Monthly Archives: Julho 2017

Como assegurar a higiene e desinfeção junto do bebé

Prevenção das infeções, desinfeção e afins

Quem me conhece sabe que sou um bocadinho obsessiva (talvez até seja um eufemismo dizer um bocadinho). Passei muito tempo às voltas com este tema, sobretudo quando a minha bebé era recém-nascida.

Não há assim muitas fontes onde ler sobre isto e portanto eu acabei por fazer isto um bocadinho “a olho”. Pesquisando com mais calma apercebi-me que afinal há uma fundamentação sobre este tema e achei que era útil partilhá-la convosco.

Os cuidados na prevenção de infeções e desinfeção são sempre importantes mas especialmente no bebé pequeno. Tenho muita dificuldade com termos como “bebé pequeno” porque não querem dizer nada e portanto especificando, para este efeito bebé pequeno quer dizer até aos 3 meses.

Quando pensamos em manter o bebé limpo, associamos a não se andar a arrastar pelo chão, não mexer na taça do cão, não lamber as mesas dos cafés … e muitas vezes esquecemo-nos do principal hospedeiro de infeções – as pessoas.

Ora aqui andamos nós a utilizar banheiras próprias do bebé, que lavamos meticulosamente, a tratar as chuchas como se fossem compressas esterilizadas, a secar a roupa na corda para o calor do Sol matar os “bichinhos” que ficam na roupa. E depois chega a tia avó ou a prima e espeta um beijo na cara do nosso bebé e torna todo este esforço que fazemos redundante. E aqui começa a nossa luta …

Porque do ponto de vista dos familiares e amigos, todos querem tocar, beijar e abraçar o bebé e para eles uma mãe que limita este contacto está a privar os outros de uma manifestação de carinho e vai de “má” a “incorreta” a “malcriada” a “maluca” … Já ouvi de tudo para descrever estas terríveis mães que mais não fazem que não seja protegerem o seu bebé.

A verdade aqui é esta: as infeções no bebé pequeno podem ser muito graves, difíceis de detectar e podem evoluir muito rápido.

Portanto, para as mães que se massacram, como eu, a dizer às pessoas à volta para terem cuidado, eu venho aqui dizer estão a fazer exactamente o que deviam e não deixem que ninguém vos diga o contrário.

Sim, é verdade que é a exposição às infeções que ajuda o sistema imunitário a “aprender” e a defender-se futuramente dessas mesmas infeções. Não, isso não significa expôr o bebé a essas infeções rapidamente para ajudar nesse processo. Esse processo vai acontecer naturalmente e não há necessidade nem se deve expôr um bebé pequeno, com um sistema imunitário imaturo, a infeções das quais poderá ou não conseguir defender-se. O bebé deve ser protegido dessa exposição nos primeiros 3 meses e, se possível, 6 meses.

Passando aos aspetos práticos, vamos jogar à defesa…

Torne a lavagem das mãos uma regra

No meu caso, eu disse mesmo que havia duas regras – lavar as mãos antes de tocar na bebé e não há beijinhos. Pode não ter sido muito bem visto mas melhor isso que uma infeção num bebé pequeno.

A lavagem das mãos deve ser feita antes de tocar no bebé, preparar comida, mudar a fralda, ir à casa de banho ou ao entrar em casa. Se esta regra for difícil de impôr, uma solução é dizer que, se fazem questão de tocar ou beijar que o façam nos pés. Até aos 9 meses o bebé não consegue tocar nos pés nem pô-los na boca pelo que o risco nestas zonas é baixo.

Leve desinfetante das mãos consigo

Se tiver consigo desinfetante quando anda na rua, serve para si e serve para as pessoas que estiverem consigo quando não há um lavatório próximo. O desinfetante deve ser esfregado nas mãos durante 15-20 segundos. Claro que é difícil cronometrar o tempo que as pessoas levam a desinfetar as mãos e já é bastante bom se utilizarem o desinfetante.

Evite locais com muitas pessoas, sobretudo se forem espaços fechados

Esta regra é lei quando se trata de um recém-nascido. Diga à família que venha “aos bocados” e que não se juntem todos de uma vez. Não leve o bebé para centros comerciais ou igrejas. Não leve o bebé ao hospital exceto se o bebé precisar mesmo de observação médica. As salas de espera dos hospitais são dos sítios mais perigosos para um bebé pequeno porque quem lá está usualmente está doente e portanto há risco que passe a doença a outros.

Se for sair prefira uma esplanada às mesas “lá dentro” (no Verão não há melhor do que apanhar um bocadinho de ar fresco e ventilar as ideias, tanto mãe/pai como bebé!). Os jardins, os parques e até andar na rua são todos boas opções. Não fique fechada em casa; não é bom para a sua cabeça, nem para o bebé diferenciar dia e noite.

Lembre as visitas de não virem se estiverem doentes

Por estranho que pareça, há quem se esqueça disto, sobretudo quem não tem bebés ou já os teve há muito tempo.

Culpe o pediatra

Se estas regras forem difíceis de implementar e a família e amigos não percebem ou não respeitam os seus pedidos neste sentido, diga que é uma ordem do pediatra. Para o efeito, quem está a ler isto neste momento pode-me culpar a mim, que nisto eu não me importo nada de ser a má da fita. E também vos digo que também já “usei” o pediatra da minha bebé para criar estas regras cá em casa.

Evite contacto com outras crianças, sobretudo se estiverem doentes

As crianças são as que mais têm infeções e as que mais “transportam bichinhos”. É claro que não podemos, nem devemos limitar o contacto com irmãos, por exemplo. Mas podemos adiar o contacto com os filhos dos amigos pelo menos até fazer um mês.

