães mobilizam toda a família no sentido de praticar mais exercício, quando são motivadas para isso, também se verificou que as taxas de sedentarismo têm aumentado e que mais de metade das mães não pratica o nível de atividade física recomendado.

Efeito do Exercício físico sobre a Amamentação

Alguns aspetos que devemos conhecer sobre o efeito do exercício físico sobre a amamentação:

1. Não altera significativamente a composição do leite materno

A prática de exercício físico de moderada intensidade não altera em nada a composição. O exercício intenso está associado a diminuição esporádica (na alimentação seguinte ao exercício) dos níveis de anticorpo imunoglobulina A (sem relevância clínica) e a aumento do ácido lático na 1h30 seguintes (que não afeta o bebé).

2. A transpiração pode levar a acumulação de sal nos mamilos

O sal pode incomodar o bebé e levar a que não se queira alimentar ou pareça agitado; a solução é passar os mamilos por água a seguir ao exercício ou tomar um banho.

3. Não altera a quantidade de leite materno produzido

4. Não está associado a menor aceitação do leite materno por parte do bebé

A aceitação é a mesma entre mães que praticam atividade física e mães que não praticam, independentemente da intensidade do exercício; alguma agitação a seguir ao exercício poderá resultar do sal acumulado pela transpiração.

Que exercícios podemo fazer?

Existem vários tipos de exercício físico que podemos fazer, o mais comum sendo a ginástica pós-parto, que deve ser supervisionada por monitores com diferenciação nesta área. Alguns centros dispõem de amas que tomam conta dos bebés enquanto fazemos a aula de ginástica, permitindo superar o obstáculo de não termos com quem os deixar ou de poderem precisar de amamentar.

A corrida é um bom exercício cardiovascular mas só deve ser feita com o bebé quando este tem sustentação da cabeça (a partir dos 6 meses) e com carrinhos adequados.

Toca a mexer, se não por nós, pelos nossos bebés!

Tummy time – a importância para o bebé com menos de 6 meses

Tummy time – a importância para o bebé com menos de 6 meses

Os bebés, quando nascem, não têm força no pescoço, razão pela qual a cabeça lhes cai para a frente e não a conseguem segurar. À medida que o tempo vai passando, vão desenvolvendo os músculos do pescoço e vão aprendendo a segurar a cabeça primeiro (brevemente com 1 mês e mantido a partir dos 4 meses) e depois a levantá-la (3-4 meses).

O que é o tummy time?

O tummy time é o tempo que reservamos para colocarmos o bebé de barriga para baixo, quando acordado, para que treine os seus músculos do pescoço.

Desde quando se deve fazer?

De acordo com a Associação Americana de Pediatria, o bebé deve começar logo que vai para casa da maternidade.

Com que frequência?

Deve ser feito 2-3 vezes por dia, por períodos de 3-5 minutos. Pode ser utilizado um tapete de atividades ou tentar fazer em qualquer superfície plana, tendo cuidado que não seja alta e que o bebé não possa cair (mesmo quando são recém-nascidos, têm tendência a “empurrar-se” para a frente com os pés).

E se o bebé não gostar desta posição?

Devemos insistir à mesma e colocá-lo nessa posição 2-3 vezes por dia mesmo que apenas por 1 a 2 minutos. Vamos aumentando esse tempo de acordo com a tolerância do bebé. Podemos tentar estimular com brinquedos que façam barulho para que tenha curiosidade e se esforce a levantar a cabeça.

Algumas regras de segurança para o tummy time

Devemos garantir que utilizamos uma superfície plana, larga e baixa, preferencialmente no chão sobre uma manta/toalha ou num tapete de atividades. Não devemos deixar o bebé sozinho nesta posição e não o devemos deixar dormir, porque está associado a risco de Síndrome de Morte Súbita do Lactente.

Se o bebé está sonolento devemos virá-lo de barriga para cima e colocar no berço para dormir.