Se possível o bebé beneficia de ficar em casa até aos 18 meses. Claro que muitos de nós trabalham, mas se pudermos escolher entre ir à escola ou uma ama, em termos de risco de infeção é preferível a ama, porque evita ou diminui o contacto com outras crianças.

Em termos de desenvolvimento as crianças só necessitam de contacto com outras crianças a partir dos 3 anos, em que a brincadeira deixa de ser paralela (ou seja as crianças brincam mas não com os outros; embora possa parecer que brincam com os outros, não há uma interação verdadeira) e passa a ser interativa.

Tente saber a política da escola que o seu bebé frequenta quando uma educadora ou auxiliar está doente. Fica em casa?

Se tiver ama, estabeleça com ela o que prefere que seja feito quando está doente e, se possível, arranje alternativas.

Se não tiver uma alternativa à escola, se não puder ter uma ama ou se não puder faltar ao trabalho quando a educadora/auxiliar/ama estiver doente, não se culpabilize. Nós fazemos o que é possível pelos nossos bebés, culparmo-nos só gera ansiedade, que não ajuda em nada.

Vacine o seu bebé

Siga o Programa Nacional de Vacinação e, se possível, vacine com as vacinas extra-Programa, nomeadamente a vacina contra o rotavírus (Rotarix Ⓡ e Rotateq Ⓡ) e contra o meningococo do grupo B (Bexsero Ⓡ). Lembre-se que o facto de que as vacinas protegem contra doenças que já não se vêem por aí acontece como resultado de anos de vacinação e que, se deixarmos de vacinar, essas doenças podem e provavelmente vão reaparecer. Lembre-se também que essas doenças têm um potencial de mortalidade e de complicações muito grande. A responsabilidade é sua para com o seu bebé e para com os outros. É a imunidade de grupo que protege os bebés pequenos que ainda não têm idade para se vacinarem.

Tente não se preocupar demasiado

As bactérias estão em todo o lado, no ar, nas superfícies, na roupa. É impossível evitar completamente o contacto com elas. Não se culpabilize se o seu bebé foi beijado uma vez ou esteve com um primo que depois ficou doente…

Fazemos o que é possível e o que é razoável.

Lembre-se que a responsabilidade é sua e de mais ninguém

Se sentir que os familiares e amigos estão a pressionar e a pôr em causa os seus pedidos, lembre-se que não são eles os pais. A responsabilidade de proteger o bebé é sua e não deles. Por isso tente ser assertiva, se for preciso explique as suas razões com calma e determinação. Ao fim de algum tempo torna-se mais fácil.

Esta é uma das minhas maiores lutas e das mais difíceis. Quem me conhece sabe que chego a um café e ponho o desinfetante das mãos em cima da mesa. Sim, pareço maluca e se calhar até sou; mas mais vale isso do que uma infeção. E mais vale isso do que depois ficar a pensar nisso.

Não gosto de andar a discutir por isso dou muitas explicações, se calhar mais do que devia. Mas depois de explicar, não arredo pé.

Não costumo ser assertiva mas percebi que, se eu não defender a minha bebé, ninguém vai assumir essa tarefa por mim. E defender a minha bebé tem de vir acima de tudo o resto.

E sobretudo há que ter bom senso. Quando ela andar a arrastar-se pelo chão, não vale a pena desinfetar as mãos! Vai-me custar, vou ter de respirar fundo, fechar os olhos e aceitar mas há que ter bom senso! (isto é uma nota mental para mim, não para quem me lê ;)).

Cuidados com o cordão umbilical

Cuidados com o cordão umbilical

O coto umbilical impressiona muitas vezes os pais, sobretudo quando cai. Não estamos muito habituados a mexer no coto umbilical, pelo que não é uma atividade muito confortável e a ideia de que o cordão foi responsável pela circulação de sangue da mãe para o bebé, ainda nos impressiona mais.

O cordão umbilical é composto por duas artérias (que na gestação transportavam sangue do bebé para a mãe) e uma veia (que transportava sangue da mãe para o bebé). Na altura do parto é clampado com uma “mola” (clamp) no extremo placentar e no extremo do bebé e cortado.

Existe, no entanto, um processo fisiológico de oclusão do cordão umbilical pós-natal, caracterizado por vasoconstrição e colapso do cordão e que ocorre cerca de 3 minutos após o nascimento do bebé.

Depois inicia-se o processo de mumificação, que se caracteriza pela infiltração do coto umbilical por glóbulos brancos que decompõem o tecido e que originam uma zona de delimitação entre o coto umbilical e os tecidos abdominais circundantes. Esta explicação vai ajudar a perceber que produtos utilizar nos cuidados ao cordão.

O cordão umbilical deve ser mantido limpo e seco; a limpeza deve ser efetuada uma vez por dia, preferencialmente na altura do banho. Pode ser molhado e inclusivamente submerso no banho (embora muitos autores ainda recomendem apenas “banhos à gato” até à queda do cordão, porque a humidificação atrasa a queda). Deve ser bem limpo depois do banho utilizando uma compressa embebida em água ou soro fisiológico e depois bem seco com compressa seca.

Para realizar a limpeza e secagem o coto umbilical deve ser colocado na posição vertical, segurando pelo clamp e limpando de baixo (tecido saudável menos contaminado) para cima (tecido exposto e em mumificação e por isso mais contaminado).

Exceptuando em casos de inflamação local (vermelhidão, inchaço ou presença de líquido amarelado), deverá ser utilizada água ou soro fisiológico, ao invés de álcool a 70º, que se utilizava anteriormente. O álcool “mata” os glóbulos brancos e portanto poderá atrasar a decomposição e a queda do cordão umbilical.

O coto umbilical não deve ficar coberto e portanto deve ser efetuada uma dobra na parte da frente da fralda para evitar contacto com o cordão ou utilizar fraldas que já tenham este formato.

É preferível a utilização de t shirts largas a bodies nesta fase ou, utilizando bodies, que sejam também largos.

Nunca se deve puxar o coto umbilical; ele cairá espontaneamente

A queda do cordão ocorre até aos 21 dias de vida, sendo mais usual que aconteça até aos 14 dias. Quando o cordão cai poderá sair uma pequena quantidade de sangue (o mesmo acontece durante a limpeza diária), que deverá ser limpo com compressa embebida em água ou soro fisiológico. Poderá também sair uma pequena serosidade, líquido claro esbranquiçado, que é normal.

Alguns motivos de preocupação que devem levar os pais a procurarem observação médica são a vermelhidão e/ou inchaço na pele que rodeia o coto umbilical, saída de líquido amarelo ou esverdeado espesso, odor desagradável do coto ou do líquido que sai, choro inconsolável com o toque na zona do coto umbilical, sinais estes que poderão ou não estar associados a febre. Estes são sinais de infecção umbilical, designadamente onfalite e, no recém-nascido, requerem observação médica urgente e tratamento com antibióticos endovenosos. Também deve ser procurado auxílio médico se a zona do cordão sangrar continuamente.

Outra complicação possível do coto umbilical é a formação de um granuloma, uma zona muito rosada a avermelhada e da qual sai líquido amarelo e que não se acompanha de vermelhidão da pele circundante, nem inchaço, nem febre e que poderá ter de ser tratado com aplicação local de nitrato de prata. Esta complicação é minor e pode ser tratada no âmbito de uma consulta de vigilância; não é necessário ir à urgência por este motivo.

O cordão pode cair no banho ou até dentro da roupa do bebé e a queda pode só ser notada depois. Apesar de não estarmos familiarizados com o coto umbilical, não é motivo para sustos e basta limpar e secar a zona e vigiar os sinais de alarme.

Como mudar a fralda ao bebé

Mudar a fralda: quando e com que frequência?

A hora de mudar a fralda é o que mais muda de família para família. Há quem mude com uma periodicidade definida, há quem mude sempre que está molhada ou suja.

Há quem mude de noite e há quem deixe ficar excepto se estiver suja com cocós.

Há quem mude antes de mamar e há quem mude depois.

Cá em casa mudamos sempre a seguir a mamar. Também mudamos se tiver cocó. Durante a noite deixamos estar a menos que esteja acordada ou tenha cocó.

O contacto prolongado com o chichi poderá resultar numa dermatite das fraldas mas até agora não tivemos esse problema.

O creme barreira evita a dermatite e há quem aplique só quando a zona da fralda está vermelha, quem aplique só quando muda fraldas sujas de cocó e quem aplique sempre.

Cá em casa aplicamos quando a fralda está suja com cocó e obviamente se a pele estiver vermelha (mas ainda não aconteceu).

O creme barreira deve ter na sua composição zinco, que facilita a cicatrização.

Como fazem as mães que por aí andam a ler isto?

Como escolher o berço do bebé

Cosleeping: melhor ou pior?

Hoje em dia estão muito na moda os berços que permitem à mãe dormir junto ao bebé, rebaixando uma das paredes do berço e prendendo o berço à cama. Estes berços podem trazer algum conforto aos pais e ao bebé, embora nem todos os bebés gostem desta opção.

Do conceito de cosleeping também faz parte a partilha de quarto, mesmo que num berço separado, e a partilha de cama, em que, ao invés de haver uma superfície só do bebé mas anexa à cama, o bebé dorme na cama dos pais.

A partilha de quarto está recomendada pela Academia Americana de Pediatria até aos 6 meses.

Tanto numa opção como noutra de cosleeping o mais importante é cumprir as regras de segurança de prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente e os acidentes:

  • Nenhum dos pais deverá fumar;
  • A mãe deverá estar a amamentar;
  • As cobertas, mantas, lençóis ou colchas não devem estar em contacto com o bebé e o mesmo se aplica às almofadas;
  • O bebé deve estar posicionado de forma que os pais não rolem acidentalmente para cima dele, não deve estar entre os pais;
  • Dado que o bebé deverá ficar num dos lados da cama, é preciso assegurar que não cai; as mães devem colocar os braços e pernas em seu redor, como num abraço e deverá haver uma protecção lateral.

Algumas vantagens do cosleeping são:

Facilita a amamentação nos períodos da noite

Pela proximidade; por outro lado muitas vezes o bebé faz pausa nocturna a partir da altura em que recupera o peso do nascimento e a manutenção da amamentação nocturna poderá deixar de ser nutritiva e passar a ser uma medida de conforto.

Sincroniza os períodos de sono dos pais e dos bebés

Muitas mães acordam naturalmente antes do bebé começar a chorar e acordam com despertares leves do bebé, permitindo que o confortem rapidamente.

Poderá acalmar o bebé e diminuir a ansiedade

Pela proximidade com os pais; suaviza a transição entre períodos de sono.

Diminui a ansiedade dos pais

Pela proximidade, a vigilância do bebé torna-se mais fácil, evitando que tenham de se levantar para irem verificar o bebé.Confere uma sensação de proximidade aos pais que não têm oportunidade de passar tanto tempo com o bebé durante o dia.