O que devemos esperar, quanto ao controlo da cabeça

Recém-nascido

Totalmente dependente do adulto para segurar a cabeça.

1-2 meses

No final do primeiro mês consegue levantar a cabeça brevemente e virá-la para os dois lados, quando está de barriga para baixo; às 6 a 8 semanas, se for muito coordenado, consegue levantar a cabeça quando está deitado de costas; quando está no nosso colo sentado, consegue levantar a cabeça brevemente.

3-4 meses

Consegue levantar a cabeça 45º e manter, quando deitado de barriga para baixo.

5-6 meses

Aos 6 meses o bebé consegue levantar a cabeça quando deitado de barriga para cima e é puxado pelos braços.

A capacidade de segurar a cabeça é utilizada por nós toda a vida para nos sentarmos, pormos de pé e andarmos. O bebé vai precisar muito de desenvolver os músculos do pescoço e de aprender a equilibrar a cabeça para todas as etapas de desenvolvimento motor, pelo que devemos estimular esta capacidade e tentar que seja o mais divertida possível.

Como organizar uma ida à praia com o bebé

O que levar para a praia com bebés?

A praia pode ser muito divertida mas também pode ser muito enervante, sobretudo com bebés entre 1 e 4 anos, que já andam e correm pela praia mas ainda não percebem a necessidade de não se afastarem muito.

Aqueles dias que conhecíamos de estarmos na praia na toalhinha, a torrar ao Sol, já nos parecem bem longínquos mas isso não significa que não nos seja possível aproveitar a praia e redescobrir algumas atividades com os nossos bebés, das quais já nem nos lembrávamos.

Há que planear muito bem o que levar para a praia e o primeiro princípio é uma mala grande! (aliás, com miúdos, são quase sempre malas grandes, seja para o que forem utilizadas)

Lancheira térmica

Precisamos sempre de levar alguma comida, que os bebés possam devorar entre brincadeiras, e água.

Água fresca

O ideal é levar um termo que tenha uma tampa de onde se possa beber, para evitar ter de levar copos de plástico que, não só têm um custo, como prejudicam o ambiente e ocupam espaço.

Snacks

É uma boa ideia levar pequenos snacks que não se estraguem com o calor, como sejam bolachas de água e sal; se levarmos lancheira, é sempre saudável e um bom hábito levarmos fruta e podemos levar também sandes; devemos evitar o fiambre ou carnes frescas na praia se não levarmos lancheira porque a exposição ao Sol estraga estas carnes e temos um risco de gastrenterite a seguir.

Toalhas de praia grandes

Para que crianças e adultos se possam sentar sem se encherem de areia, mesmo que as crianças andem por ali a correr e não se sentem um minuto na toalha.

Protetor solar

Deve ser mineral e o fator de proteção deve ser 50+ nos bebés e 30, no mínimo, para as crianças; é mais fácil aplicar o protetor em casa, porque evita confusões com a areia e cria uma rotina; além disso, nos adultos que usam protetores de absorção (não minerais), estes demoram um tempo a começar a atuar.

Moedas

Se já estamos loucos com as correrias dos bebés, estamos há 1 hora na praia e apetece-nos um gelado ou uma língua da sogra, dá jeito ter umas moedas para o vendedor ambulante.

Fraldas impermeáveis e fraldas “normais”

Se o bebé ainda não tem continência, deve usar fraldas impermeáveis quando vai à água; quando está para ir embora pode usar fraldas “normais”.

Toalhitas

Para as mudas de fralda.

Trocador de fraldas

Ajuda ter uma zona que não se enche de areia para mudar a fralda ao bebé.

Um saco impermeável com zip

Para colocar os fatos de banho à saída da praia.