Algumas desvantagens são:

Os períodos de sono são mais curtos e a duração total inferior, tanto nos pais como no bebé

Este achado refere-se a qualquer forma de partilha de quarto e pesquisas recentes nesta área vieram revelar que bebés a dormirem no seu quarto a partir dos 2 meses têm maior duração total de sono tanto nesta fase como posteriormente.

Poderá criar um padrão de sono codependente

Em que o bebé precisa de um envolvimento parental total para voltar a adormecer tanto durante o dia como posteriormente.

Quanto ao envolvimento emocional e vinculação, não existe evidência que seja maior na opção de cosleeping. O mesmo se aplica em relação à associação à Síndrome de Morte Súbita do Lactente; não há evidência que seja menor e existem estudos que reportam um aumento na opção de berço de cosleeping, sob determinadas condições.

O mais importante é garantir que são cumpridas as regras de segurança e que a opção tomada é a mais confortável para os pais e bebé, dentro dessa condição. Cá em casa utilizamos um berço para cosleeping e mantemos a colcha só no lado do pai (claro que isto é mais fácil no Verão e com este calor). Até agora tem ajudado, porque nos permite ver a bebé e, quando acorda, conseguimos confortá-la rapidamente e voltarmos todos a adormecer (pelo menos eu e ela, que para acordar o pai era preciso uma manada a atravessar a casa). Às mães que estão a ler este blog, que opções escolheram?

Chucha: sim ou não?

Chucha: sim ou não?

A utilização de chucha é um bocadinho controversa e alguns pais optam por utilizar, outros não. A maioria dos bebés acaba por usar chucha como forma de conforto.

Este conforto acontece no âmbito da fase oral de desenvolvimento, em que os bebés exploram o meio ambiente colocando objetos e partes do corpo na boca. Esta fase inicia-se habitualmente aos 3 meses (podendo começar mais cedo) e termina entre os 12 e os 18 meses. Esta etapa de desenvolvimento faz sentido se pensarmos que o primeiro contacto que o bebé faz com a mãe e com o meio ambiente é através da ingestão de leite e esta é a primeira capacidade que ele desenvolve.

Há quem defenda que a chucha é uma forma de conforto para os pais e não para o bebé. No entanto é certo que os acalma quando começam a chorar. Claro que é impossível saber em que medida é que poderá ser ou não o que o bebé precisa, porque como os bebés não falam e nós adultos não nos conseguimos lembrar desta fase da nossa vida, hoje em dia sabe-se muito pouco sobre os bebés. Assim só conseguimos inferir.

Vantagens

A chucha acalma

Não há dúvidas que, nos bebés que aceitam a chucha, há, na maioria das vezes, uma resposta de relaxamento quando lhes é colocada a chucha na boca; isto é importante no caso de bebés que choram inconsolavelmente e mesmo para consolar um bebé cansado.

A chucha evita que o bebé mame quando não está com fome

A sucção não nutritiva como forma de consolo é importante; os bebés que não usam ou não aceitam a chucha são muitas vezes colocados na mama, porque há dúvida se terão fome e porque se procura consolar o bebé; muitas vezes a sucção não nutritiva da mama está associada a ingestão de leite que poderá não ser necessária como alimentação.

A chucha poderá ter um papel na prevenção da morte súbita do lactente

Neste ponto existe bastante controvérsia; existem estudos que mostram um benefício grande (na ordem dos 20%) na prevenção da Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL) mas existem estudos também que mostram resultados inconclusivos, pelo que não se pode afirmar com certeza que esta função seja real. Pensa-se que os bebés que usam chucha acordam mais vezes durante a noite e despertam mais facilmente durante a apneia e que a chucha pode evitar que o bebé que rola na cama fique com a via aérea tapada pelo colchão.

Desvantagens

Pode ser um hábito difícil de quebrar

Sobretudo a partir dos 2 anos alguns bebés são muito intolerantes à retirada da chucha e os pais devem estar preparados, segundo os autores, para 1 a 5 noites sem dormir”.

Pode ser um mau hábito para os pais

Se a chucha é utilizada, em primeira instância, em resposta ao choro do bebé em todas as ocasiões, quando o bebé acalma os pais poderão não ir à procura de outro motivo para o choro.

Pode diminuir a qualidade do sono da família

Alguns bebés acordam durante a noite e procuram a chucha, porque adormeceram com ela e portanto desenvolveram o hábito de precisar desse apoio para adormecer. Claro que não se espera que um bebé pequeno consiga adormecer sem qualquer ajuda, pelo que, se não fosse a chucha, teria de ser outra coisa (por exemplo se for a mama, ele irá procurar a mama todas as vezes que acorda, o que significa procurar a mãe sempre que desperta; no caso dos recém-nascidos os despertares acontecem 4-6 vezes/noite e nos bebés com menos de 4-6 meses 2-3 vezes/noite).

Nas crianças a partir dos 2 anos poderá estar associada a maior probabilidade de otites

A maioria dos estudos mostra 3 vezes mais otites nestas crianças.

Nas crianças a partir dos 2 anos poderá estar associada a má oclusão dentária

Por afastamento das arcadas superior e inferior e por profusão dos dentes anteriores.

Não está comprovado que a utilização de chucha esteja associada a dificuldades na amamentação. Existe alguma preocupação que a chucha possa confundir os bebés que amamentam na fase inicial, pelo que parece sensato introduzir a chucha só depois da amamentação estar bem estabelecida (a Academia Americana de Pediatria recomenda aguardar 1 mês, mas a amamentação usualmente está estabelecida antes dessa altura, usualmente na 2ª ou 3ª semanas de vida). No entanto a maioria dos estudos mostra taxas de amamentação exclusiva mais baixas nos bebés que a utilização de chucha é limitada.

Por este motivo está recomendado retirar a chucha até aos dois anos.

Para retirar a chucha poderão ser utilizados dois métodos

O método dos 3 dias

Definir um dia para retirar a chucha e começar a preparar a criança 3 dias antes, dizendo que sabemos que está crescida e que quer experimentar atividades dos “crescidos” e que sabemos que vai conseguir largar a chucha dentro de 3 dias; esta conversa deverá ser repetida ao longo dos 2 dias seguintes até retirar a chucha.

O método gradual

Retirar a chucha em situações de conforto e de relaxamento e ir retirando progressivamente noutros contextos (primeiro fora de casa, depois limitar ao berço e depois retirar).

Ajuda dizer à criança que a chucha será oferecida ao Pai Natal ou à cegonha, para ser utilizada pelos bebés mais pequenos ou que será utilizada para produzir brinquedos (como se faz na reciclagem). Poderá também ajudar dizer que, pelo facto de a criança estar a ser tão “crescida” receberá uma recompensa (como uma pequena prenda).

Segurança

Em termos de segurança é importante lembrar que as chuchas não devem ser presas a correntes ou aos famosos porta chuchas, pelo menos nos períodos de sono ou quando o bebé não está a ser vigiado, pelo risco de estrangulamento.

Tamanhos

As chuchas são produzidas para 2 tamanhos diferentes: 0-6 meses e para além dos 6 meses.

Cuidados de higiene

Devem ser lavadas com água quente e detergente mais frequentemente até aos 6 meses (não necessitam de ser esterilizadas), podendo ser colocadas na máquina de lavar loiça. Aqui em casa uma chucha é utilizada durante um dia e não mais, embora estas periodicidades não estejam definidas e isto possa ser exagero.

Lições que aprendi sobre amamentação: aspetos práticos

Lições que aprendi sobre amamentação: Aspetos práticos

Hesitei em escrever sobre isto porque existem milhares de publicações sobre amamentação e provavelmente não vou trazer nada de novo à discussão pública sobre este assunto.

No entanto decidi partilhar um conjunto de coisas que gostava que me tivessem dito antes e que não vejo assim falado por aí. Amamentar é uma experiência natural mas pode ser difícil e, para amamentar, é preciso confiança e tranquilidade, dois sentimentos raros no período pós-parto imediato.

Os bebés pegam na mama na primeira hora de vida.

Sim, pegam e a amamentação deve ser iniciada logo nesta fase. Aumenta a produção de leite posteriormente, permite ao bebé alimentar-se de colostro depois do período de intensa atividade do parto e aumenta a vinculação afectiva entre mãe e bebé.

No entanto esta primeira pega é um “namoro”, uma primeira vez que o bebé vai conhecer a mama e portanto o bebé muitas vezes não pega consistentemente, não permanece muito tempo na mama e muitas vezes adormece. E não, isto não significa que a mãe está a fazer algo errado.

Os bebés mamam em horário e quantidade livre

Verdade, mas há que notar que isso traduzido por miúdos, nos primeiros dias, significa que nas primeiras 24 horas podem não se interessar muito pela mama e mamar por curtos períodos (2-3 minutos) e às vezes não pedem para mamar pelo que precisam de ser colocados na mama. Isto acontece principalmente com partos induzidos ou cesarianas.

Também significa que algures nas primeiras 72 horas o bebé provavelmente vai começar a pedir para mamar constantemente, alguns por períodos curtos, outros mais longos.

Nada disto significa que “o leite não chega”.

Na amamentação o leite materno não é quantificado, é preciso confiar

É uma espécie de magia… O leite materno não se vê e não se quantifica. Como saber que o bebé está efetivamente a receber o que precisa?

Claro que há algumas regras básicas: o peso (podem perder até 10% na primeira semana), os chichis (4-6 fraldas molhadas por dia) e os cocós (pelo menos um por dia e um nas primeiras 24 horas). Mas inicialmente não sabemos o peso, só sabemos que vai diminuir e é difícil perceber os chichis (porque podem vir misturados com cocó e porque são pouco volumosos).

E ficamos na dúvida … e essa dúvida custa muito mais do que qualquer coisa que eu possa pôr aqui por palavras.

É aqui que os profissionais de saúde são essenciais no apoio à amamentação, sobretudo para mães de primeira viagem. E é aqui que eu tenho de deixar um agradecimento à equipa de Neonatologia e de enfermagem na Maternidade Dr. Alfredo da Costa, por terem tido a fé, a confiança e a experiência que eu não tinha, por me terem ajudado a fechar os olhos e acreditar que o meu corpo podia dar à minha bebé aquilo que ela precisava. Também tenho a agradecer às minhas amigas, muitas delas mães, que partilharam comigo as suas experiências e me ajudaram a esperar e a ter paciência.

Os mamilos de silicone ajudam a moldar o mamilo

Acredito que os mamilos artificiais possam diminuir a dor, nas mães com mamilos fissurados, por constituirem uma barreira entre o bebé e o mamilo. Mas acho muito difícil que melhorem a pega do bebé; mesmo os tamanhos maiores, raramente permitem a inclusão do mamilo até à ponta, fazendo com que o bebé faça uma pega na ponta do mamilo, que é precisamente o que não se pretende.

Têm um papel de barreira em casos de infeções locais do mamilo.