Uma t-shirt para muda de roupa

Caso haja algum acidente; muitas vezes não é prático levar uma muda de roupa inteira e não tem grande mal que o bebé volte para casa de fralda; por outro lado é difícil passar o bebé por água doce na praia, encontrar um chuveiro e esquivarmo-nos a um berreiro, por isso é mais fácil voltar para casa como está; se a limpeza do carro é mesmo muito importante para nós, fica a faltar uma muda de roupa completa e uma toalha para secar.

Tenda ou chapéu de Sol

Para que a criança possa fazer uma sesta ou estar mais resguardada, o ideal é uma tenda; também é mais fácil de montar e desmontar que um chapéu. Existem tendas grandes, para toda a família e mais pequenas, para as crianças.

Brinquedos de praia

Os clássicos são o balde, pá, ancinho e peneira; permitem que o bebé fique a brincar numa zona mais limitada da praia, ao contrário do que acontece com as bolas; em dias de praia mais agitados, com muita gente, são o ideal.

Bolsa para carteira, telemóvel, documentos e chaves de casa e do carro

Ajuda que estejam guardados numa bolsa, para podermos andar atrás dos bebés e levar só estes itens, evitando que fiquem abandonados com as toalhas e tendas, com o risco que sejam levados.

Braçadeiras

Se a criança ainda não aprendeu a nadar, é mais fácil colocar as braçadeiras logo à entrada da praia porque pode ir a correr para a água e ser difícil apanhá-lo a tempo.

Braçadeiras. Imagem digital. Alibaba. Web. 6 de Agosto de 2017. <www.alibaba.com>

Chapéu

Não nos devemos esquecer que a cabeça não fica protegida pelo creme solar; mesmo que seja difícil manter um chapéu na cabeça dos nossos bebés, devemos levar.

Chinelos

O calçado deve ser o mais simples possível e na praia é para estarmos todos descalços; aos bebés andar na areia descalço ajuda à formação da arcada do pé e é uma boa atividade física.

Alguns items opcionais são:

Pano para ir à água

Existem panos de transporte de bebés, mais simples que os marsúpios, compostos pelo mesmo tecido que os fatos de banho, para que o bebé possa ir à água ao nosso colo.

Cadeira de praia para os pais

É mais relaxante estar sentado a ver o bebé mas é difícil que ele não saia da nossa área de toalhas, por isso este item não é essencial.

O mais importante é que seja um momento divertido e que não seja a mala que levámos e o que lá está que nos impeça de aproveitarmos as brincadeiras e as memórias que ficam destes dias de Verão!

Como proteger o bebé do Sol

Porque estamos no Verão … como proteger o bebé do Sol

A proteção solar é importante durante todo o ano mas principalmente nos meses quentes, isto é, de Maio a Setembro. Em Portugal o índice de radiação ultravioleta é classificado como muito alto nestes meses.

Por este motivo têm sido cada vez mais comuns as consequências adversas da exposição solar.

A pele das crianças, embora semelhante à do adulto em termos de composição, é mais delgada e mais sensível. Por este motivo as crianças têm mais facilmente queimaduras como resultado da exposição solar sem proteção cutânea. A queimadura acontece ao fim de 4 horas de exposição e o bronzeamento nas 24 a 72 horas seguintes.

As crianças ruivas, seguidas das loiras, são as mais sensíveis à exposição solar.

Que protetor solar escolher?

O protetor adequado às crianças é o mineral, que atua refletindo a luz solar, ao invés de funcionarem por absorção. A desvantagem é que se notam sobre a pele, embora este efeito esteja a ser minimizado pelo uso de processos de micronização.

A composição destes cremes é dióxido de titânio ou óxido de zinco.

O que quer dizer o fator de proteção?

Para um fator de proteção de 50, o tempo para surgir uma queimadura é 50 vezes superior ao tempo em que ela surge em pele desprotegida.

O fator de proteção mais elevado é o 50 e estes protetores usualmente têm a indicação 50+.

Nas crianças devemos procurar um fator de proteção mínimo de 30 e nos bebés é preferível 50+.