A amamentação pode ser dolorosa mas não é para sempre

A pega inicial pode ser dolorosa e nem sempre por ser desadequada. Os mamilos ficam muitas vezes macerados e fissurados mas, ao longo do tempo, vão ficando mais consistentes e moldados e a dor poderá atenuar e até desaparecer.

A subida de leite é sempre dolorosa

Muitas vezes é. Pode ser uma experiência muito difícil e custosa. Mas também pode não acontecer isso. Pode até ser tão discreta que nem se note…

Em caso de encaroçamento ou tensão mamária ajuda utilizar bombas de leite

A bomba de leite deve ser o último recurso. O primeiro é pôr o bebé a mamar. O bebé consegue drenar as áreas mais profundas da mama, enquanto a bomba, para além de não ser fisiológica, muitas vezes só drena a área superficial. Antes de colocar o bebé a mamar deve ser aplicado calor local e feita massagem (existem várias técnicas mas a aplicação de pressão com os nós dos dedos é que mais resulta para drenagem) e depois de o bebé mamar pode ser feita expressão manual e aplicado frio local. Também ajudam os duches com água quente.

A bomba desencadeia maior produção de leite porque sinaliza que é necessário tanto o leite ingerido pelo bebé como o leite retirado posteriormente. Pode prolongar o problema no tempo.

São bem conhecidos todos os efeitos benéficos da amamentação tanto para a mãe como para o bebé. A alimentação do bebé deve ser uma escolha (informada) de cada mãe e cada mãe deve ser respeitada na sua decisão, independentemente do motivo.

A alimentação do bebé é um dos aspectos mais íntimos da díade mãe-bebé e deve trazer prazer e bem estar. Para mim teria ajudado saber, antes do parto, o que aqui partilho. Estou certa que terão outras quantas lições a adicionar a estas.

Como aparar as unhas do bebé

As unhas: limar ou cortar?

As unhas do bebé são, de longe, a meu ver, a parte do corpo mais difícil de cuidar. Os bebés quando nascem, sobretudo se depois das 37 semanas, já têm as unhas crescidas e, apesar de serem moles, são afiadas o suficiente para se conseguirem arranhar.

Por esse motivo muitos pais colocam luvas ou meias na maternidade para evitar que o bebé se magoe.

Na fase inicial as unhas são muito moles pelo que está recomendado limar com uma lima de cartão. Limar é a forma mais segura de aparar as unhas mas tem a desvantagem de demorar mais tempo.

A partir do mês de vida as unhas tornam-se mais rígidas e podem ser limadas ou cortadas com tesoura própria para unhas de bebe (pontas arredondadas e lâminas curvas). Os corta-unhas não são seguros porque não têm protecções para evitar cortes acidentais, como acontece com as tesouras.

As unhas das mãos devem ser aparadas ao longo da curva da unha cerca de uma vez por semana. Quando é utilizada a tesoura, os cantos devem ser limados.

As unhas dos pés devem ser aparadas rectas e geralmente só necessitam de ser cortadas uma vez a cada duas semanas.

Para aparar as unhas deve ser retraída a pele da polpa do dedo e imobilizado o dedo entre os dedos do cuidador, para que não sejam feitos cortes acidentais. Quando é utilizada a lima, há que ter o cuidado de não limar a pele por baixo da unha ou nos cantos.

Alguns truques para conseguir aparar as unhas mais facilmente são: aproveitar o tempo em que o bebe está a dormir ou a comer (por estar mais relaxado), aparar a seguir ao banho (as unhas ficam mais moles), aparar as unhas a dois (um dos cuidadores segura o dedo e apara e o outro distrai o bebe) e pedir ajuda a pais mais experientes, sobretudo no caso de pais de primeira viagem.

Roer as unhas do bebé está contra-indicado pela possibilidade de infectar a pele dos dedos com bactérias da boca.

Se acontecer algum acidente, nomeadamente alguma ferida ao cortar as unhas, deve ser aplicada um compressa e efectuada pressão sobre a ferida até parar de sangrar, tendo o cuidado depois de limpar a ferida 2-3 vezes ao dia. Não devem ser aplicados pensos rápidos nem pensos em gel, porque os bebes levam os dedos à boca e podem engolir ou aspirar o penso.

Para mim esta é uma tarefa da qual não gosto muito, porque a minha bebé acorda sempre que começo a aparar as unhas e a comer começa a chorar; a distracção é a única coisa que resulta. Por outro lado as unhas são pequenas e nunca as aparo sem ter outra pessoa ao lado. É difícil limar a unha porque parte facilmente. Pode ser que se torne mais fácil à medida que vai crescendo.

Como escolher as melhores fraldas

Como escolher as fraldas?

Escolher as fraldas para o bebé pode ser difícil. Existem várias escolhas no mercado: descartáveis/reutilizáveis, por tamanho, por textura, por taxa de absorção.

O que procuramos é que sejam as fraldas mais suaves e absorventes de forma a que o nosso bebé esteja o mais confortável e seco possível.

Descartáveis versus reutilizáveis

As fraldas descartáveis são bastante práticas porque são utilizadas uma vez e deitadas fora, não requerem nenhum tipo de manutenção e são leves e adequadas ao peso do bebé.

Apesar dos inúmeros descontos e promoções que existem em qualquer altura do ano, o custo total de utilização de fraldas descartáveis até ao desfralde é superior ao custo de utilização das fraldas reutilizáveis. Se a criança utilizar 6 fraldas por dia até aos 2,5 anos gastará 5.475 fraldas no total, o que corresponderá a um total de 1.070€ aproximadamente (para um preço em promoção de 18€ por 92 fraldas – portanto o melhor cenário). Em termos ecológicos, são prejudiciais para o ambiente porque demoram cerca de 180 dias a decompor.

São compostas por polímeros e fibras celulósicas e o seu revestimento exterior é de polímero de polietileno poroso, que retém os líquidos mas deixa sair os vapores. O revestimento interno é de plástico polipropileno e poderá incluir, consoante as marcas, vitamina E, aloe vera ou loções. O absorvente utilizado mais frequentemente é o poliacrilato de sódio, que se transforma em gel quando em contacto com líquidos. Na sua produção é utilizado cloro para branqueamento e amolecimento, que poderá originar dioxinas, substâncias que são tóxicas; no entanto a quantidade de dioxinas presente nas fraldas descartáveis é mínima.

Outra consequência conhecida da utilização de fraldas é a dermatite perineal, que consiste na irritação da pele na zona da fralda e que ocorre pelo contacto prolongado da pele com urina e fezes. A maioria das fraldas descartáveis deixa sair o vapor, minimizando mas nunca anulando a probabilidade de surgir dermatite. Para evitar esta consequência devem ser utilizados cremes barreira quando é detectada irritação cutânea e poderão também ser aplicados em cada muda de fralda, sobretudo quando a fralda tem fezes.

As fraldas reutilizáveis têm a vantagem de ter um custo total inferior (cada fralda custa em média 20€ e são necessárias 30 fraldas, pelo que o custo é de 600€) mas há que lembrar que implicam mais gastos em água, eletricidade e detergente (porque implicam lavagem de fraldas a cada 2-3 dias). Representam uma poupança em termos monetários especialmente relevante se utilizadas em mais do que um bebé. São mais ecológicas porque não são deitadas fora. Estão menos associadas a dermatite perineal e são mais frescas, mantendo uma temperatura 4ºC inferior às descartáveis.

Têm, no entanto, algumas desvantagens. Necessitam de lavagens frequentes (a cada 2-3 dias da semana) e não podem ser lavadas com a maior parte dos detergentes comercializados (nomeadamente não podem conter glicerina nem branqueadores ópticos). Os detergentes necessários são mais caros do que os habitualmente utilizados (para um detergente próprio para fraldas reutilizáveis, para 45 lavagens custa habitualmente cerca de 20€, que possibilitarão lavagens para 2,5-3 meses, enquanto para um detergente com branqueadores ópticos, usualmente comercializado nos supermercados, para 56 lavagens, ou seja 4 meses, custa os mesmos 20€).

Outro aspecto é que necessitam de pré-lavagem e lavagem a 40 ºC durante uma hora (correspondendo a 2 horas de utilização da máquina de lavar roupa a cada 2-3 dias).

Por outro lado, para representarem uma poupança em termos monetários, são ajustáveis (pela utilização de molas) ao tamanho do bebé, pelo que, na sua maioria, são muito volumosas numa fase inicial. Alguns pais reportam a ocorrência de fugas por dificuldade no ajuste das fraldas na zona das coxas. Também são menos práticas, por implicarem guardar a fralda para lavar após a utilização, sobretudo fora de casa.

Alguns pais optam por utilizar apenas fraldas descartáveis, outros utilizam fraldas reutilizáveis exclusivamente e ainda outros fazem um misto (fraldas reutilizáveis em casa e descartáveis na rua).

Tamanho

As fraldas descartáveis são ajustadas ao peso do bebé. Há que recordar que um bebé recém-nascido utiliza 8-10 fraldas por dia, passando, a partir dos 3 meses, a utilizar 6-8 fraldas por dia e a partir dos 9 meses cerca de 5 fraldas por dia.

Os tamanhos geralmente são: 0 (3 kg), 1 (2-5 kg), 2 (3-6 kg ), 3 (4-10 kg) e 4 (8-14 kg).

Para comprar fraldas é bom lembrar que a maioria dos bebés nasce com um peso em torno dos 3 kg ou superior (pelo que é uma opção comprar logo o tamanho 2 inicialmente) e aos 2 meses já atingiu os 5 kg. Assim uma opção seria comprar cerca de 750 fraldas tamanho 2 e não mais para a fase de vida inicial.

As fraldas reutilizáveis podem ser compradas para recém-nascido ou tamanho único (3,5 kg até ao desfralde).

Textura e taxa de absorção

As fraldas descartáveis têm a opção clássica e a opção suave. A opção suave difere pela maior capacidade de absorção e pela textura mais suave dos materiais em contacto com a pele.

Para os bebés de maior idade existem ainda as opções de maior absorção para a noite e para o dia a dia e as opções para utilização na água (mar ou piscina) impermeáveis.

As fraldas reutilizáveis são compostas por algodão.

Existem várias alternativas no mercado no que toca a fraldas e, como em tudo, são opções que se adaptam a cada família, às suas necessidades e hábitos. Acima de tudo pretende-se que os pais e o bebé estejam o mais satisfeitos e tranquilos possível.

Como dar banho ao bebé

Como dar banho ao bebé?

O banho pode ser um momento familiar cheio de sorrisos e boa disposição mas isto nem sempre acontece com alguns bebés.

Nem todos os bebés adoram o banho, sobretudo quando ainda são recém-nascidos. Alguns assustam-se e não gostam do contacto com a água. Outros gostam de estar no banho mas choram muito quando saem. E na fase inicial, sobretudo para pais de primeira viagem, ainda há alguma insegurança e muitas dúvidas e os bebés são especialistas a sentir a incerteza dos pais..