De que radiação nos devem proteger os protetores solares?

Tanto UVA como UVB, porque ambas são nocivas, a primeira originando fotoenvelhecimento e cancro e a segunda levando a queimaduras.

Atenção que o fator de proteção apenas se refere à radiação UVB, pelo que devemos sempre procurar na embalagem se também protege contra UVA.

Que outras características do protetor solar devemos procurar?

Devemos estar atentos se é resistente à água, sendo que poderão estar classificados como water resistant (resiste a 2 banhos de 20 minutos) e very water resistant (resiste a 4 banhos de 20 minutos).

Que horário devemos escolher se formos à praia com bebés?

Devemos evitar as horas do calor, entre as 11h e as 16h.

Existe alguma idade em que seja desaconselhada a exposição ao Sol?

Sim, deve ser evitado ao máximo exposição solar direta até aos 6 meses, pelo menos, e, de preferência, até aos 12 meses.

Para este efeito devemos utilizar protetores físicos quando vamos passear com o bebé, nomeadamente coberturas para o carrinho e capotas. Como estas coberturas devem ser soltas para permitir a ventilação adequada do carrinho e do bebé, é impossível evitar completamente a exposição solar direta, pelo que, mesmo nestes bebés, podemos utilizar um creme de proteção.

Pesquisando coberturas completas para o carrinho, existe a cobertura de ajuste universal da Munchkin, que refere bloqueio de 98% de raios UV, com malha respirável e abertura dianteira para acesso ao bebé. O maior problema é que, a partir dos 2-3 meses, os bebés não costumam gostar de estar atrás de uma cobertura e de não verem nada. Por isso as cortinas costumam ser uma boa opção mas há sempre alguma luz solar que passa, porque voam ou não ajustam na perfeição ao carrinho.

Que outros cuidados devemos ter?

Tentar usar roupas que tapem o máximo possível a pele (manter as t-shirts ou utilizar fatos de surf ou t-shirts aquáticas) e usar chapéu (o couro cabeludo não fica protegido pelo creme).

Se a criança utilizar óculos de sol, devem ter capacidade de filtração de radiação e não serem “de brincar”. Os “de brincar” escurecem o que as crianças vêem, de modo que mais facilmente olham para áreas com grande intensidade de radiação, que as incomodariam se não usassem os óculos.

Devemos ter particular atenção às viagens de automóvel; podemos utilizar telas protetoras e às vezes os vidros dos carros são escurecidos mas a proteção nunca é muita, pelo que devemos utilizar a capota e cobrir com uma fralda, sobretudo em viagens longas.

Aproveitem o Sol em segurança!

Como organizar as sestas do bebé

A importância das sestas do bebé

Dormir é tão importante para o bebé como comer. Foi a conclusão de um estudo recente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).

Por isto é importante deixar que os bebés durmam tudo o que precisam e sobretudo não os manter acordados para que durmam melhor à noite. Estas indicações mantêm-se até aos 5/6 anos de idade e foram emitidas recomendações neste sentido às escolas pela SPP.

Se o seu bebé já vai à escola, confirme junto das educadoras se fazem períodos de sesta.

É importante salientar que, a partir dos 4 anos, a necessidade de fazer a sesta varia de criança para criança e deve ser avaliada pela educadora em conjunto com os pais.

O sono é importante para o desenvolvimento cognitivo da criança e a SPP concluiu que a privação da sesta conduz a problemas na regulação do humor, alterações cognitivas, do comportamento e da mobilidade. Algumas consequências possíveis são o fraco rendimento escolar, perturbação de hiperatividade e défice de atenção, ansiedade e depressão e alterações da dinâmica familiar.

Dormir as horas de sono necessárias desde cedo na vida está associado a um melhor perfil cognitivo aos 6 anos, sobretudo a inteligência não verbal, não parecendo afetar a compreensão.

Por este motivo este assunto é muito importante na promoção do desenvolvimento e bem estar físico e psíquico dos nossos bebés.

Duração e organização das sestas

Os recém-nascidos não têm padrões de sono organizados e, na generalidade, dormem períodos de 2-4 horas de cada vez. Só por volta das 6 a 8 semanas começam a fazer períodos mais prolongados de sono, dormindo mais de cada vez, mas menos vezes. Nesta idade habitualmente precisam de 2-4 sestas por dia, por vezes mais.

Aos 3 a 4 meses os bebés começam a ter um padrão mais previsível de sono durante o dia e a ter aquilo que se chama de sestas organizadas. Nesta fase é importante tentarmos que o bebé faça sestas nas mesmas alturas do dia, para que se adapte a uma rotina; alguns bebés fazem sestas mais prolongadas, outros seguem um padrão mais irregular e fazem sestas mais curtas.

Aos 6 meses os bebés fazem geralmente 3 sestas ao dia: uma no início da manhã, uma no início da tarde e outra ao fim da tarde. Aos 9-12 meses reduzem para duas sestas ao dia: uma de manhã e outra à tarde e aos 18 meses fazem apenas uma sesta à tarde.

Estratégias para organizar as sestas do bebé

Ler os sinais

Quando o bebé começa a esfregar os olhos e a ficar agitado ou adormece sempre à mesma hora, já nos indica a hora em que está pronto para dormir. Ajuda registar os horários destes sinais e das sestas durante 2 semanas. Nas alturas em que mostra estes sinais, podemos embalar para que adormeça antes de ficar demasiado cansado e rabugento.

Manter uma rotina consistente

Devemos tentar que os horários em que os embalamos para dormirem a sesta sejam sempre os mesmos; da mesma forma devemos evitar fazer atividades que colidam com o horário da sesta. Se o bebé está na escola, devemos seguir o horário da sesta que faz durante a semana.

Não dramatizar quando há interrupções

É impossível pôr toda a rotina da casa a rodar todos os dias à volta do horário da sesta, sobretudo se viverem outras crianças na mesma casa; se num dia a sesta não é feita ou começa mais tarde, não há problema; com uma rotina consistente facilmente conseguiremos voltar ao horário que estabelecemos.

Ter um ritual da sesta

Geralmente este ritual é mais curto que o que fazemos antes de ir dormir; pode incluir por exemplo ler uma história e depois embalar.

O que fazer na hora da sesta?

  • Pôr o bebé a dormir no berço ou alcofa de barriga para cima: exatamente como fazemos à noite.
  • Diminuir a luminosidade no quarto: baixar o estore ou persiana ou correr a cortina, aproximando o mais possível do ambiente noturno.
  • Certificar que as roupas com que dorme são confortáveis e adequadas à temperatura ambiente: não é necessário vestir o pijama.
  • Fazer atividades calmas antes da hora da sesta: devemos evitar som alto ou brincadeiras muito estimulantes.
  • Pôr o bebé no mesmo sítio onde dorme à noite, se possível: desta forma o bebé vai associar o berço/alcofa à hora de dormir.
  • Em viagens ou saídas de casa na hora da sesta, levar os objetos que o bebé associa à sesta: como livros de histórias ou bonecos.
  • Evitar que o bebé atinja uma fase de cansaço antes de iniciar o ritual da sesta: quando estão muito cansados alguns bebés não conseguem adormecer.

Se as sestas forem sempre curtas (menos de 1 hora), não é necessário preocupações, desde que o bebé não esteja agitado, irritado ou difícil durante as horas em que está acordado.

Se o bebé não dorme praticamente nada e não faz sestas, não é motivo para nos culpabilizarmos. Tudo o que devemos fazer é oferecer ao bebé a oportunidade de dormir sempre que precisa e num horário consistente. Se o bebé não dorme mas está bem disposto durante o dia, provavelmente não precisa desse período de sono.

Os bebés que dormem melhor de dia, dormem melhor à noite?