À medida que a idade vai avançando e os pais se tornam cada vez mais experientes a dar o banho, esta altura do dia vai sendo cada vez mais fácil e os bebés que não acham tanta piada ao banho acabam, muitas vezes por gostar.

Para mim, que algumas vezes tenho de dar o banho sozinha, precisei de simplificar algumas coisas.

A hora

Escolhi fazer o banho à tarde, por volta das 18h30 mas a escolha da hora é única para cada família. Se o bebé está bem disposto de manhã mas ao fim da tarde já está muito impaciente, se calhar o melhor é dar o banho de manhã. Algumas famílias preferem dar o banho imediatamente antes de deitar, por volta das 23h30. Para nós isso desregularia toda a rotina cá em casa e seria uma fonte de stress. O mais importante é ser adequado a cada família. Também depende se têm outros filhos em casa.

O local

Pode ser feito no quarto do bebé ou na casa de banho. Nós cá em casa variamos. Se eu der banho sozinha, como o muda fraldas está no quarto, opto por dar no quarto. Se dermos banho os dois (pai e mãe), preferimos estar mais à vontade com eventuais salpicos e água a sair por fora e damos na casa de banho.

A temperatura

A água deve estar a 37ºC. Para ter a certeza é preciso um termómetro. No entanto, uma regra básica é que a temperatura não deve ser desconfortável para o adulto e muitas vezes podemos dispensar o uso do termómetro. A temperatura deve ser testada utilizando o cotovelo do adulto.

A regra para encher uma banheira de bebé é encher primeiro com água fria e depois quente, para que o bebé não se queime nas paredes da banheira. Hoje em dia já há torneiras de mistura e, desde que tenha cuidado com não encher com água muito quente, pode-se encher com água logo à temperatura desejada.

O quarto deve estar a 21ºC. No Verão é simples, qualquer quarto já estará a mais de 21 ºC. No Inverno é preciso aquecer. Alguns bebés não gostam da transferência da banheira para a toalha e precisam de uma temperatura ambiente mais elevada.

A altura da água

Deve ser de um palmo, por forma a que o risco de submersão seja minimizado. Claro que é necessário sempre segurar o bebé com um braço atrás do pescoço a segurar pela axila do lado contrário em pinça em redor do braço (nunca desfazer a pinça!).

O uso de redutores poderá dar uma falsa sensação de segurança. Nós temos um redutor mas só o utilizámos uma vez e parece-me pouco prático para manter o bebé seguro com a pega em pinça.

A banheira

As preferências de banheira também são muito pessoais. Cá em casa temos dois tipos: a banheira clássica e a banheira tipo “balde”. Quando estamos os dois damos na clássica por uma questão de espaço para nos mexermos e porque como estamos dois não temos a preocupação de alcançar o gel de banho ou a toalha. Quando estou sozinha dou no “balde” porque é mais contido, é mais fácil para mim segurar o bebé e conseguir alcançar tudo à minha volta e é mais fácil esvaziar.

O que não gostámos é da banheira incorporada no muda fraldas. Com esta opção quando o bebé está na banheira o muda fraldas está elevado e portanto não pode ter nada em cima. Perde-se assim a possibilidade de por a toalha, a fralda e a roupa em cima e quando se tira o bebé da banheira é preciso estar a alcançar tudo isto.

A luva

A lavagem do bebé deve ser sempre efectuada nas pregas, nomeadamente pescoço, axilas, cotovelos, joelhos, pregas inguinais. Pode ser feita com as mãos, com compressas, com uma luva de banho ou com um pano. As esponjas são desaconselhadas porque nunca secam completamente e acabam por ficar contaminadas com fungos. Cá em casa utilizamos um pano de rosto e vai para lavar depois de cada utilização.

A duração

A pele dos bebés é muito sensível e facilmente fica seca e descamativa, pelo que o banho deve ser o mais curto possível, só o suficiente para lavar.

A sequência

Antes do banho deve ser sempre lavada a zona genital com creme lavante. Muitos cremes lavantes não precisam de enxaguamento depois de utilizar. Para esta fase utilizo compressas. Também opto por lavar a face antes de entrar no banho, porque é lavada com água sem sabão. Algumas pessoas optam por lavar o couro cabeludo em primeiro lugar, retirar para secar e depois voltar ao banho. Conosco isto gerava choro que nunca mais acabava por isso fazemos tudo seguido, couro cabeludo e corpo.

Os produtos

A escolha das marcas é muito pessoal e depende também da reacção da pele dos bebés. O gel de banho deve ser utilizado na menor quantidade possível para evitar que a pele fique seca. O couro cabeludo também é lavado com gel de banho até aos 12 meses. O creme deve ser aplicado em todo o corpo, sobretudo nas pregas.

A toalha

Deve ser de algodão, grossa e grande, para poder envolver o bebé na totalidade depois do banho e não ficar toda encharcada em contacto com a pele.

A periodicidade

Está recomendado dar banho 2-3 vezes por semana, para evitar a perda de ácidos gordos essenciais da pele. No entanto, para nós o banho constitui uma rotina e ajudou a definir horários que o próprio bebé precisa de absorver. Por isso e pelo facto de que está imenso calor e os bebés transpiram muito, damos banho diariamente.

Esta começou por ser uma rotina muito difícil para nós porque, inicialmente, as mudanças da água para a toalha faziam com que a nossa bebé chorasse muito e ficasse muito pouco receptiva a por creme e vestir. Parece-me que ela sentiu muito a minha insegurança inicial de quem estava a dar os primeiros passos nestas áreas… Depois de se tornar uma rotina e de eu própria me sentir mais confiante, melhorou tudo e agora é uma altura do dia de que gostamos muito.