A verdade nesta afirmação está no facto de que as crianças que ficam exaustas, apesar de estarem muito cansadas não conseguem adormecer e acabam por chorar e ficar muito agitadas antes de adormecerem. Por este motivo, as crianças que não dormiram o que precisavam durante o dia, mais facilmente estarão cansadas à noite e ultrapassam este limiar em que se torna mais difícil adormecerem. Como adormecem mais dificilmente também dormem menos.

Esta sequência de acontecimentos acaba por levar a um ciclo vicioso.

No entanto, esta afirmação é falsa na medida em que um bebé que durma pouco de dia mas que esteja sempre bem disposto, provavelmente não precisa de mais sono durante o dia e em nada afeta o seu sono à noite.

Duração do sono nas 24 horas por idade

A duração de sono é variável de bebé para bebé. A Associação Americana de Pediatria descreve o número de horas em média para cada grupo etário mas os bebés não se comportam todos da mesma maneira nem sabem ver as horas, pelo que não há motivo para preocupações se o bebé estiver bem disposto e calmo durante o dia, mesmo que durma menos do que o que indico abaixo.

  • Recém-nascidos: 8h30 à noite, cerca de 3 sestas totalizando 7 horas de sono de dia; um total de 15h30 nas 24 horas.
  • 3 meses: 10 horas de sono à noite, 3 sestas por dia totalizando 5 horas de sono; um total de 15 horas de sono.
  • 6 meses: 11 horas de sono à noite, 2 sestas por dia totalizando 3h15 de sono; um total de 14h15.
  • 9 meses: 11 horas de sono à noite, 2 sestas por dia totalizando 3 horas; um total de 14 horas de sono.
  • 12 meses: 11h15 de sono à noite, 2 sestas totalizando 2h30; total de 13h45 de sono.

Em conclusão, a nossa obrigação como pais é certificarmo-nos que damos ao bebé as condições necessárias para dormir o que precisa, nomeadamente desenvolver rotinas e rituais de sono e oferecer ao bebé um lugar calmo para dormir, ao qual esteja acostumado. Se o bebé não dorme tudo o que está tabelado, não nos devemos culpabilizar. Não podemos fazer mais nada e, se o bebé está bem disposto, não há razão para pensar que precise de mais horas do que as que está a dormir.

Aqui por casa, aos praticamente 3 mesinhos, temos a sorte de passar noites descansadas de 9 horas e fazer uma sesta entre as 9h e as 11h. Mas o resto do dia é uma festa! Não há quem feche o olho mais de 15 minutos seguidos!

Como tratar as remelas do bebé

As remelas e os bebés

As remelas são um problema muito comum nos bebés e podem ou não precisar de tratamento.

A remela é uma secreção ocular que se acumula no canto interno do olho, parcialmente dessicada e que notamos mais de manhã, logo a seguir ao bebé acordar.

Remela. Imagem digital. New-Kids Center. Web. 3 de Agosto de 2017. <www.newkidscenter.com>

 

A formação desta secreção é normal e resulta do processo de limpeza do olho, que “expulsa” as impurezas que ali foram parar durante o dia.

Cuidados a ter com os olhos

A limpeza dos olhos deve ser feita uma vez ao dia ou mais, com uma compressa humedecida com água ou soro fisiológico, que deve ser aplicada no canto interno do olho e depois passada suavemente sobre o olho fechado de dentro para fora. Se notar que o olho tem remela durante o dia, deve limpar mais frequentemente, 3-4 vezes por dia.

Quando esta secreção está sempre presente, mesmo ao longo do dia e apesar de sucessivas limpezas, pode ter outras causas não habituais ou fisiológicas.

No bebé até aos 12 meses poderá tratar-se de:

Conjuntivite química

Tem-se tornado cada vez menos frequente após o parto, embora ainda possa acontecer. Resulta do contacto do olho com químicos, nomeadamente o nitrato de prata que era aplicado no olho para prevenção das conjuntivites bacterianas. Hoje em dia o nitrato de prata já não é utilizado para esta finalidade.

No recém-nascido costuma aparecer no primeiro dia de vida e pode manter-se durante 2 a 4 dias.

Também pode acontecer no bebé mais velho por contacto do olho com outros químicos, embora, com todos os cuidados que temos com os olhos, seja raro.

Conjuntivite infecciosa

A conjuntivite bacteriana é uma doença frequente e pode acontecer a seguir ao parto ou em qualquer fase de vida do bebé. No recém-nascido pode ser causada por bactérias que estão presentes no canal de parto e que podem gerar infeções graves. Por isso estes bebés devem ser sempre observados por um médico. As duas bactérias mais “perigosas” neste contexto são o gonococo e a Chlamydia trachomatis.

A conjuntivite por gonococo aparece entre o 2º e o 7º dia de vida e é francamente purulenta, com secreções espessas e, por vezes, sanguinolentas e inchaço do olho. Hoje em dia a maioria das grávidas fazem colheita para cultura de secreções vaginais, pelo que, a estar presente esta bactéria, ela é detetada antes do parto. Deve confirmar com o seu médico se fez essa cultura ou apenas a pesquisa de Streptococcus grupo B que é feita no final da gravidez.

A conjuntivite por Chlamydia trachomatis aparece entre o 5º e o 14º dias de vida e pode ir desde uma inflamação ligeira com secreção translúcida até inchaço, secreção espessa e formação de membranas sobre o olho (pseudomembranas).

Tanto num caso, como no outro, pode haver envolvimento de outros órgãos.

Há que ressalvar que a conjuntivite é, por definição, uma inflamação do olho. Por este motivo o olho nestes casos está vermelho (podemos ver se está olhando para o olho ou baixando a pálpebra inferior).

No recém-nascido e no bebé mais velho a causa mais comum é sem dúvida a bacteriana, usualmente sendo conjuntivites ligeiras e que passam mesmo sem tratamento. São causadas por outras bactérias que não as já mencionadas e que até costumam colonizar a pele, olho e nariz do bebé. É muito frequente que as conjuntivites compliquem nasofaringites (vulgo constipações) do bebé, porque o nariz comunica com o olho através do canal lácrimo-nasal. Quando este canal entope (quando o nariz está entupido), o olho não drena as suas secreções e pode aparecer a conjuntivite.

O tratamento passa pela aplicação de pomadas ou gotas antibióticas oculares (as mais comuns são o ClorocilⓇ e o FucithalmicⓇ) e pela limpeza e desobstrução do nariz. Deve marcar consulta com o seu médico; nestes casos não necessita de ir à urgência.

As conjuntivites também podem ser causadas por vírus, sendo estas mais comuns nas crianças que frequentam a escola e dão alguns sinais, como por exemplo o facto de que não melhoram tão rapidamente depois de iniciar as pomadas/gotas ou dão dor no olho. Deve sempre pedir observação médica nestes casos.

Uma causa muito comum de não melhoria de uma conjuntivite é a utilização errada das pomadas ou gotas, por não terem indicação ou serem usadas em doses inferiores às desejadas. Não deve evitar utilizar estes medicamentos sem indicação médica.

Obstrução do canal lácrimo-nasal

O canal lácrimo-nasal liga o olho ao nariz e é a razão pela qual fungamos quando choramos, porque é por onde passam as lágrimas.

A obstrução deste canal pode acontecer no bebé com menos de um ano (5%) porque o canal ainda não se formou completamente.

Estes bebés têm secreções acumuladas no olho que se mantêm mesmo depois da limpeza, geralmente sem que o olho fique vermelho. Estas secreções começam a ser notadas nos primeiros dias de vida.

A maior parte dos casos (90%) resolve no primeiro ano de vida e para ajudar à resolução deve ser feita massagem do canal lácrimo-nasal. Esta massagem deve ser feita 3-4 vezes por dia, com o nosso dedo mindinho, desde o canto interno do olho, ao longo da borda do nariz e depois ao longo do osso de dentro para fora. Podemos aproveitar as alturas em que está a mamar para fazermos a massagem, porque o bebé estará mais confortável.

No bebé com mais de um ano a causa mais frequente de remela persistente é a conjuntivite infecciosa.

Acordar com o olho “colado” ou cheio de remelas pode ser muito incomodativo tanto para o bebé, como para os pais e por isso é muito importante limpar frequentemente e procurar o seu médico quando necessário.

Picos de crescimento: poderão ser um mito?

Picos de crescimento: poderão ser um mito?

Os picos de crescimento são alturas em que o bebé cresce mais rapidamente e aumenta tanto de peso, como de comprimento, como de perímetro cefálico.

É importante perceber que o crescimento dos bebés não é linear (apesar de ser assim representado nas curvas de crescimento) mas sim por “saltos”, ou seja, existem alturas em que o bebé cresce mais e outras em que estabiliza. As curvas de crescimento são representações gráficas das medidas de uma amostra de bebés em pontos exactos no tempo (0 meses, 1 mês, 2 meses e por aí fora) e esses “saltos” acontecem nos intervalos desses pontos, pelo que não são identificáveis nas tabelas.

Os picos de crescimento existem, no sentido em que o crescimento se comporta desta forma irregular. Geralmente nesta fase a evolução nas medidas é rápida e a roupa deixa rapidamente de servir. No entanto é impossível saber se estão associados a alterações do comportamento, sono ou alimentação.

Existe a hipótese de que as alterações da rotina e comportamento dos bebés possam coincidir com estes períodos de crescimento mais rápido.

Sinais que o bebé poderá estar num desses “picos de crescimento”

Alimentam-se mais

Quando estão a ser amamentados podem mamar durante mais tempo e quando se alimentam de fórmula para lactentes, podem parecer ainda ter fome no fim. Também podem querer alimentar-se mais frequentemente. Nalguns bebés não há manifestações que estejam num pico de crescimento.

Alteram os padrões de sono

Podem dormir mais, acordar menos à noite ou fazer mais sestas; a maioria dos estudos mostra que os bebés podem dormir mais 4h30 que o usual durante um a dois dias. Alguns bebés fazem o oposto, acordam mais vezes à noite e fazem sestas mais curtas.

Ficam mais agitados e carentes de atenção

Podem pedir mais colo ou estar mais agitados em alturas em que usualmente estavam mais calmos.

Quando é mais frequente acontecerem?

Podem acontecer em qualquer altura do crescimento e é impossível saber em que fase acontecem para cada bebé. São mais frequentes, segundo alguns autores, às 2 semanas, 3 semanas, 6 semanas, 3 meses e 6 meses (ou seja nestas fases o crescimento é mais rápido).

Quanto tempo duram?

Usualmente estas alterações de comportamento duram entre 3 a 7 dias.

A verdade é que muitos bebés têm estas alterações de comportamento às vezes durante 3-7 dias e outras vezes mais persistentes e é impossível saber porquê. Poderá ser por um aumento da utilização de energia para crescer, sim. Mas também poderá ser outra razão que não essa.

Ainda sabemos muito pouco sobre o que leva um bebé a comportar-se de forma diferente e não existe evidência que ligue estas alterações ao crescimento.

Cuidar de um bebé implica ajustar a nossa atitude ao comportamento do bebé, que não é sempre igual e é de tal forma único, que muitas vezes o que fazemos a um bebé resulta e noutro da mesma idade não. E perceber que ainda temos dificuldade a perceber os bebés, por muito que tentemos interpretar as pistas que nos dão. Temos de ir tentando entender o nosso bebé, que ninguém conhece tão bem como nós e viver um dia de cada vez.